Ida ao programa da Xuxa:

Eu tinha começado a entrar em contato com alguns de meus parentes.

Depois que meu pai morreu, eu só quis ficar no abrigo até melhorar minha situação.Digo, não tinha nada planejado a não ser terminar os estudos.Mas eu só formava inimigos, lá dentro.Desde os educadores aos internos.As discussões, implicâncias e brigas estavam ficando insuportáveis, mas eu não fugia.Fins de semana eram horríveis: Eu ficava ou no quarto dormindo ou andava pela área (enorme) do abrigo, pegando mangas, ou utilizando a minha criatividade para praticar “aventuras” (andava pela colina, adentrava ao mato), para escapar do ócio.Nos domingos, era pior.E eu subia mais no telhado do que nunca, quando souberam, eu fui proibido de participar de vários passeios.

“Quem sobe em cima do telhado é bichinha”, o “tio” Genilson falou para mim.Ok.

Neste ano, o pessoal tinha recebido um convite para ir ao Programa Xuxa Park, no Jardim Botânico, no Rio.Eu gostava da Xuxa (não muito), tinha boas lembranças dela no final da década de 80 (com o Xou da Xuxa) e quando o programa dela retornou à Globo (em 94), eu esperava por um revival perfeito.E me ferrei, pois as coisas, embora ainda voltadas para o ramo infanfil, estivessem mais amadurecidas.Tá, esse não foi o termo apropriado.:P

Além do pessoal do abrigo, tinham outros menores que iam para lá fazer cursos (padaria, bijuteria, etc.), mas eles acabaram não indo.Não me lembro se quem arrumou o passeio foi a Sra. Márcia Julião, provavelmente sim.Um ônibus, o pessoal zoando (como de praxe).Dessa vez eu não tinha aprontado, mas acho que todo mundo iria do mesmo jeito.

Chegando na Rua Lineu de Paula Machado (Jardim Botânico), chegamos ao Teatro Fênix, com uma fila enorme, dando voltas.Nós éramos os únicos vindos de um abrigo, os outros eram nada mais do que adolescentes classe média-alta da Zona Sul/Norte, maioria morena clara/branca, esbanjando futilidade.Com a zoação do pessoal do abrigo , os demais adolescentes mauricinhos e patricinhas fizeram cara de nojo, repulsa.Que previsíveis.Mas a maioria dos que estavam zoando nem se importavam com o que pensariam sobre eles.Eu só observava.
Entramos no portão e ficamos na extremidade da pequena arquibancada, à esquerda.Da arquibancada dava para ver o palco, claro, que parecia bem pequeno.Um dos educadores que tinham ido conosco era um altão, branco, cara de americano (inclusive eu até tinha perguntado isso para ele, eu queria saber de muita coisa, naquele tempo).Daí, chegou a Xuxa, as Paquitas (era umas das últimas formações das paquitas, chamadas na época de “New Generation”) e algumas crianças permaneciam lá no palco, brincando e nas pequenas bancadas que tinham em frente aos brinquedos, para acomodar os que disputariam nos times formados (“acomodar” porra nenhuma, os participantes da brincadeira e os torcedores ficavam em pé a maior parte do tempo).Chamaram algumas crianças e pré-adolescentes para permanecer perto dessas bancadas, torcendo com o pessoal.Eu fui, mas já era bem alto para pensarem que eu era um pré-adolescente (e tinha uns 13 anos na época).Eu fui tocar no ombro da Xuxa, e o segurança me repreendeu, dizendo que ela sofria de pequenas dores no local.Fiquei junto do pessoal, lá embaixo.

