Hum.

Passei o Natal na casa da minha tia, em Guadalupe.Faz um tempo que eu não passei por lá (a última vez foi no Reveillón do ano passado).Aliás, só estou comparecendo lá nestes dias de festa.
Soube que a facção criminosa Comando Vermelho (CV) tinha sido expulsa pela mílícia chamada “mineira”, um tipo de organização feita por ex-policiais, policiais e bombeiros que “comandam” a comunidade.É uma das coisas que mais cresce nas favelas do Rio.Eles cobram uma taxa de “proteção” que varia de 10 a 15 reais, por domicílio.Alguns pagam por tv à cabo (ou melhor, “gatoNet”), e gás, dos milicianos.Quem não paga por proteção é ameaçado, torturado e até morto.Não sei porque, mas eu era meio que simpatizante dos traficantes (não, eu não falava com eles, ou algo parecido), embora eu apenas estava acostumado com a presença deles na favela.E eu odiava o que eles impuseram às comunidades, claro.Tem morador que dá Graças a Deus por eles terem saído e pela milícia estarem no lugar deles, mas isso é apenas MAIS UM PROBLEMA que terá que ser resolvido.Simples.Nem a pau que a “polícia mineira” seria algo paliativo.

Eu fiquei uns 40 minutos pensando nisso e permanecendo puto.Fiquei mais puto ainda quando a amiga da minha tia disse que é conivente com isso, que tem medo de enfrentá-los e etc.Claro que tem que ter medo.Mas o povo é maior que estes caras.Nada mais opressivo aos milicianos se o povo, em peso, os expulsassem.O povo tem o poder de fazer isso, e não faz, porque é conivente, burro e medroso.Ponto.

Hoje, eu entrei em contato com a Secretaria de Cultura da prefeitura do Rio e tentei falar com a diretora, que pode…

Ah, tomar no cu…

…e Feliz Ano Novo.

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Em 1995, o abrigo que eu estava tinha que ser mudado para outro local.Quer dizer, as pessoas, todo mundo.Daí, fomos para o bairro de Vila Isabel, e ficamos em um abrigo situado numa colina.Em cima, dava pra ver o Morro dos Macacos, e do outro lado dava para ver a Mangueira, famosa favela carioca.Pelo que eu me lembro a supervisora do abrigo, na época (Tereza, chamada de Teca) ficou meio triste porque tinha que deixar de trabalhar com crianças.Eu tinha uns 12 anos, acho.E lá ainda estavam os irmãos Gomes (Fábio, Leandro e Tiago, + a Daniele, que era a irmã mais nova deles), mesmo recebendo visitas dos pais.Antes do ano novo de 94/95, me lembro que nas compras que a educadora Cláudia e os meninos fizeram na Saara (centro comercial do Centro do Rio, bastante famoso e cheio de gente), fui abordado por algumas mulheres.Elas conheciam meu pai.Daí, iriam falar com ele, pegaram o endereço do abrigo que eu estou, e tal…faz muito tempo que eu não via meu pai, então fiquei meio ansioso…

Minha rotina não tinha mudado quando mudei pra “Casa da Colina”.Lá tinha Kombi que levava a gente para o colégio e tudo mais.As implicâncias nunca acabavam, não adiantava.Os educadores procuravam o erro em mim ou falavam assim:”não dá trela pra ele, oras”.De vez em quando, isso saía em briga.

Depois de um tempo, um homem que eu já tinha visto, moreno-claro, bigode, corpanzil e cabelos negros ondulados tinha aparecido lá pra me procurar: era meu pai.Alcides Bezerra.Eu tava perto de onde ele chegou e pediu informação.Nos encontramos 2 segundos depois disso.Daí, falei sobre o que eu fiz desde a última vez que nos vimos, falamos sobre a minha mãe e tudo mais.Me arrumei pra ir na casa dele, na Cidade de Deus.Daí , fomos.

