Finalmente.

A mão molhada.

Eu decidi deixar 100 reais no banco e 100 reais comigo.Obviamente serei invadido pela alegria momentânea e gastarei em besteiras, comprarei poucas roupas(e estou precisando) e se bobear, até este domingo estes 100 reais estarão gastos…totalmente.

Daí é onde eu direi novamente: “Que fracassado”.

Quando a minha grana cessa e eu fico sem nada, meu corpo fica mais pesado, meu tênis idem e fico com a aparência de velho.Quando tenho grana, fico mais leve.Hhehehe.Coisa boba, mesmo.Eu acho.
Eu odeio bancos.As pessoas são tão “escaldadas” que ficam olhando umas as outras e outras pessoas com atitudes “suspeitas”no banco.Não pode fazer um movimento brusco que ficam com medo.Aciona aquele apito mental:”priiii!!!perigo, perigo!!”
Hhahahaa!

De vez em quando eu gosto de zoar com isso.Não me acho superior a estes medrosos, apenas gosto de zoar com a cara deles.O que era pra ser sério fica patético.Aff…

Hoje de manhã tinha acordado todo sujo, minha cama idem.As baratinhas infestaram o abrigo.Há meses.E ninguém faz nada.Agora que mudou a Direção, aqui está cheio de funcionários do Corpo de Bombeiros.Obviamente dá aquela sensação de segurança, se bem que eu nunca tive medo de nada.Mas não dá pra sair por aí peitando a tudo e todos.

Sempre vemos os filmes depois da novela.Lá no abrigo é onde eu consigo espairecer um pouco, deixar aquela casca séria e ser mais gaiato.Não sei porque…não sei se é Dupla Personalidade.Eu brinco, eu zôo…sozinho.Grito, mando praquele lugar e tudo mais.O pessoal não se importa, como sempre.
Eu não ando tendo cuidado comigo mesmo, nem com a minha saúde, nem com minhas roupas.Deixo de ir ao médico tratar da minha gagueira e de ir ao endocrinologista resolver a questão da minha magreza.Não, não sou anoréxico, nem aidético, nem nada disso.Felizmente.

A falta de roupa é tremenda.Eu vi na seção de roupas do abrigo, estava tudo espalhado.E tinha roupa boa no meio de roupas rasgadas.E só de mulher.Tenho preguiça de lavar minhas roupas, até porque eu chego de noite.E janto na hora em que vejo os filmes das 22:30.E depois durmo, após lavar a minha de sair.Não consigo lavar tudo ao mesmo tempo.É o Demônio do Sono.

Hheheheh!

Safado me chama pra dormir de um modo irresistível.E a cama, mesmo não sendo aquelas coisas, é extremamente confortável….

E eu não posso pensar em coisas que aparentemente não são nada na mente dos outros humanos, mas na minha mente dá uma sensação extrema de medo.De ânsia que algum espírito ou demônio vá me retalhar em pedaços.E me dá calafrios intensos.

É igual um comercial antigo do SBT em q aparece as Chiquititas indo pra cama dormir, e a Flávia Monteiro canta uma música doce, mas que na minha mente soa como um pesadelo.Esse comercial passava exatamente às 22:00.

“nana nana, vai dormir, boa noite e um beijinho…vai sonhar”.Ela canta, e depois o locutor do SBt diz: “Boa noite a todas as crianças do Brasil”.

E estas frases, lembrando a cena das crianças indo dormir, me atiça o MEDO e a ANIMALIDADE ao mesmo tempo.E eu simplesmente NÃO PARO DE TER CALAFRIOS.

E eu fico com os dedos em posição de garras, rujo igual a uma onça ou um lobo.Não sei porque isso acontece comigo.

Poderia dizer que era pra espantar o medo, eu normalmente não tenho medo das pessoas, mas por quê cargas d’água esta lembrança me faz ter medo?Ainda mais se eu tiver no escuro.

Se eu fosse uma criança eu estaria perdido.

Se eu me lembrar disso volto a ter os mesmos calafrios violentos, e isso influi nas lágrimas que escorrem.Não sei porque escorrem.

Coisa doida.

Consulte o seu Psicólogo.

