Depois que eu fiquei por uns dias no abrigo FEEM de Araruama (no bairro do Outeiro), eu tive que dar um jeito de ir embora de lá.Eu ficava andando o dia inteiro na área, me masturbava na cama e um dia roubei algumas revistas do Conan dentro de outro alojamento, que servia de colégio para as criancinhas da comunidade.Acabei ficando com a foto de uma estudante, tinha mais ou menos uns 12 anos de idade, na época.Nem sei porque eu fiquei com ela.

Então, no dia seguinte a educadora que trabalhava no alojamento quis saber quem invadiu o local e veio direto em minha direção.Eu desmenti várias coisas, disse que não tinha entrado e pego as revistas do Conan, mas ela roube que eu estava com as revistas, embora eu tenha chiado o quanto quisesse sobre isso.E isso não teria acabado, porque discutimos novamente envolvendo outro fato de furtos de revistas em quadrinhos.
Daí, eu tive uma ânsia tremenda em ir embora de lá.Eu tinha conversado com a assistente social sobre meu retorno ao Rio de Janeiro.Daí, fomos de carro até a casa da minha avó no bairro de Engenho Grande, conversamos um pouco, e peguei minhas coisas.

E eu acabei indo para o Cemasi Ayrton Senna, mesmo.

Naquela hora, a minha tia já sabia das minhas presepadas e decidiu ficar comigo.

Eu ensaiava um flerte com uma das mães adolescentes que moravam no abrigo, chamada Mônica.Ela era clara, olhos verdes e cabelos tingidos de preto, até o ombro.Em um dia, eu acabei decepcionando ela por cometer uma série de furtos IMBECIS dentro do abrigo.Os objetos que furei: um pote de maionese e um relógio de parede.E não sei porque, ia para uma sala fechada nas dependências do lugar (utilizada para reuniões) e ficava assistindo “O mundo de Beakman” me empanturrando de maionese, sem saber que me enjoaria rapidamente.E me enjoou.Seguidamente, eu ficava de castigo, não saía e Mônica ameaçou me dar um soco na cara, um dia.Naquela época, eu era peidão, mesmo.A menina também tinha uns 17, 18 anos, visivelmente mais forte que eu.Provavelmente, ela não sabia que eu gostava dela.

Por causa destes furtos e de outras presepadas, eu fui começando a ser zoado pelos internos e quase briguei com alguns..num dia, quase entrei na porrada porque eu não ajudei a lavar o quarto, logo que eu retornei ao abrigo.Um moleque lá rapidamente ficou com raiva de mim e me deu uma braçada nas costas.Eu, vergonhosamente era muito fraco, naquela época, 1996.

Aí, eu fui transferido para outro lugar, o Cemasi Sol Garçon Passi, próximo ao Ayrton Senna, em Vila Isabel, na rua Oito de Dezembro, próximo ao Corpo de Bombeiros do bairro.Eu fui junto com um outro usuário chamado Leandro (não o da família Gomes).Já de início, não tinha gostado do pessoal, fora uma peituda que estava namorando com um magrelo lá chamado Macarrão.Este Cemasi era um sobradão com um pátio na frente, uma garagem lá atrás e um alojamento lá atrás, também.Eu nem quis me acostumar com este pessoal: fugi do abrigo e fiquei vagando uns dias pela rua.Minha tia resolveu ficar comigo, em sua casa na favela da Palmeirinha, em Honório Gurgel.

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A minha tia não tinha ficado aborrecida com a minha saída da casa da minha avó, talvez estava acostumada com minhas idas e vindas de abrigos, casa de parentes, etc.Até hoje, eu raramente falo com os meus outros tios…eles andam totalmente sumidos.Pra se ter uma idéia a minha tia Emília, eu não vejo há mais de 10 anos.O tio Manuel, irmão do meu pai, mora na Rocinha, mas provavelmene deve ter se mudado.Não o vejo há quase 5 anos.Meu outro tio José Carlos, eu vi há 3 anos, ele trabalhando de motorista da Central de Triagem, um centro de recepção para futuros usuários de abrigo, em sua maioria oriundos de outros estados.Disse que iria morar comigo em Araruama e etc, mas pelo jeito, era só balela.
Então, é isso.

No fim de 1996, a minha tia morava com meus dois primos (o mais velho Cleilton e o mais novo Thiago), o companheiro dela, que me esqueci o nome e os dois filhos dele com outra mulher.A minha prima mais velha, Daniele, tinha ficado lá por pouco tempo, até ser despachada para Araruama, ficando com o namorado dela.A Palmeirinha é uma favela bem pequena, o Comando Vermelho não fazia muitos estragos (pelo menos, era o que eu via) e todo mundo vivia feliz.

Eu tinha passado por um momento de profunda tristeza dentro de casa.Até cumpria as exigências de minha tia para estudar, ela era amiga de uma família que morava em um CIEP.Essa família tinha 2 filhas lindíssimas, e eu tinha me apaixonado por uma delas, a mais velha chamada Ticiane.Mas todo mundo queria namorá-la, sem sucesso.O Cleilton trabalhava em um trailer em frente ao colégio, custeado pela minha tia.Vendia doces, balas, cachaça.Eu ajudava a tomar conta, mas sempre ficava faltando algumas balas, por minha causa (eu que pegava).
Acabei fazendo uma prova para passar para a quarta série no CIEP e passei, mas não cheguei a cursar o ano letivo.Os meus fins de semana naquele lugar eram totalmente sem graça e depressivos.Eu só gostava de ver desenhos, como os “Cavaleiros do Zodíaco” na finada Manchete, e “Doug” no SBT.Começei a imitar os trejeitos do personagem principal, junto com um amigo que eu fiz, que morava na casa dentro do CIEP, também, junto com a família.Fui repreendido pela minha tia. Insistia em dizer que seria racista, por só namorar mulheres aparentemente morenas e brancas.

Daí, ela começou a ficar mais agressiva comigo dia após dia.Não pelo assunto de raça (e convenhamos, é um assunto espinhoso), mas por sua personalidade, mesmo.A música “sozinho” do compositor Peninha me fazia ficar triste e depressivo, me fazendo ir ficar na frente do CIEP e olhar aquela paisagem da favela e dos outros bairros do Subúrbio atrás dela.Na época, essa música tinha sido regravada pela Sandra de Sá, numa interpretação mais decente que a de Caetano Veloso, que o fez há alguns anos atrás.E a música “sozinho”, eu pensava na voz da Sandra de Sá, mesmo.Eu ficava olhando para aquilo tudo e pensando em como a minha vida era uma merda e em como eu não iria prosperar permanecendo com a minha tia.

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