Pegamos o trem para ir até Madureira, e de lá pegamos outro ônibus (era desnecessário, porque tinha um ônibus direto, mas meu pai não sabia).Chegando lá, soube que ele não mora mais na “Triagem”, que era o horrível lugar onde estivemos.Odiava MUITO a Triagem.Perto do valão que passa pela favela, local sem graça, cheiro de porco e lixo.Horrível, mesmo.Lá eu apanhei muito do meu pai, tenho más lembranças.Ele morava em um conjunto habitacional chamado de “Rocinha 2” (ou “Karatê”), bem mais limpo e mais aberto.Não era um labirinto, como lá na Triagem.

A casa do meu pai era bem melhor que a de antes, mas tinha um portão de madeira meio tosco.Fomos recepcionados pela minha “madrasta”, que parece que tinha acordado.Eu esperava que ela estivesse menos malvada que antes.Daí, meu pai lembrou que não almoçou e falou pra mim que “almoçou suor e muita dificuldade”, ou algo do tipo, porque se esforçou pra chegar na Casa da Colina me ver.Vi minha irmã do meio, Daiane, meu irmão adotivo, Bruno (era filho da minha madrasta) e minha irmãzinha, Bianca, que pelo que me lembro, nasceu em 93…acho.

Daí, é aquela coisa que sempre acontece na minha família: de início, quando eu volto pra eles, tudo é legal e sem violência.Passa algumas semanas, a paciência termina, briga-se mais, discute-se mais e eu entrava na porrada.Isso era com a minha avó em Araruama, com a minha mãe na Rocinha e com meu pai na Cidade de Deus.Passou um mês e já começamos a discutir.Meu pai bebia pra caralho, e nós é que tínhamos de aturar a mudança de comportamento dele.Num dia, quando não soube mexer na tv, ele foi consertar, em meio a xingamentos dele (e que todos nós ficávamos com medo dele surtar e descer o braço na gente).Em outro, quando perdi a paciência com a Bianca e bati (de leve) nela, meu pai me bateu e eu fiz um escândalo totalmente vergonhoso.Fiquei jurando que eu nunca mais iria bater nela, chorei muito, etc…eu nem deveria estar naquela situação de medo extremo, porque já apanhei muito do meu pai, então eu deveria estar acostumado.Eu fiquei com muito medo naquele dia.Foi uma das coisas mais PATÉTICAS que eu já fiz na vida, ter aquela expressão, voz e sentimento de medo.Medo de levar uma surra.Eu lembro disso com tanto desprezo que se eu fosse outra pessoa, me mataria, sério, mesmo.

” não precisa jurar que não vai mais bater nela, não” – disse o meu pai.

Eu saía com ele e com meu irmão pescar na Lagoa de Marapendi, no bairro da Barra da Tijuca.Um dia, deixei um peixe nadando preso num barbante, ele morreu.Em outro dia que fomos, peguei uns órgãos do peixe e deixei em um copo descartável, nem me lembro o que eu iria fazer com ele.Mas me lembro que, quando eu morava na República das Crianças, fazia “experiências” com diversas coisas.Depois de uns minutos, os órgãos do peixe apodreceram, óbvio, e meu pai me mandou jogar fora.A vida lá na casa dele era diferente, pra mim.Não me sentia acostumado a morar lá, todo dia de manhã varríamos o quintal (uma coisa que eu detestava fazer), meu pai saía pra trabalhar no condomínio Terrazas (na Barra), um lugar que eu achava extremamente sem graça e que em 1991, eu tinha uma bicicleta, onde andava sempre pelos blocos.Eu estudava no condomínio Barra Mares, na escola municipal Golda Meir.Isso foi na época em que moramos na Triagem, a parte mais suja da Cidade de Deus.
Passei a ir um pouco no trabalho do meu pai, e sempre achava aquele local sem graça.Claro que a bicicleta não estava mais lá.

Num dia, meu pai me levou no Barramares, ele iria comprar o almoço.O cara tava bêbado e quando andávamos de bicicleta, ele caía direto.Quase fomos atropelados por um carro.Eu odiava aquela situação toda, fazendo a gente passar vergonha, xingando pra caralho, etc.Num dia, eu quase chorei quando fui falar com ele sobre os problemas com a bebida.E o meu choro era desnecessário.Nem com isso, ele deixou a bebida.Eu era frouxo demais naqueles tempos, também.