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O meu problema.


Eu sou um sujeito que vive dizendo que :”Ainda bem que eu não descambei pro mundo das drogas, da bebida e do escambau à quatro”.Eu poderia dizer que eu não tenho mente pra fazer isso, sei bem o que é certo e o que é errado.Mas todo mundo sabe o que é certo e o que é errado e mesmo assim faz besteira.
Ah, é mesmo.Esqueceu?Lembre-se.
Eu não me vanglorio pra lá e pra cá.Mesmo não fazendo isso, tenho problemas, não sou melhor nem pior que os outros.Se eu fosse melhor eu não estaria na vida em que vivo.”mas melhor de personalidade”, você diz.Melhor?Sendo um cara extremamente chato, que se aborrece facilmente, insensível e dependente dos outros…as únicas coisas decentes na minha personalidade são o meu bom caráter, obediência, dedicação aos amigos e sinceridade.É, só isso.

“só isso?Tu acha que é só isso?Há muita gente que não tem estas qualidades.Creio que você esqueceu algumas, mas estas ficam no meio termo”.
Quais são?
“Tu és uma pessoa muito observadora”.
Tem razão.
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Cada vez mais que eu ando pelo Centro da cidade me acho um estranho no ninho.Nem quando eu estava trabalhando conseguia aturar aquela enxurrada de almas andando pra lá e pra cá.Almas ricas e almas pobres, mas na verdade são todas iguais.Suas mentes.O que muda só é o nome e o rosto.As pessoas me saem como livros abertos, totalmente sem segredos.Isso que eu andei analisando.Hoje eu não dei uma dentro.Magoei uma pessoa que poderia me ajudar.Visivelmente chateada, eu disse:”Você ficou chateada, né?Eu entendo”.E ela não me disse nada a não ser querer me colocar pra fora do Conselho Tutelar da Zona Sul.Eu tinha ido lá para encontrar alguns conhecidos, que pudessem me fortalecer(?)uma grana.

Eu me acho um coitado por vários motivos.Pela minha dependência.Acho isso importante até um ponto.Quando se acostuma é um vício, e o que ele te beneficia se evapora alguns instantes depois.Seja a dependência de grana, seja de amor, seja dos outros…é sempre a mesma coisa.Eu tenho deixado de lutar pela minha independência…vivo dizendo pra deixar as coisas “pra amanhã”.E esse amanhã nunca chega.Acho segunda um excelente dia para colocar a mão na massa, mas parece que me digno a ficar na mesma situação horrível de sempre.

A minha gagueira não é deficiência, então não tem como conseguir Rio Card(Vale Transporte Eletrtônico) assim tão facilmente.Mudou a direção da Fundação Leão XIII(onde eu moro) e demitiram to-das as assistentes sociais.Já estava começando a ficar colega da Selma(a que me atendia).A empresa que saiu, a Prosol, era tachada de “ladrões” pelos próprios internos do abrigo.Não por mim.E tome rabiscos dizendo:”Prosol mensalões!”na porta de entrada da Administração.Ninguém descobriu quem foi.

Amanhã eu vou me encontrar com uns amigos no Shopping Tijuca, espairecer mais do que espaireci.É uma coisa que tá acontecendo sempre ultimamente.Espairecer.A minha camisa polo azul-bebê(olha só)se sujou só da minha mochila encostar nela.Toda vez que olho pra minha mochila eu penso num mendigo.Tá tão suja como tal.Hora duma lavada.

Quando eu era criança eu lia livros, agora só leio jornais e revistas.Turma da Mônica não existe pra mim.
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Continuando a história de Buerarema Parte 2:

Eu havia chegado numa cidade do Sul da Bahia chamada Canavieiras.Era uma cidade próxima ao mar, sol e etc.Não tinha sol na hora em que cheguei, estava de noite.Provavelmente era uma terça ou quinta, porque os cultos das igrejas evangélicas são majoritamente estas dias.E eu sei que não era domingo.Eu tinha um pouco de grana, e burro como sou, fui gastar tudo numa daquelas lojas de games, em que se paga pra jogar alguma coisa.Super Nintendo, Mortal Kombat 3.Me lembro até hoje.Perdi para um molequinho sem camisa que apareceu lá.E fiquei até acabar o expediente.Eu não sabia o que fazer e a dona da loja ficou olhando pra mim, e eu parado na rua, fiquei sem saber o que fazer.
Tinham dois policiais.Contei minha situação à eles.Eles me levaram à delegacia, mas na viatura um deles ficou reclamando, pelo menos umas 3 vezes, que eu tinha um cheiro ruim igual de “macaco”.Eu estava fedendo, mesmo.Não tinha tomado banho naquele dia.Fedor, fedor.Tá.Me levaram lá e revistaram minha mochila.Nenhuma coisa ilícita, claaaro.Me deixaram ir, mas saquei que tinha algo faltando.Minha caneta, que eles roubaram.Porcos.
Daí, eu fiquei andando pra lá e pra cá, até que cheguei no centro da cidade e fui numa igreja evangélica.O culto tinha terminado.Conversei com o pastor(negão fortão bigodudo), e um monte de crianças da igreja ficaram me olhando enquanto eu falava.Todas ajuntadinhas, parecendo que esperavam um prato de comida.Ele me levou pra casa da família dele.Me deu ostras pra comer.Eu nunca tinha comido ostra antes, mas era o que tinha.E ele ficou conversando comigo, não tendo modos pra comer(de boca aberta, zóio arregalado), hahaha.Ele me levou pruma pousada.Dormi lá.
De manhã ele me levou para um abrigo da igreja Católica situado no centro da cidade.Fui recepcionado por uma madre.

Foi lá que teve o princípio da encheção de saco.

Continua.

Sexta “cheira”.

Morro de rir quando falam isso.É igual o “café com língua”que falam aqui no café da manhã.Aliás, o café da manhã daqui se resume a um simples copo de café.Mas daquele ralinho, que dá pra ver o pó preto em apenas 3 dedos no copo.

Horrível.E rio mais ainda quando ouço o dono da rádio que eu frequento xingando porque sempre se ferra num jogo eletrônico de carro.Só de ouvir a batida violenta eu caio na gargalhada.

Antes eu não era assim.Me lembro que quando eu era criança era carrancudo demais.Sem motivo.Eu ainda vivia num abrigo na Tijuca, e tinha uma leve simpatia pelo Budismo.Eu era bem mais espiritual do que hoje em dia, que eu vivo lutando para não deixar Deus de lado.Eu era tão ridículo que colocava uma página duma revista com a imagem de Buda(ou Kannon)na parede e atrás dela ficava meditando…hahahahhahaa!

E o pessoal me imitava na escola.Alguns que gostavam de zoar.Fora isso tudo, eu perdi grandes oportunidades na escola.Se eu tivesse pelo menos 1/3 da mentalidade que tenho poderia ter arrumado namorada, melhorado minha situação, comovido alguma pessoa no alto escalão, e possivelmente arrumaria uma nova família.Tive várias oportunidades pra concretizar essas idéias.E todas passaram pela minha mão.Só faltava o Destino abrir as pernas pra mim e falar: “Dave, isso tudo é seu!Aproveita, desgraçado!”.

Tá, péssimo comentário.

Julia, a infantilóide arrastava asa pra mim, mas ao mesmo tempo falava:”Ainda bem que eu não tô namorando o David”.Monique era ainda mais intensa.Atualmente soube do Orkut da mesma e mandei uma mensagem.Ela tá namorando(vi em seu Perfil)e não me mandou de volta, sinal de que não quer nada.Beleza.

Eu fico imaginando que dependo e não dependo dos outros.Dependo deles para melhorar minha vida, ajuda, auxílio.Não estou sendo mal-caráter(nunca fui), em amenizar minha situação eles são essenciais.E sobre não depender, são das pessoas fúteis.As pessoas que pra mim são iguais, sem segredos, agem perfeitamente como eu penso e lamento por isto.Tá, nem todo mundo é como a gente quer, eu sempre digo isso.Mas meu relacionamento com os outros enche o saco.

É homem machão, fala alto, etc.Mulher que se abala facilmente, fica ofendidinha à toa.É como se eu não me encaixasse nas regras da sociedade, não faço parte da fábrica de robôs,eu me acho original.Há poucas pessoas como eu(não estou me gabando)que não agem como robozinhos nem têm a personalidade parecida um com os outros.Eu sou um sujeito bom caráter, mas possuo um sadismo(me excito quando alguém grita de dor ou apanha), uma personalidade dura e crítica, não tolero erros ou adiamentos, sempre tenho vontade de matar os outros e me alimentar da carne deles.Sou inteligente, mas sou movido pela preguiça muitas vezes, e isso impede de correr atrás do que é necessário.Me dou melhor com as mulheres, entendo mais a mente feminina, acho a mente masculina “decifrável”em excesso.Homem não possui segredos.

Disseram que o que eu paço me parece uma espécie de “provação”de Deus, mas eu não acho que seja isso.O Destino faz isso com a gente, e quer queira, quer não, temos nossa parcela de culpa por estar em tal situação.Pelo menos 50%.

Eu já deveria estar fazendo fono, a minha gagueira me incomoda desde os 4 anos de idade, quando sofri o acidente de carro.

Antes tinha pensado que os de classe B e A tinham culpa do que eu passo, mas não tem NADA a ver.Odiava os mauricinhos por isso…bem, continuo odiando, mas por causa do narcisismo deles.

Eu poderia dizer:”O dia em que eu passar da classe D(média-baixa)pra C(média)eu comemoro com fogos”?Não.

Não será uma coisa tão impressionante assim e…odeio fazer barulho demais.
——–
Tsc, tá faltando roupa, tô me alimentando pouco(65kg distribuidos em 1,85m), e não caio de cabeça na Igreja.O que tá me impedindo além da preguiça, cacete!

Acho que a minha maldita crise existencial vai deixar de ser postada aqui…ufs.
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Bom fim de semana.

Buerarema. Parte 2.

Antique Cafe.
É
Anteontem eu dormi na rua.Perdi tempo na internet numa lan house que tem por lá.E por quê cargas d’água eu ir numa lan sendo que eu acesso a net DE GRAÇA em uma rádio lá da Lapa?De vez em quando é bem melhor dizer:”você é o culpado por parte de sua derrota”do que colocar a culpa no Destino.Ele me atazana pelo menos 50% das vezes, mas agora eu que criei.Dormi na Emergência do posto de saúde da cidade.Sentado na cadeira, enquanto tinha o mesmo homem cheio de bugigangas sentado dormindo lá.E eu já tinha visto ele da outra vez.Como é que ninguém deu um jeito de colocar um cara num abrigo(só possui um em Nilópolis).
Antes tinha gastado parte da grana em 2 x-tudo e ao amanhecer fui pro município de Seropédica fazer não sei o quê…e o corpo tava pedindo pra tomar um banho.

