Natal, novo ano e afins.

Nem quando eu era criança dava trela ao Natal. