Continuando:

Após o roubo das chaves dos ônibus de uma empresa chamada CTC em Niterói, eu e os outros(incluindo o jovem que iniciou o furto) omos presos.Fomos jogados numa cela da delegacia.Me lembro que aquele dia estava chovendo muito, e se não estava chovendo, estava nublado.Praticamente eu não tinha participado dos furtos, eu apenas acompanhava.Mas claro que era cúmplice.Até hoje não sei o que o Betinho(o cara que furtou)iria fazer com as chaves.

Engraçado que o Gláucio ficou de fora dessa.Provavelmente ele caguetou todo mundo, claro que saiu ileso.
Eram várias celas bem pequenas, o corredor da cadeia era curto.Haviam 4 celas do mesmo lado, mais uma numa extremidade chegando ao fim do corredor, e outra na outra extremidade.As paredes eram azuis.Havia outros presos lá, inclusive um que vivia reclamando de falta de ar.A unica janela da cela era bem pequena.
Não estávamos realmente encarcerados, podíamos sair das celas, se quiséssemos, menos os outros que estavam presos antes, claro.E eu aturava muita implicância do Betinho e dos outros que acompanhavam o furto que colocou a gente lá.Um dia eu fui fazer um B.O(Boletim de Ocorrência).Acho que não era, eles só estavam escrevendo na máquina como eu era, de onde vim, etc.Daí, o cara confundiu meu nome, e colocou NEY, ao invés de David.Talvez ele tenha entendido, pelo meu modo de falar, era gago naquela época também(o acidente de carro que ocasionou a gagueira foi aos 4 anos de idade, eu disse isso antes), mas falava bem melhor que hoje em dia(ando piorando a cada ano).

Daí, me lembro que tinha permanecido alguns dias lá.As implicâncias estavam insuportáveis.Numa delas, o Betinho xingou minha mãe.Eu xinguei a ele, e ele não gostou.Veio tirar satisfação comigo(ele era mais velho e mais forte, eu tinha uns 7/8 anos de idade).Daí, ele me disse que se eu não lavasse as roupas dele, ele me enforcaria com o cobertor.Ele e o amiguinho dele.E eram muitas roupas.Cuecas sujas, cagadas, gozadas.Ele já estava com o cobertor na mão, eu clamei a Deus aquele momento.Deus resolveu não me ouvir(como sempre, aliás)e eu tive que lavar.

Me chamaram de bichinha.Quando eu revidava, tomava porrada. Sendo criança, apanhava muito na mão deles.

– Bate uma punheta aí pra mim – disse Betinho.

Eu bati, mas não quis, alguns segundos depois.Eu estava dominado, naquela situação.Ele bateu pra ele e gozou na parede.Os outros ficaram olhando.Aquela situação foi humilhante demais.Eu era uma criança, não tinha como dar porrada ou simplesmente matar ele.E eu queria fazer isso, porque nunca havia passado por tamanha humilhação como passei aquele dia, até hoje.Hoje em dia isso não me traumatiza, mas parece que eu nunca vou me esquecer.Como praticamente hoje eu não tenho nada a perder, mataria ele, se o encontrasse na rua.Seria preso, perderia o direito de adotar uma criança e tudo mais.Acabaria com minha vida, mais do que ela tá fodida.Decepcionaria minha “mãe”(minha ex-terapeuta Regina), meus verdadeiros amigos e meus parentes, como a minha tia.E naquela situação, os caras iriam me enforcar, mesmo.Eu não queria morrer naquele dia, com tão pouca idade.Por isso que eu cedi.Hoje em dia seria diferente.Cresci, estou forte, posso bater.Naquela época eu tinha 7 ou 8 anos de idade.Os caras eram adolescentes, na faixa dos 16, 17 anos.Maiores e mais fortes.Então a culpa não era minha, não tinha outra opção.

E tudo isso por causa de uma implicância.

Depois do ocorrido, fiquei na cela dormindo por uns 2 dias.Eu e os outros, em suas celas.Depois deste tempo, fomos para o gabinete do delegado, ele decidiu que iríamos para instituições lá no Rio.Os maiores para um abrigo de menores infratores.Como era ainda muito jovem, eu não fui.Provavelmente iria, se tivesse a idade deles.Fomos encaminhados ao Juizado de Menores de Niterói, e depois para um abrigo no bairro de Barreto, onde iríamos ficar alguns dias antes de ir para o Rio.Lá, o amigo do Betinho disse que iria falar pra todo mundo o que aconteceu lá dentro da cadeia.Eu falei que eu não tinha escolha.Ele me disse que o Betinho estava apenas “brincando”.Fiquei puto demais e pensando se eles realmente estavam zoando com a minha cara ou não.Fiquei sendo atormentado por esse pensamento diversos dias.Daí, eu tratei de arrumar confusão com uma menina do abrigo(era mais um CRIAM, este é em Niterói).Ela reclamou que eu havia mijado no banheiro feminino, mas nem tinha um cartaz ou algo do tipo que indicava.O engraçado foi o quão ela ficou puta com isso.Aconteceu na 1ªvez, e na 2ª, quando voltamos pra lá.Não foi nem por maldade minha, eu não sabia, mesmo.Depois dessa 2ª, saí na porrada com ela(ela tinha uns 17 anos, era alta, de cabelos pretos longos e franja).Chute pra lá e pra cá.
Depois eu e os outros que estavam na cadeia saímos do CRIAM pros abrigos do Rio numa Kombi.
O Betinho e os amigos dele foram para o Instituto Padre Severino, uma insitituição que até hoje abriga menores infratores.

E eu fui para a República das Crianças, na Tijuca.

Fiquei muito tempo lá.

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Um comentário sobre “

  1. sanoge oaroto (jonas torao) disse:

    caraca…poh maluco que dureza.bom pelo menos hoje em dia você melhor (pelo menos deve estar) tire seus pensamentos obscuros.bola pra frente, você mencionou ser gago… tente se curar disso. gagueira é puro colapso nervoso… se acalma treina a fala…bola frente.se precisar de um amigo fiel tens aqui um.se precisar de ajudar e se eu tiver como ajudar. pode saber que pode contar comigo.

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