O meu problema.


Eu sou um sujeito que vive dizendo que :”Ainda bem que eu não descambei pro mundo das drogas, da bebida e do escambau à quatro”.Eu poderia dizer que eu não tenho mente pra fazer isso, sei bem o que é certo e o que é errado.Mas todo mundo sabe o que é certo e o que é errado e mesmo assim faz besteira.
Ah, é mesmo.Esqueceu?Lembre-se.
Eu não me vanglorio pra lá e pra cá.Mesmo não fazendo isso, tenho problemas, não sou melhor nem pior que os outros.Se eu fosse melhor eu não estaria na vida em que vivo.”mas melhor de personalidade”, você diz.Melhor?Sendo um cara extremamente chato, que se aborrece facilmente, insensível e dependente dos outros…as únicas coisas decentes na minha personalidade são o meu bom caráter, obediência, dedicação aos amigos e sinceridade.É, só isso.

“só isso?Tu acha que é só isso?Há muita gente que não tem estas qualidades.Creio que você esqueceu algumas, mas estas ficam no meio termo”.
Quais são?
“Tu és uma pessoa muito observadora”.
Tem razão.
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Cada vez mais que eu ando pelo Centro da cidade me acho um estranho no ninho.Nem quando eu estava trabalhando conseguia aturar aquela enxurrada de almas andando pra lá e pra cá.Almas ricas e almas pobres, mas na verdade são todas iguais.Suas mentes.O que muda só é o nome e o rosto.As pessoas me saem como livros abertos, totalmente sem segredos.Isso que eu andei analisando.Hoje eu não dei uma dentro.Magoei uma pessoa que poderia me ajudar.Visivelmente chateada, eu disse:”Você ficou chateada, né?Eu entendo”.E ela não me disse nada a não ser querer me colocar pra fora do Conselho Tutelar da Zona Sul.Eu tinha ido lá para encontrar alguns conhecidos, que pudessem me fortalecer(?)uma grana.

Eu me acho um coitado por vários motivos.Pela minha dependência.Acho isso importante até um ponto.Quando se acostuma é um vício, e o que ele te beneficia se evapora alguns instantes depois.Seja a dependência de grana, seja de amor, seja dos outros…é sempre a mesma coisa.Eu tenho deixado de lutar pela minha independência…vivo dizendo pra deixar as coisas “pra amanhã”.E esse amanhã nunca chega.Acho segunda um excelente dia para colocar a mão na massa, mas parece que me digno a ficar na mesma situação horrível de sempre.

A minha gagueira não é deficiência, então não tem como conseguir Rio Card(Vale Transporte Eletrtônico) assim tão facilmente.Mudou a direção da Fundação Leão XIII(onde eu moro) e demitiram to-das as assistentes sociais.Já estava começando a ficar colega da Selma(a que me atendia).A empresa que saiu, a Prosol, era tachada de “ladrões” pelos próprios internos do abrigo.Não por mim.E tome rabiscos dizendo:”Prosol mensalões!”na porta de entrada da Administração.Ninguém descobriu quem foi.

Amanhã eu vou me encontrar com uns amigos no Shopping Tijuca, espairecer mais do que espaireci.É uma coisa que tá acontecendo sempre ultimamente.Espairecer.A minha camisa polo azul-bebê(olha só)se sujou só da minha mochila encostar nela.Toda vez que olho pra minha mochila eu penso num mendigo.Tá tão suja como tal.Hora duma lavada.

Quando eu era criança eu lia livros, agora só leio jornais e revistas.Turma da Mônica não existe pra mim.
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Continuando a história de Buerarema Parte 2:

Eu havia chegado numa cidade do Sul da Bahia chamada Canavieiras.Era uma cidade próxima ao mar, sol e etc.Não tinha sol na hora em que cheguei, estava de noite.Provavelmente era uma terça ou quinta, porque os cultos das igrejas evangélicas são majoritamente estas dias.E eu sei que não era domingo.Eu tinha um pouco de grana, e burro como sou, fui gastar tudo numa daquelas lojas de games, em que se paga pra jogar alguma coisa.Super Nintendo, Mortal Kombat 3.Me lembro até hoje.Perdi para um molequinho sem camisa que apareceu lá.E fiquei até acabar o expediente.Eu não sabia o que fazer e a dona da loja ficou olhando pra mim, e eu parado na rua, fiquei sem saber o que fazer.
Tinham dois policiais.Contei minha situação à eles.Eles me levaram à delegacia, mas na viatura um deles ficou reclamando, pelo menos umas 3 vezes, que eu tinha um cheiro ruim igual de “macaco”.Eu estava fedendo, mesmo.Não tinha tomado banho naquele dia.Fedor, fedor.Tá.Me levaram lá e revistaram minha mochila.Nenhuma coisa ilícita, claaaro.Me deixaram ir, mas saquei que tinha algo faltando.Minha caneta, que eles roubaram.Porcos.
Daí, eu fiquei andando pra lá e pra cá, até que cheguei no centro da cidade e fui numa igreja evangélica.O culto tinha terminado.Conversei com o pastor(negão fortão bigodudo), e um monte de crianças da igreja ficaram me olhando enquanto eu falava.Todas ajuntadinhas, parecendo que esperavam um prato de comida.Ele me levou pra casa da família dele.Me deu ostras pra comer.Eu nunca tinha comido ostra antes, mas era o que tinha.E ele ficou conversando comigo, não tendo modos pra comer(de boca aberta, zóio arregalado), hahaha.Ele me levou pruma pousada.Dormi lá.
De manhã ele me levou para um abrigo da igreja Católica situado no centro da cidade.Fui recepcionado por uma madre.

Foi lá que teve o princípio da encheção de saco.

Continua.

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3 comentários sobre “O meu problema.

  1. Fernanda disse:

    Também não acho que bom caráter, obêdiência, dedicação aos amigos e sinceridade seja só isso…Mas as pessoas confundem muito uma pessoa boa com uma pessoa boba…

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