Vamos continuar a história de Buerarema, que ocorreu em 1997;
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Eu estava na cadeiazinha da cidade a mando da promotora, porque ela queria me instalar em um local até arrumar minha passagem pro Rio.Ela chegou a este extremo.Seria melhor se ela me transferisse pra Itabuna(a cidade onde eu estava antes, bem maior e mais preparada para estes casos), mas não.Não deveria agir assim.Ela chegou com uma outra funcionária do Juizado de Menores, com um pacote de biscoito recheado e um gibi grosso do Pato Donald.Ei, eu gosto do Pato Donald, ele é a única coisa que presta da Disney.
Daí, eu saí fora da cadeia, fui levado de carro até o abrigo dos idosos, há somente 300 metros da cadeia.Este abrigo era como uma casa comum, tinha um quintal enorme, perto duma estrada que dava numa floresta. E fiquei lá.
Eu me lembro de ter permanecido pelo menos 2 meses naquele lugar.Arrumei treta com alguns velhos(um querendo me matar e tudo mais)e queria namorar com uma menina que sempre ia lá, que tinha um bafo insuportável(isso eu só percebi depois).Aliás, parece que muita gente bonita é bafuda, não é de hoje.Quando o tal velho(o nome dele era “Seu Moura”)queria correr atrás de mim pra me matar(tava munido de daca)eu corria e ria pra caramba.Hoje não consigo ser desse jeito, era meio moleque naqueles tempos.E era chorão, como eu disse em outros posts.
Um dia eu fui com um colega pegar cacau.Eu adorava cacau, era muito bom.E não tava ném aí se dava pra fazer chocolate, comia até os “de vez”.Recebi um chamado de alguém.Era a polícia.
Daí, eu disse que não tinha feito nada de mal, os caras me colocaram no carro.A partir do momento que um policial disse:”ele vai pra cadeia, ué”, temi.Muito.
Fomos.Voltei, mas fiquei em outra cela.Esta escura, maior e suja demais.Dormi, mas fui acordado pelo som da fechadura da grade sendo aberta.Era um adolescente que tinha entrado na cela.Voltei a dormir.Dia seguinte, ele não estava mais lá.Como antes, fiz amizade com o pessoal.O estuprador ainda estava lá, e os moleques que faziam palhaçadas também.E eu voltei a fazer os barulhos estranhos imitando um bebê chorando, baixinho e de forma tosca.Foi uma das coisas mais ridículas que já fiz, e nem sei porque fiz.
Daí, eu experimentei caruru(uma comida típica da Bahia)e tive medo de tomar banho, porque no banheiro as baratas apareciam em cima do chuveiro.E tinha medo que, enquanto tomava banho, elas caissem em cima de mim.Normal.Por falta de banho por uns dias, acordei com dois carrapatos nas minhas partes íntimas: um na superfície externa do meu pênis(claro que na externa, idiota)e um perto do saco.Obviamente tirei os dois.Nojo total.Nunca tinha acontecido antes.Aaaargh!!!!Aposto que as pessoas que lêem o blog irão pensar diferente de mim, por eu ter dito isto.Ou não?
Daí, fiquei alguns dias lá.Observei os policiais trazendo mais gente, um cara que subitamente levou um tapão nas costas e foi mandado a entrar na cela.Um dos policiais me olhou e falou: “esse aí veio do inferno pra atazanar de novo”.
Alguns dias depois eu saí da cadeia.E não tomei banho.

Invés de eu retornar pro abrigo, eu fui para uma construção de madeira, perto da casa de uma moça.Não tinha banheiro, nem sala, nem porra nenhuma.Fiquei dormindo lá por uns dias, à mando da promotora.Ficava em frente à Igreja Católica.Um grupo de jovens foi fazer Catecismo lá, não sei porque, quem mandou, etc.Não falei nada, dei uma volta.Conheci uma família que morava em frente ao abrigo de idosos.Eles resolveram me hospedar por uns dias.Eles eram evangélicos.Fui num culto da igreja deles e fui convidado a “aceitar jesus”.Não fui e todo mundo ficou me olhando.Era numa igreja daquelas feitas numa garagem(parecia, hehehe), em que só os famliiares e amigos do pastor são membros.Depois acabou a luz, enuanto estávamos indo pra casa.Observamos dois homens que passaram pela gente e há alguns metros depois sumiram na escuridão.E dá-lhe “sangue de Jesus tem poder” pra lá e pra cá.
Dia seguinte eu saí do abrigo, de tanto que eu falava em “demônios”, e questionando a palavra de Deus.E eu só faço isso quando estou beeem puto.Ouvi do homem que me acolheu que “a promotora não gosta de você, ela só quer te ferrar, te fazer sofrer”.Era mesmo.
Eu decidi ir embora da cidade.Ela realmente não tinha o que fazer comigo, o fato dela me mandar pra cadeia duas vezes significava que ela queria me prejudicar, apesar de eu não fazer nada contra ela.E eu queria retornar pro Rio.Eu ganhei uma grana da família que me ajudou e peguei um ônibus para Camacâ, outra cidade do Sul da Bahia, descendo até o Espírito Santo.Da janela do ônibus, vi a placa da cidade e pensei:”Ainda bem que eu saí dessa porra de cidade”.É.
Numa parada do ônibus, o motorista me olhou.Ele sabia que Camacâ tinha passado, eu tinha comprado a passagem pra ir até lá, mas ou ele não lembrou ou ele deixou passar.

Fui pra cidade de Canavieiras.