A relação entre mim e a minha nova-velha família estava se desgastando.Eu já estava pensando em fugir de casa.Arrumei um estudo em um CIEP próximo a favela.No primeiro dia, eu já cheguei zoando tudo (embora eu não seja desse jeito) e comecei a ser implicado por outros alunos.Daí num dia aconteceu uma chuvarada na favela que resultou numa enchente em quase toda a área.Veio muita água pra varanda de casa e minha madrasta vivia reclamando que eu era inútil, que não fazia nada pra ajudar, e quando eu ajudava, ela ainda ficava falando que eu era lerdo.Além de mim, dos meus irmãos, pai e madrasta estiveram lá, estava umas conhecidas do meu pai, que eu tinha péssimas lembranças : eram preguiçosas e gostavam de gastar o shampoo dos outros, hehehe.Não ajudaram em nada.

Dia seguinte, meu pai tinha saído cedo de casa.Foi ajudar alguns moradores a retirar uns corpos de outros no rio, que transbordou.Lembro-me que fui até o local e lá estava ele, pegando os corpos e colocando no chão seco.4 homens e uma mulher.Eu nunca tinha visto mortos assim, tão na cara.Ele ainda teria ficado quase a tarde inteira, lá.Depois, fomos convocados para tomar vacina, no posto de saúde improvisado numa escolinha, onde a Bianca estudava.Quando foi a minha vez, meu pai se prontificou de abaixar as minhas calças e o médico aplicou.Foi uma vergonha, até porque tinham meninas observando.Claro que ele também tomou, mas alguns dias depois, se queixou de dores nas juntas.
Ele começou a faltar o trabalho e ir ao hospital, porque as dores ficaram muito fortes.Eu ia para a escola e pensava sobre o assunto.Daí, ele não voltava pra casa, ficava no hospital.Quando a minha madastra disse que ele morreu, quase tive um treco, mas era brincadeira.

Alguns dias depois, a brincadeira virou coisa séria: Alcides Bezerra tinha morrido de Leptospirose (também conhecida como “Doença do Rato”).Chorei pra caralho, claro.Meu irmão adotivo, Bruno, também (embora ele tenha se achado afastado demais do meu pai, que começou a ser chamado de “Alcides” escondido dele, ao invés de “pai”).

“Teu pai morreu.”

Depois disso, eu nem sabia o que fazer, além do fato de eu querer ir embora da Cidade de Deus.Minha tia Eliane (irmã do meu pai), foi lá, minha tia Emília, tio José Carlos e Manuel, todos irmãos do meu pai.Após as conversas habituais, nunca mais vi Eliane…e nem me lembrava onde ela morava (sei que era no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense).

Daí, eu decidi pra minha madrasta que eu iria embora e voltaria para a Casa da Colina, em Vila Isabel.
É, eu estava acostumado àquela vida de abrigos, mesmo.O fato da morte do meu pai só reforçou a idéia de que eu queria ir embora.

Ele morreu em fevereiro de 1996.

Eu tinha passado o ano-novo de 93 para 94 no abrigo.Ficamos todos dormindo no refeitório depois das festas, e etc.Após isso tudo, fomos para a praia, comemos muito, bebemos (bebidas não-alcoólicas) e ficamos alguns dias sem fazer nada.Eu odiava ficar sem fazer nada.

Eu começei a fazer histórias em quadrinhos, naquele tempo e já tinha começado a carregar um “rebanho” de novos desenhistas, que começaram a fazer quadrinhos, também.Eu nunca tinha ficado com inveja deles, eu até ria de alguns super-heróis duns caras, como o “Supertiago” do Thiago Gomes dos Santos (o mais novo e enjoado da família Gomes).A naturalidade dos meninos que iam e ficavam lá não eram apenas da cidade do Rio, mas de outros estados, e até de outros países.Me lembro de um adolescente que veio de Dar-es-salam, capital da Tanzânia, África.Eu começava a ensaiar algumas palavras em inglês (eu era rato da pequena biblioteca/brinquedoteca) e gostava de ler livros.Ainda ostentava o rótulo de “menino mais inteligente da casa”.O africano ficou mais ou menos 3 semanas no abrigo.Entre alguns internos, estava um moleque que havia desaparecido de casa.A equipe do telejornal “Aqui Agora”, do SBT tinha ido lá (na época que o Vagner Montes era repórter do programa) e o menino já tinha arrumado confusão com um colega meu.O pessoal lá brigava por qualquer coisa, mesmo.

