Após a morte do meu pai, eu retornei à Casa da Colina, recém chamada de Cemasi Ayrton Senna (nada a ver com o Instituto Ayrton Senna, em Sampa).

Me lembro de ter chegado lá pelo menos 4 dias após da reunião familiar, depois do falecimento.A minha mãe ficou falando que eu queria ir embora porque meu pai morreu, mas ela não sabia que eu pensei em ir embora bem antes daquilo acontecer.

Depois eu fui para o abrigo e avisei ao coordenador chamado Genílson e me aceitaram novamente.

O pessoal da antiga República das Crianças não estava mais lá.Os educadores tinham sido mudados, até os funcionários da limpeza, de antes.Mas os internos de antes ainda estavam lá, principalmente os irmãos Gomes e mais alguns moleques que insistiam em pagar mico.Ainda tinha Kombi para a escola e entraram mais moleques novos, porém, eles eram mais agressivos.Me lembro numa em que quase tomei porrada de um mais velho por um motivo estúpido, nem me lembro direito.Tinha um educador que implicava MUITO com os internos, especialmente comigo.Me colocava apelidos e nem trabalhava direito, apenas tirava os dias de trabalho para zoar.Eu odiava esse cara, mas não tive a sensatez de denunciá-lo.Se bem que entre os educadores, sempre era assim: o moleque estava implicando com os outros, chamando pra brigar, etc.Quando a vítima falava com o educador, ele não fazia nada.Dizia que a vítima estava dando trela ou que iria passar.Quando o “algoz” chamava a vítima de “viadinho” ou qualquer outro apelido, ele dizia: “mas você É viadinho?Se você não é, deixa ele fala, ué.Você não é, mesmo”…como se isso fosse ser um belo paliativo para todo mundo…idiotas.

Naquela época eu não sabia brigar direito, virava alvo de implicâncias por muitas vezes.Esse mesmo moleque que queria brigar comigo se tornou meu “colega” quando viu meus quadrinhos…mesmo assim implicava muito comigo.

Naquele tempo eu tinha saído da Vivendo e Aprendendo, após um período atribulado em 1994, que depois ficou bem mais ou menos em 1995.Queria a todo custo voltar para aquela escola.Tinha formado amizades, gostado de algumas pessoas.Acho que por causa da saída do pessoal da Antiga República das Crianças, eu não pude renovar a minha matrícula, e isso me deixou triste pra caralho.

Nos fins de semana, no abrigo, eu ficava em cima do telhado (o abrigo era amplo.Tinha mais ou menos uns 600 metros de expansão.Dava para ver o morro da Mangueira, e os bairros vizinhos, e do outro lado, o Morro dos Macacos e a continuação da colina, abaixo deste).Já fui punido por isto.No abrigo rolavam brigas, direto e muita gente ficava sem sair, por causa disso.O apelido “formigão”, que recebi em 92/93 foi ressucitado e me aborrecia muito com esse pessoal.Fora isso, eu tinha gostado de duas meninas, bem mais novas que eu.

A primeira era do Espírito Santo, tinha uns 9 anos.Eu tinha 13.Ela era lourinha, cabelos curtos estilo Chanel.Não me lembro o nome.Num dia em que estávamos fazendo um passeio de ônibus pela Floresta da Tijuca, eu tinha começado a gostar dela.Um menino mais novo que eu queria “fazer a corte” (hahaha), mas deixou ela comigo.Eu era tímido demais, mas tinha de fazer alguma coisa, senão a relação (que era apenas coleguismo) não andava.E claro, as contas não param!^^Peguei na mão dela como se fosse sem querer, nem a olhava no rosto, para não parecer que fiz de propósito.A abraçei, e os outros internos ficavam olhando e falavam: “David arrumou pra hoje, hein?”.Não falava nada, apenas olhava para ela e para o vazio, e ela tinha se simpatizado comigo.Quando paramos no Aterro do Flamengo, a vi vagando, com sua saia quase saindo (e dava pra aparecer a calcinha).Fábio Gomes me alertou.Avisei a ela.

Voltando ao abrigo, a confusão.As outras meninas tinham sabido que eu estava a fim dela, e ela (talvez) idem.Fui tirar satisfações e permaneci na porta da casa 6, que era um dos 6 alojamentos que comportavam os internos.A casa 6 era exclusivamente para as meninas.Ela tava passando e me viu sentado lá.Aliás, passou muitas vezes, claro que por minha causa.Daí, começei a discutir com as meninas por causa disso, e os meninos ficavam incentivando a briga, e o que aconteceu foi que ela começou a me esquecer, ficou com a cabeça entuchada de merda dita pelas meninas…

Depois disso, eu estava andando no balanço e ela ficou dizendo que “alguém” era isso e aquilo, claro que tava falando comigo.Depois disso, ela e o maninho voltaram para o Espírito Santo.E óbvio, fiquei com saudade.

Eu começei a estudar na escola municipal Humberto de Souza Mello, também em Vila Isabel.A minha convivência com os alunos e professores era bem marromenos.Vivia numa sala em que uma menina sempre reparava em mim e perguntava “o que eu usava nos olhos”.Mentia falando que tinha ido pros Estados Unidos (pra justificar as minhas faltas), pra uma menina.Ela me fazia uma pergunta em inglês, pronto.Me desmascarou.Eu gostava de uma menina nerd, lindinha, cabelos longos castanhos e óculos.Num dos recreios, a mesma menina que reparava nos meus olhos disse que tal menina estava afim de mim.Não era a que eu gostava, mas uma mezzo gordinha, que vendo com os olhos de hoje, digo que não era nada mal se eu tentasse engatar um romance com ela.Seria bom para OS DOIS.

“Eu não quero namorar ela, não”, eu disse.

“É, é?Quem disse que você é bonito?”, a fofoqueira disse.

Nem havia falado nada sobre a beleza da menina.Até hoje me arrependo das escolhas que fiz.A minha atração do dia era ir na sala da Direção e ficar olhando o bundão da diretora adjunta, uma jovem, cabelos cacheados louros, uma gra-ci-nha.E quando eu falo “bundão”, era bundão MESMO.Me lembro disso até hoje.A minha única dor de cabeça nesse colégio era a professora de matemática que falava com os outros de modo agressivo.Eu não sabia uma conta, ela gritava.

Depois disso, eu fui para outra escola, a João Goulart, mas falarei disso depois.

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