Buerarema: Parte 1

Hum…

Brasil perdeu a Copa.
Eu não vou discutir sobre isso no meu blog.
Perdeu merecidamente….putz, eu tinha dito que não iria discutir.
Tá, calei.

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No ano de 97 foi minha primeira incursão à estados do Nordeste do país.Desde pequeno eu fiquei na rua, fugi de casa “n”vezes pelo motivo mais clichê possível em relação à vida em família(como por exemplo, eu apanhar dentro de casa pela mãe ou pai, daí…).Não poderia dizer que eu era covarde e não lutava, impossível quando se é pequeno e não ter “voz”pra discutir com os pais.Eu respondia à aquilo tudo fugindo de casa, com medo de apanhar, de tomar surras como a do meu pai, em que ele apontou a espingarda dele pra mim, completamente enbriagado.
Agora é passado, mas vou relembrar uma passagem da minha vida na Bahia, em 97, quando estive na cidadezinha de Buerarema.

Eu passei um bom tempo indo de cidade em cidade.Tinha passado pelo Espírito Santo, ficado num abrigo em Vitória dando nome errado(Marcos), para não descobrirem de onde eu era e não quererem me levar pro Rio, pois isso já aconteceu diversas vezes.E eu ficava puto por ter que voltar ao Rio novamente, não gostava daqui, não queria rever desafetos, enfim…fui.Quando saí do Espírito Santo e fui à Bahia, eu cheguei na cidade de Ilhéus, sul do estado, à noite.Fui intimidado pelo policial da rodoviária, que queria saber onde eu morava.Chorei.Naquele tempo eu era emotivo demais, beeem diferente de hoje em dia.Disse tudo, aos prantos.Pensei que ele iria fazer alguma coisa, não fez nada.Andei pela cidade à noite, e dormi na rua.De dia, arrumei um abrigo, onde fiquei uns dias.Experimentei um refrigerante chamado Tubaína, de sabor bem diferente dos refrigerantes da Região Sudeste(e daí?).Pelo que me lembro era 50 centavos.Hhehehe.Enquanto fiquei neste abrigo, queria ir à Salvador, conversei aos conselheiros tutelares se poderiam me mandar pra lá.Mentia dizendo que era de lá, mas não fazia um esforcinho no sotaque.Demoraram e eu já estava de picuinha com os outros abrigados.Saí e fui pra cidade vizinha, Itabuna.Pior.Fiquei num abrigo cristão, onde a distribuição de alimentos era rigorosamente controlada.Os moleques eram abusados, gostavam de implicar com qualquer pessoa.Eu fui alvo disto.Disse: “se eu não fosse crente, eu te meteria a porrada”.Eu nunca fui evangélico de verdade.Até hoje eu luto por isso.Um dos pastores tinha um prazer doentio de surrar seus filhos, ele demorava muito pra acabar de bater no filho dele.Daí, todo mundo era obrigado a orar, agradecer a Deus pelo alimento, todo mundo com roupas sujas, quase que em trapos.O quarto era grande, mas com as telhas aparecendo, algo meio que parecido com um estábulo.Quando era pra pegar galinhas para fazer a refeição, eu pegava-as pelo rabo(hahahha).Tinha medo de ser arranhado ou bicado.O pessoal orava e eu ficava em cima da árvore de jambo(uma fruta nativa).Certo dia fui duramente repreendido, um dos pastores que mal ficava lá tinha me dado cintadas pelo meu comportamento.Eu queria brigar com os que implicavam comigo.”Eu sou pacifista!”, disse, nestas palavras.Eu nem sei se darei surras em minha filha se ela pisar na bola comigo.Fica difícil.Eu tentei ir embora uma vez.O abrigo ficava próximo a uma estrada que levava à rodovia em direção à Salvador.Passava por uma porrada de cidades.Um dia eu fui e parei no posto da Polícia Rodoviária Federal.Erro.O cara me levou de volta pro abrigo.
Fiquei mais um tempo, depois fui embora de vez.Naquele tempo eu não tinha a malícia, nem a esperteza que tenho hoje.Tivesse o amadurecimento que tenho hoje, talvez já teria concluído o 1ºgrau, mas eu sou um cuzão, então…