Pelo que me lembro, me 1994 a Xuxa voltava com um novo programa infantil chamado “Xuxa Park”.As paquitas foram mudando, até chegar numas “New Generation”, bem mais jovens que as da leva anterior.Eu falo isso porque assistia “Xou da Xuxa”quando era criança.

Em 1994, meu ano na escola foi um pouco mais movimentado.A professora “toda calma” Ana Cristina tinha ido embora, e eu passei a receber aulas com uma mulher de cabelos curtos, que me esqueci o nome.O pessoal da minha turma fez as normas numa lista bem grande, e o mal é que eu ajudei e depois DESCUMPRI as normas!
Aprontei muito, discuti MUITO com a professora, fiz inimizades dentro da classe e não sabia umas lições simples da matemática.
Resultado, repeti de ano.
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Em 1995, eu tinha melhorado.As turmas de 1993 e 1994 eram as mesmas, mas em 95, eu mudei.Tinha gente aparentemente melhor e mais sociável.Os meus melhores amigos nos anos anteriores eram Rafael Fiore (que continua sendo meu amigo, hoje, porém fala muito pouco comigo), Rafael Ramos e Luiz Ernesto.Os nomes de duas amigas inseparáveis da minha sala eram Aline e Carolina (que era presbiteriana).

Depois eu falo sobre meu ano letivo em 1995.

Tuntun

Em 1993, eu havia participado da festa de Natal do abrigo, e tinha me dado bem na escola, apesar de não ter conseguido namorar a Fernanda e ter feito poucos amigos, nesse quase um ano que eu estudei lá.Minha ira estava quase “no ponto” (tanto que, uma vez eu fiquei puto e rasguei minha camisa de escola.E fui pro abrigo de metrô escondendo meu peitoral com a pasta), e eu comecei a desperdiçar oportunidades que poderiam ser essenciais pra mim (como o fato de eu fazer fonoaudiologia e deixar de lado, em apenas 2 semanas, sem motivos).

Daí, na festa de Natal do abrigo eu tinha ganho uma agenda eletrônica, rosa (putz) e todo mundo ficou de olho.Isso se deveu ao fato de eu ter sido considerado “o mais inteligente da casa”, por vários meses.Desenhava muito (começei a fazer minhas histórias em quadrinhos).Quanto as coisas do coração, nunca conseguia ninguém, nem nas brincadeiras de salada mista ou algo parecido.Inventava piadas sem graça sobre o Arnold Schwarzenegger (que coisa…), improvisava numa porrada de coisas.

Na festa, oŢviamente que tava todo mundo arrumadinho, reunido, aquela gentileza totalmente falsa, abraços, beijocas, etc.Sempre fiquei na minha.Daí, próximo ao portão do abrigo, quem chega…minha mãe biológica.

Carmen Lúcia, na época tinha uns 30 e tantos anos.Já falei muito dela, aqui.Morava na favela da Rocinha, dava a buceta para um monte de traficantes, não estudava, não trabalhava, nem sabia escrever direito (trocava os “erres” pelos “eles” na hora de escrever).Mas eu gostava dela.Não vou dizer que eu a amava porque na época eu nem sabia o que era isso.
“ah, mas você gostava muito dela” – alguém poderia me dizer.Mais ou menos.

Daí, ela chorou muito quando me viu.Me abraçou, eu não chorei junto.Daí, ela me falou que estava com saudades, blá, blá, blá.Conversou com a assistente social (Teca), e à noite, eu já estava preparado para ir para a casa dela.Fazia um tempo.Tomamos o 409 (Saens Peña – Jardim Botânico) , depois ela pegou mais um ônibus para a Rocinha.Morro da Roupa Suja, claro.Não tinha mudado quase nada, há meses que eu não tinha passado por lá.Naquela época, o gênero musical que fazia sucesso era o pagode, com grupos como Raça Negra, etc.Esse era o que mais fazia sucesso.

