Após a festa de Natal de 1992, saímos de Kombi para a Floresta da Tijuca e pra praia da Barra.O pessoal zoava muito e quando tinha muito calor, os moleques tomavam um banho de suor, enquanto estavam esperando para sair, dentro da Kombi.Naquela época eu não era tão magro, podia nadar na praia sem vergonha do meu corpo, e até paquerar algumas meninas (claro, que sem sucesso).

Em 1993, não mudou muita coisa.Só o fato de eu começar a estudar.Uma escola particular chamada Vivendo e Aprendendo, no bairro da Tijuca, na rua Martins Pena, onde atualmente é uma casa onde se trabalha em xerox, etc e tal.Eu e algumas crianças (Luana e Roberta) começamos a estudar naquele lugar, em forma de casa, com dois andares, telhado em forma de cone, e uma pequena quadra ao fundo.Lá estudavam crianças e pré-adolescentes.Tinham mais professoras que professores, uma servente, 1 supervisor e 2 diretores, casados até hoje (Cláudio e Maria Olímpia, a Cota).Eu sempre fui meio quieto até demais, tinha uma grande dificuldade com matemática, sempre quebrando a cara nos estudos.Os demais alunos eram meio desinteressados pra mim, a não ser uma menina chamada Fernanda.Ela era linda, mas o problema é que era arrogante demais, principalmente comigo.A professora se chamada Ana “não me lembro”, meio hippie, até.Num trabalho da escola, fiz questão de homenagear a Fernanda falando que ela era “linda”, “atraente”, não sei o quê, mas ela não deu bola.Enfim, eu era uma negação nas coisas do coração, até neste tempo.

No abrigo, começei a fazer histórias em quadrinhos.Certo que eu copiava de alguns personagens já inventados.E começei a emprestar meus desenhos para que as pessoas vissem, fora isso era referência de “inteligência” no abrigo.”O menino mais inteligente da casa”, etc.Assim como o Thiago era considerado o mais “bonito”, apesar de ser seboso e vesgo (hahahah).O pessoal sempre jogava futebol aos fins de semana na quadra.De vez em quando íamos de Kombi para as Paineiras, Cristo Redentor, etc…me lembro que quando eu fui lá, tinha medo de subir até lá em cima, próximo a estátua, porque estava ventando demais…e eu tinha medo de ser varrido pelo vento!Hhahahaha!

A Jeane vivia implicando comigo.Naquela época, quando mais pessoas vinham para o abrigo e não tinha cama suficiente, uns dormiam com os outros, sem maldades.E quando fui deixar que um menino dormisse comigo, ele chegou a MIJAR na cama, me molhando todo.Tinha muita gente valente, lá.Um que implicava muito, e esperava reação pra meter a porrada, outro que vivia colocando apelidos (o apelido “Formigão” pegou), muitos.
Rolava muita briga naquele lugar, e muitas vezes o educador não separava, só quando a porrada estava esquentando e partindo para o cansaço.Ocorriam muitos sumiços de dinheiro, e com isso os educadores e cozinheiras faziam uma “chantagem”: se não aparecesse até certa hora, todo mundo ficaria sem janta.

República das Crianças;


Bem, era o mês de outubro do ano de 1992.

Eu não tinha mudado, nem tinha me arrependido por ter fugido de casa, ficado uns tempos em outras cidades, me ferrado, tendo que furtar uma MANGA em Petrópolis e ser pego, entre outras coisas.Daí, acontece aquele episódio em que eu estava na prisão porque era cúmplice de um furto de um molho de chaves dos ônibus da viação CTC, a antiga CTC de Niterói.

Então, eu fui transferido para uma instituição do Rio, no bairro da Tijuca chamado República das Crianças.E era um lugar legal, até melhor que o CRIAM de Cabo Frio.E o de Cabo Frio era melhor que o de Nilópolis.
Então, o lugar se situava na rua Dezembargador Isidro, número 48.Ainda está lá até hoje, mas recentemente o abrigo terminou e virou uma instisuição que cuida dos assuntos da comunidade que mora lá perto(acho que é isso).
Tinham muitas crianças.Lá embaixo, passando pelo corredor que tinha alguns quartos e banheiro, terminando numa oficina, tinha o campo de futebol, na época, com o chão cheio de barro, e ao fundo tinha um limoeiro.À sua direita, um prédio, à sua esquerda, a pracinha em que passava pela rua Abelardo “Chacrinha” Barbosa.Quando se adentrava no abrigo, tinha uma recepção, onde ficava o guarda, à direita uma porta que levava ao refeitório(onde na época, ficava a tv) e seguindo a frente da recepção, subia numa escada em espiral que dava na Administração.A chefa na época era a Maria Regina(que hoje eu nem tenho notícias).A Tereza era a supervisora(a que eu ando falando até hoje).Os cupinchas eram os educadores, que tomavam conta e ficavam a maior parte do tempo com as crianças.Entre eles havia a Ana Paula, a que não gostava de mim(e nem eu dela) e a Ana Cláudia, uma lourinha.Havia a Celes, uma pessoa muito da sensata, a Sheila, que ensinava capoeira, etc.Tinham mais mulheres do que homens, como educadores.Quem estavam na Recepção eram policiais.Tinha o Tavares(um gordinho) e o Moraes, um bigodudo, parecidíssimo com o meu pai.Ainda tinha o Da Silva, um negão magrelo e alto.Até hoje ele é policial, vi ele no TRE da Tijuca há poucos meses.

Naquele tempo o Rio era governado pelo Marcello Alencar, notório político