Os meus primeiros dias, minhas primeiras semanas no abrigo foram mais ou menos, pelo que me lembro.O abrigo tinham vários educadores homens e mulheres.Alguns adolescentes e diversas crianças.As meninas dormiam no mesmo quarto que os meninos.E eram num total de 6 quartos.Eu dormia no último, junto com uma menina chamada Jeane, que passou a implicar comigo quase todos os dias.Ela era maior e mais velha que eu, por isso eu não poderia vencê-la numa briga.

Alguns dias, eu fugi.Fiquei rondando pela Tijuca, depois eu fui levado de volta.Meu aniversário tinha passado e não tinha acontecido nada neste dia, eu era novato e meu aniversário não foi comemorado, claro.Tinham muitas crianças abusadas, implicavam comigo até na hora de acordar.Tinha uma Kombi lá e fim de semana os educadores levavam a gente pra passear, na Floresta da Tijuca, Quinta da Boa Vista, praia da Barra da Tijuca, etc.Zoávamos muito.

Com a aproximação do Natal, as pessoas estavam se preparando para fazer uma festa, que iria ter a presença do então governador do estado, Marcelo Allencar.Próximo ao quarto 6, tinha uma sala que era usada como oficina de cursos profisionalizantes, a maioria dos menores costumavam não fazer nada, poucos estavam estudando, a República das Crianças ainda estava em seus primeiros meses.Rolavam brigas demais.Eu começei a subir em cima do telhado para ficar sem fazer nada.Escapava das tarefas, nem arrumava meu quarto.A educadora Ana Paula não ia com a minha cara, aliás, era mútuo.Começei a ir a praia…nós passávamos de Kombi pelo antigo trabalho do meu pai, o condomínio Terrazas, e eu sempre ficava olhando…ia muito pra praia.
Me lembro que nessa época eu era fantasioso demais, não era sonhador, mas fantasiava muito.Colocava minha criatividade ao máximo.Odiava sábados, sem nada pra fazer, ficava sempre em cima do telhado.

O educador que eu não me lembro o nome(o sobrenome dele era Bittencourt) me colocou um apelido, quando estávamos na Faxina Geral, que sempre tinha fim de semana sim, fim de semana, não: Formigão.

Isso era porque eu tinha a cabeça grande.Hoje em dia não me chamam mais por apelidos, a não ser que queiram arrumar problemas comigo(me aborreço facilmente, mas estou mais desencanado que antigamente, quando eu quase sempre andava aborrecido).Daí, o apelido pegou.Ficaram me chamando de Formigão por um bom tempo…todo mundo chamando pelo apelido, com um tremendo egoísmo em seus corações.É aquela mesma coisa da pessoa implicar com a outra, e sem pensar no que ela sente.Aliás, se implicar e saber o que ela sente, é imbecil demais.Quando você fala pra pessoa porque ela está implicando com a outra, ela fala:”É apenas uma brincadeirinha”.Se a pessoa implicada, de tão puta, poderia ferí-la, a pessoa que implicou(ferida) poderia ficar impressionada e falado:”Eu não pensei que poderia chegar a esse ponto”.

Babaquice fazer as coisas sem pensar…até porque não é todo mundo que aturará de bom grado.

Nem todos têm o mesmo jeito de ser e a mesma paciência.

E eu me aborrecia com isso, mas não cheguei a meter porrada em ninguém por causa disso.Tinham várias pessoas com apelidos, lá.O Bocão(que realmente tinha uma boca enorme, e quando chorava todo mundo ria porque ele escancarava a bocarra), o Índio, etc.O abrigo tinha uma família de irmãos, chamada Família Gomes.Fábio(o do meio, que acabou se tornando meu amigo), Tiago(o mais novo, mais abusado) e Leandro(o mais velho).O Tiago levemente estava se tornando estrábico(caolho, vesgo), era namorador, e era muito, muito chato.Briguei com ele várias vezes.Numa vez, quando a gente tava saindo na porrada no quarto(e eu estava ganhando), o Leandro se intrometeu e me bateu junto com ele.Apanhei, claro.O Leandro era o mais maduro, e foi o que trabalhou primeiro.O Fábio se tornou meu amigo porque ele gostava das mesmas coisas do que eu.
Na festa de Natal, eles encheram a quadra de mesas, enfeites, etc.Começaram a vir gente.Todos os educadores, supervisão e direção estavam reunidos.Os convidados vinham, da prefeitura do Rio, e eu estava em cima do telhado.Eu não gostava de tomar banho várias vezes ao dia, pelo menos naquela época.A educadora Celes me chamou lá de baixo, e eu desci.Tomei um banho e me arrumei.Me lembro que eles estavam ensaiando uma música para todos verem, um palanque foi construído na quadra para apresentações de capoeira(professora Sheila).

Aconteceu a festa.Comi e bebi, e vi chegando novos internos.O governador veio…

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