Quando eu tinha pensado que ela mudou seu jeito, era a mesma coisa.Não estudava, não trabalhava nem nada.Bebia sua cachaça e cheirava seu pó.E também tinha a filha dela com o Silvano (que foi embora), Samanta.Era parecida demais com ela.Mas ela pensava que a Samanta parecia comigo, mas eu não me achava parecido com nenhuma das duas.Eu era parecido com o meu pai, mas ele era MUITO mais claro do que eu, e tinha cabelos encaracolados.Samanta era quieta demais, mas aprontava.Carmen Lúcia ficava muito tempo fora de casa, fazendo não sei o quê, Samanta ou ficava com as colegas dela, ou em casa.Num dia, eu estava puto demais com essa menina, fazendo manha o tempo todo.Ainda tinha aquele esquema de defecar no balde, desde o fim dos anos 80 tinha isso, minha mãe não tinha mudado em porra nenhuma, ela estacionou.Coloquei Samanta para cagar e alguns segundos depois ela tinha caído no porão, uns 3 metros abaixo.

Obviamente, chorou muito.Galo na cabeça.Eu socorri a menina, a limpei e rezei pra que a minha mãe não descobrisse o que aconteceu e me desse porrada.Quando ela chegou, percebeu logo o galo na cabeça da Samanta.Falei que ela simplesmente caiu no porão quando ela foi cagar.Sermões (merecidos, claro).Pensei que ela iria me dar uma surra, mas não naquele dia.Aliás, ela nunca mais me deu uma surra, desde idos de 1990/91.

A minha mãe sempre grita pra caramba quando reclama com alguém, mas depois fala mais calmo.De vez em quando eu “amoleço” assim, também.

Eu não gostava da Samanta e não gostava do modo de vida da minha mãe.Ela não fazia nada pra melhorar a própria situação.Sempre um biscate aqui e ali.Vendia ferro de passar pra pagar sua cachaça e trazer mais comida pra casa.Ela sempre incluía umas garrafas de Caninha da Roça nas compras.A geladeira, velha, nunca funcionava.Os alimentos estragavam e os pães ficavam duros.Um dia, eu só comi pão duro.Era difícil partir pra passar manteiga.A vizinhança era a mesma.Nunca me ajudaram.Meu avô ainda estava morando lá perto, com sua casa cheia de teias de aranha, rádio sempre ligada na AM e cheiro onipresente de fumo de rolo.
Eu nunca tive tendência nenhuma para ir pro mundo das drogas e tráfico.Nunca me aliciaram pra trabalhar nisso.A Rocinha crescia cada vez mais, tava enchendo de nordestinos.Acho que a pessoa deveria pensar e se organizar, antes de vir pra cidade grande arrumar trabalho e morar em favela (nada contra, só acho que quem é mais inteligente, se dá mais bem.Eu era e não usei a minha inteligência em benefício próprio).

No aniversário da minha mãe, dia 30 de dezembro, eu tinha ficado inexplicavelmente emburrado.Eu não cumprimentei os amigos dela, fiz o maior papelão.Daí, quando estávamos andando num beco, ela me parou e me desceu a porrada.Não foi exatamente uma surra, vários tapas na minha cara.Obviamente que se magoou comigo, pq eu não me comportei direito perante aos amigos dela, falou que era o aniversário dela, então eu deveria colaborar.

Sim, ela tinha razão, mas não era necessário me bater, era só pedir.

Depois disso, ela não deixou de me bater na frente dos outros e de levar homens pra casa.Me mandava ficar do lado de fora enquanto ela transava com o cara.Numa vez que ela fez isso, desleixou-se até na hora da comida.A coxa de frango estava assada por fora, mas por dentro estava cheia de sangue.

Fiquei lá fora e tentei ver na fresta debaixo da porta.Ela me viu.


Desgraçada.