Daí, eu estava “apaixonado” por uma das Paquitas, chamada Diane Dantas (que até hoje tem fama de que era “enjoada e chata” na época de Paquita).Sempre percebi que ela era uma das preferidas da Xuxa.Nos especiais de Natal e em algumas apresentações das Paquitas, ela sempre tomava a frente.Eu estava com um boné vermelho, pedi vários autógrafos.Quando eu pedi para a Diane autografar novamente, recebi uma bronca dela falando que não assinaria de novo.Uma das outras paquitas louras chamada Giselle (que eu sempre imaginei ser doce e delicada) me atendeu.E o que eu pensava sobre ela, tinha se confirmado, ou então ela estava fingindo.Eu também imaginava que a minha também preferia Diane fosse como a Giselle, mas as coisas não são assim, exatamente como a gente pensa.Não foi nem um caso de frustração, apenas “baqueou” os meus sentimentos…uh, que coisa mais triste.Hhehehe…

Me lembro que eu sempre tive um amor platônico por pelo menos duas das Paquitas, de 1995/ a 1996.Como disse, eu gostava da Diane.Uma que me interessava era a Vanessa, uma morena de cabelos cacheados e Andrezza (também chamada de “Chaveirinho”), moradora de Duque de Caxias, e que tinha lindos olhos claros, mas fazia uma espécie de parte cômica do grupo.Tinha a Karen, que mais ou menos eu imaginava que seria chata (uma baixinha que tinha cabelos negros longos e franja).Eu tinha pedido algo para esta última:

– Karen, me dá um beijo?
– Não.
– Mas é no rosto.

O programa estava rolando.Sempre havia um erro, então começavam a rodar a cena de novo.Quando a Xuxa falava “esse é o nosso sábado”, todo mundo comentava, porque aquele dia era quinta-feira.Foda-se.Uma das coisas mais ridículas que eu fiz naquela época foi pedir os outros para serem minhas amigas.Coisa patética, que só refletia a minha carência (era apenas o começo).Haviam algumas pré-adolescentes bem bonitas.E como a minha gagueira atrapalhava, umas nem ligavam ou pensavam merdas a meu respeito.Eu tocava na cintura das meninas (ou nos ombros) e perguntava: “oi, podemos ser amigos?” e na maioria das vezes eu era ignorado.Uma das meninas, lourinha, comentou com a outra que eu viria a ser gay.Fui em direção dela, a xinguei e a ameacei.Ela não olhou diretamente para mim, mas estava ouvindo.Não falou nada.Alguns minutos depois, uma menina tinha ouvido e começado a se entrosar comigo, chamada Mariana.Ela morava na Zona Sul e estudava em uma escola particular chamada Fundação Osório (que existe até hoje).Eu nem participei das brincadeiras (até ficaria meio complicado de participar, pois o público e os telespectadores poderiam pensar:”ele não é meio grandinho para participar?”.Só fiquei conversando com ela e brincando.Ela não riu da minha gagueira (na verdade, de 100 pessoas, somente 15 riem), e conversamos quase até o fim.Quando o programa tinha terminado, os educadores chamaram o pessoal para ir embora, e eu quis beijar a Mariana, como uma despedida (mas queria me encontrar com ela novamente).Ela ficou querendo saber o que eu queria dar a ela, e eu fiquei embromando por uns 3 minutos.Daí, eu dei o meu BONÉ autografado para ela.Patético.Ela agradeceu e nos despedimos lá fora, quando ela estava na fila dos alunos da Fundação Osório.Mas quando eu me despedi dela, ela não deu muita importância.Já pode-se imaginar que ela não sentia a mesma coisa que eu.Claro que não.
O pessoal lanchou e fomos embora.Eu, com meu amor platônico por algumas paquitas totalmente desfeito, e a sensação de que eu deveria ter mais coragem quanto à beijar alguém…mas eu só tinha 13 anos, o que pode ser bobo demais de minha parte, já que existem gente que inauguram sua vida sexual aos 11, 12…

Eu me lembrei do nome da escola da Mariana (Fundação Osório) e do nome dela, hehehe.Daí, eu fui bobo o suficiente para ir na PRAÇA GENERAL OSÓRIO, ao invés da Fundação Osório, que era o nome da instituição.É a mesma coisa de ir na Rua General Polidoro querendo ir ao Colégio Municipal General Polidoro, com este estando em outro endereço, óbvio.A Praça General Osório fica no bairro de Ipanema, na Zona Sul do Rio.Fui lá à toa.Alguns dias depois, soube que a Fundação Osório fica no bairro de Rio Comprido, Zona Norte do Rio (próximo a Tijuca, Estácio e Praça da Bandeira).
Fui lá e acabei me ferrando, porque a única coisa que eu tinha da Mariana para achá-la era…o seu primeiro nome.

Mariana.

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