Buerarema. Parte 2.

Antique Cafe.
É
Anteontem eu dormi na rua.Perdi tempo na internet numa lan house que tem por lá.E por quê cargas d’água eu ir numa lan sendo que eu acesso a net DE GRAÇA em uma rádio lá da Lapa?De vez em quando é bem melhor dizer:”você é o culpado por parte de sua derrota”do que colocar a culpa no Destino.Ele me atazana pelo menos 50% das vezes, mas agora eu que criei.Dormi na Emergência do posto de saúde da cidade.Sentado na cadeira, enquanto tinha o mesmo homem cheio de bugigangas sentado dormindo lá.E eu já tinha visto ele da outra vez.Como é que ninguém deu um jeito de colocar um cara num abrigo(só possui um em Nilópolis).
Antes tinha gastado parte da grana em 2 x-tudo e ao amanhecer fui pro município de Seropédica fazer não sei o quê…e o corpo tava pedindo pra tomar um banho.

Vamos continuar a história de Buerarema, que ocorreu em 1997;
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Eu estava na cadeiazinha da cidade a mando da promotora, porque ela queria me instalar em um local até arrumar minha passagem pro Rio.Ela chegou a este extremo.Seria melhor se ela me transferisse pra Itabuna(a cidade onde eu estava antes, bem maior e mais preparada para estes casos), mas não.Não deveria agir assim.Ela chegou com uma outra funcionária do Juizado de Menores, com um pacote de biscoito recheado e um gibi grosso do Pato Donald.Ei, eu gosto do Pato Donald, ele é a única coisa que presta da Disney.
Daí, eu saí fora da cadeia, fui levado de carro até o abrigo dos idosos, há somente 300 metros da cadeia.Este abrigo era como uma casa comum, tinha um quintal enorme, perto duma estrada que dava numa floresta. E fiquei lá.
Eu me lembro de ter permanecido pelo menos 2 meses naquele lugar.Arrumei treta com alguns velhos(um querendo me matar e tudo mais)e queria namorar com uma menina que sempre ia lá, que tinha um bafo insuportável(isso eu só percebi depois).Aliás, parece que muita gente bonita é bafuda, não é de hoje.Quando o tal velho(o nome dele era “Seu Moura”)queria correr atrás de mim pra me matar(tava munido de daca)eu corria e ria pra caramba.Hoje não consigo ser desse jeito, era meio moleque naqueles tempos.E era chorão, como eu disse em outros posts.
Um dia eu fui com um colega pegar cacau.Eu adorava cacau, era muito bom.E não tava ném aí se dava pra fazer chocolate, comia até os “de vez”.Recebi um chamado de alguém.Era a polícia.
Daí, eu disse que não tinha feito nada de mal, os caras me colocaram no carro.A partir do momento que um policial disse:”ele vai pra cadeia, ué”, temi.Muito.
Fomos.Voltei, mas fiquei em outra cela.Esta escura, maior e suja demais.Dormi, mas fui acordado pelo som da fechadura da grade sendo aberta.Era um adolescente que tinha entrado na cela.Voltei a dormir.Dia seguinte, ele não estava mais lá.Como antes, fiz amizade com o pessoal.O estuprador ainda estava lá, e os moleques que faziam palhaçadas também.E eu voltei a fazer os barulhos estranhos imitando um bebê chorando, baixinho e de forma tosca.Foi uma das coisas mais ridículas que já fiz, e nem sei porque fiz.
Daí, eu experimentei caruru(uma comida típica da Bahia)e tive medo de tomar banho, porque no banheiro as baratas apareciam em cima do chuveiro.E tinha medo que, enquanto tomava banho, elas caissem em cima de mim.Normal.Por falta de banho por uns dias, acordei com dois carrapatos nas minhas partes íntimas: um na superfície externa do meu pênis(claro que na externa, idiota)e um perto do saco.Obviamente tirei os dois.Nojo total.Nunca tinha acontecido antes.Aaaargh!!!!Aposto que as pessoas que lêem o blog irão pensar diferente de mim, por eu ter dito isto.Ou não?
Daí, fiquei alguns dias lá.Observei os policiais trazendo mais gente, um cara que subitamente levou um tapão nas costas e foi mandado a entrar na cela.Um dos policiais me olhou e falou: “esse aí veio do inferno pra atazanar de novo”.
Alguns dias depois eu saí da cadeia.E não tomei banho.

Invés de eu retornar pro abrigo, eu fui para uma construção de madeira, perto da casa de uma moça.Não tinha banheiro, nem sala, nem porra nenhuma.Fiquei dormindo lá por uns dias, à mando da promotora.Ficava em frente à Igreja Católica.Um grupo de jovens foi fazer Catecismo lá, não sei porque, quem mandou, etc.Não falei nada, dei uma volta.Conheci uma família que morava em frente ao abrigo de idosos.Eles resolveram me hospedar por uns dias.Eles eram evangélicos.Fui num culto da igreja deles e fui convidado a “aceitar jesus”.Não fui e todo mundo ficou me olhando.Era numa igreja daquelas feitas numa garagem(parecia, hehehe), em que só os famliiares e amigos do pastor são membros.Depois acabou a luz, enuanto estávamos indo pra casa.Observamos dois homens que passaram pela gente e há alguns metros depois sumiram na escuridão.E dá-lhe “sangue de Jesus tem poder” pra lá e pra cá.
Dia seguinte eu saí do abrigo, de tanto que eu falava em “demônios”, e questionando a palavra de Deus.E eu só faço isso quando estou beeem puto.Ouvi do homem que me acolheu que “a promotora não gosta de você, ela só quer te ferrar, te fazer sofrer”.Era mesmo.
Eu decidi ir embora da cidade.Ela realmente não tinha o que fazer comigo, o fato dela me mandar pra cadeia duas vezes significava que ela queria me prejudicar, apesar de eu não fazer nada contra ela.E eu queria retornar pro Rio.Eu ganhei uma grana da família que me ajudou e peguei um ônibus para Camacâ, outra cidade do Sul da Bahia, descendo até o Espírito Santo.Da janela do ônibus, vi a placa da cidade e pensei:”Ainda bem que eu saí dessa porra de cidade”.É.
Numa parada do ônibus, o motorista me olhou.Ele sabia que Camacâ tinha passado, eu tinha comprado a passagem pra ir até lá, mas ou ele não lembrou ou ele deixou passar.

Fui pra cidade de Canavieiras.

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3 comentários sobre “Buerarema. Parte 2.

  1. Peck disse:

    Não, David, é assim, no meu blog eu escrevo pra mim, entende? então eu não faço questão das pessoas lerem ele, e geralmente eu escrevo em surtos, quando eu to muito puto, eu vou la e começo a escrever, então eu exagero bastante coisa. hehe

  2. mariani disse:

    oi querido.lendo suas historias, lembrei de muitas minhas… dormi mil vezes na ua, esperando os malditos onibus que nunca chegava hahaha a noite toda, que boring!mas estamos vivos, e bem vivosbeijos!

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