Fui para outro abrigo.Mantinha um diário, naqueles tempos.E ficava feliz quando eu ia de um estado pra outro.Os adolescentes do abrigo onde fiquei(por 1 dia, apenas)tentaram ver ler meu diário, e leram.Uma menina e um menino, gay.Fui embora para outra cidade.
Depois de uma viagem de ônibus de 30 minutos, cheguei à cidadezinha de Buerarema.Era cidadezinha, mesmo.Pequena demais.E eu gostava de cidades pequenas, dá aquela sensação de “aconchego do lar”.Cheguei à noite, tentando arrumar carona para descer mais o estado.Fiquei num posto.Não tinha conseguido.Conversei com um funcionário do posto, que ficava falando do fenômeno “Chupacabras”o tempo todo.
– Ah, o cara no programa do Gugu falou que tem 2 chupacabras no cativeiro, e ele disse que iria mostrar!
Ele não deixou que eu tentasse arrumar carona lá.Dormi na rua, em Buerarema.
De manhã fui rapidamente no Juizado de Menores da cidade.Não tinha chegado ninguém.Um cara, da base de uns 40 e tantos anos, corpulento e pálido, disse que me levaria em “um lugar”.Fui com ele.No meu caminho, uma delegacia de polícia.Fiquei tenso e tentei sair fora, mas ele me pegou no braço e disse:”tem medo de polícia, porra?”
Pra falar a verdade, odeio eles.
Entramos, disse de onde vinha.Um funcionário da delegacia, mudo, surdo e desaforado, estava de implicância.Daí, fui levado ao Juizado novamente.Falei com a promotora, uma mulher de cabelos negros, curtos, mais ou menos 40 e tantos anos.Ela disse que: já que a cidade não dispunha de abrigos ou algo do tipo, preferiram me levar à cadeia!Eu relutei em ir e chorei, muito.Ela falou que não tinha outro jeito.
Naquela época eu era bem mais inocente, bem mais medroso e estúpido do que sou hoje.Não sabia dos meus direitos, por isso não lutava por eles.Era bem mais dependende do que hoje.Eu nunca tinha ido pra cadeia antes, e imaginava que eu iria passar horrores lá dentro.
Chegamos, o presídio era beeeeeem pequeno.Todo mundo da rua me olhando.Ainda não sei o porque as pessoas são curiosas, o porque que gostam de saber da vida alheia.Nunca fariam algo mais do que comentar o fato e sobre a pessoa, e nada mais.Elas são previsíveis, limitadas.
Não fui algemado nem nada, mas fui pra cadeia.
Sorte que só tinha eu na cela.A promotora me disse que eu ficaria lá por uns dias até resolver o que fazer comigo.Tinha chorado demais.Me trancaram.Era uma cela pequenininha,pintada de azul, cama de concreto, vaso idem e o chuveiro só era um canozinho de PVC curvado para baixo.Os outros presos me pareciam legais.Independente deles estarem na prisão, tinham um comportamento de gente normal, pelo menos os presos de Buerarema.Eram apenas 4 celas, em cada lado do único pátio que tinha lá.Acima do pátio, o céu.Eu não enlouqueci nem me tornei mais violento, fiquei na minha, como se ficasse de castigo.E compus uma música em homenagem a um personagem de desenho.E eu fazia barulhos esquisitos, não sei porque fazia.Dormi muito.Nas outras celas, tinha um estuprador gente fina(ele disse que estuprou uma surda/muda, mas ela conseguiu denunciar ele do mesmo jeito), ladrões mais jovens que eu que viviam esformeados(arrotavam e simulavam vômito na hora do almoço, só de zoação)e um assassino que me contou ter passado 5 natais lá dentro.E dá-lhe relatos de sexo(“o cara comeu o cu da mulher na cela, gozou na bunda dela”e etc.)e outras coisas que não me esqueço até hoje.
Hhahaha.Pelo menos a cadeia de Buerarema não era igual a das grandes cidades.Tive essa sorte.
Uns dias depois recebi a visita da promotora e equipe.Ela tinha me dito que eu seria transferido para um abrigo de idosos, há 300 metros dali.Melhor.

Nessa época eu nem pensei em processá-la.

Continua.