Continuando minha história:

Não acreditava que na década de 80 eu poderia estar totalmente lúcido.Talvez sim, mas minha mentalidade de criança não permitia que eu fizesse as mais variadas coisas.Perdia muitas oportunidades(era apenas o começo das várias perdas).Odiava algumas músicas, sempre apanhava em casa e ficava muito puto ao ficar presenciando minha mãe trazer homens pra casa dela para transar.Eu não tinha nada a ver com isso, mas ela estava se comportando como uma prostituta.E ela não tinha uma amizade estreita com estes homens.A maioria eram traficantes da favela.Provavelmente eles prestariam algum favor para ela, e ela retribuía com noites de sexo.Uns dias atrás a minha mãe estava fora e eu estava dormindo.Acordei quando vi umas pessoas que nunca tinha visto na vida entrarem na minha casa.Acho que eram amigas da minha mãe.Um traficante que eu já conhecia e que tinha dormido com a minha mãe apareceu com uma garota lá.E ele queria bimbar ela lá dentro de casa, mesmo.Eu ficava quieto na minha, sem falar ela.Ela vivia falando pra querer ir embora, então eles foram.No beco de onde eu morava tinham dois cachorros.Me lembro de um chamado Pinguim(porque ele era preto e branco), o outro era de cor bege.O beco era estreito no começo, mas se alargava no final, tinha uma distância de uns 100 ou 150 metros, o final dele dava numa casa em uma colina, eu ia lá conversar com a moça que morava lá, eu a chamava de “vó”.Tive diversas “avós”na minha vida, hoje eu não entro em contato com nenhuma delas.

E naquele tempo eu fugia muito de casa.Começava os estudos, depois parava porque eu ficava na rua.Fugia de casa, ia pra casa do meu pai, e quando fugia de lá, ia pra casa da minha mãe.Depois, ela arrumou um cara, onde ficou uns anos com ele.O nome dele era Silvano.Ele era gente boa, não era bandido.Passou a morar com a minha mãe.Quando eu ia pra escola de tarde, eles transavam, e ela falava isso pra mim.Me deixava muito puto, porque eu tinha um ciúme doentio da minha mãe com outra pessoa a não ser meu pai.Aliás, até hoje eu tenho, mas não vejo ela há uns 3 anos.O nome da escola que eu estudava se chamava Paula Brito, do outro lado da favela, na localidade da Rua 1.Eu nunca fiz amigos naquela escola.Quando estudava na Golda Meir, quando estava com meu pai, cheguei a ficar amigo de uma lourinha, tanto que fui na casa dela, que permanecia num condomínio da Barra da Tijuca chamado Terrazas(ele ainda está lá), onde meu pai trabalhava como bombeiro e eletrecista.Quando eu morava com meu pai, ficava lá até a hora do colégio.Eu era chorão demais, um dia apanhei de um gordinho que morava lá, e eu sempre tive rusgas com ele.Tomei um soco na barriga.Os funcionários do condomínio implicavam comigo, meu pai não fazia porra nenhuma, apesar dele ser aparentemente mais forte que eles.Achou que eu levava na esportiva ou que implicâncias como aquela não seriam nada.

Quando era criança eu tinha uma dificuldade tremenda de aprender Matemática, muito mais do que agora.Esse problema ficou até 1995.O Silvano me ajudava nas questões, minha mãe ficava me dizendo que eu era burro, mas até hoje ela não sabe escrever direito(eu acho).Escrevia trocando o R pelo L, como o Cebolinha.Só por isso não deveria me corrigir.

As fugas de casa foram numerosas, e eu começei a ir para outras cidades do estado, como as da Região dos Lagos.

Eu me lembro que a minha primeira incursão foi lá, na cidade de Cabo Frio.Eu permaneci por uns meses em um abrigo para menores chamado CRIAM, pertinho da ponte branca que existe no Centro.Atualmente este abrigo comporta menores infratores, antigamente, não.E eu gostava de lá.Era misto, ainda me lembro de uma menina chamada Ana Grécia que era muito zoada pelo pessoal.Lá tinham cursos de serigrafia, e um que as pessoas aprendiam a fazer quadros na madeira.A minha maior vergonha foi que eu acabei mijando na coxa de uma educadora, que eu estava sentado.Eu era criança, não era de mijar na cama, acho que poucas vezes isso aconteceu na minha vida.Nós saíamos de Kombi para as Dunas de Cabo Frio(e pelo o que me disseram, elas estão se extinguindo), para Arraial do Cabo e Búzios(cidades vizinhas).Um dia tinha recebido uma ligação da minha mãe, me dizendo que iria me pegar e tudo mais, falou que iria me trazer bombons, eu nem queria voltar, realmente.O ônibus da viação 1001(a viação “padrão” da Região dos Lagos)passava lá em frente, e um colega ficava gritando, hehahahha.Fomos para a Praia do Forte, nos divertíamos muito.E eu ficava esperando a minha mãe aparecer lá.Quem apareceu foi o meu pai, o que me deixou surpreso.Pegamos o ônibus para Niterói e de Niterói para o Rio.A minha madrasta estava esperando em casa.

Alguns meses depois a convivência não estava boa(aliás, nunca esteve, famílias são assim), e eu fugi de casa para parar em um abrigo de Niterói chamado FEEM.

Mas isso eu falo outro dia.

Bom feriado.

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Um comentário sobre “

  1. Rodrigo disse:

    Caramba cara ,essa história é tocante mas infelizmente a maiorioa das familias são assim!!Essa história é real??Ouvi dizer que vc se inspirou em sua vida !!!!sério!?!?!

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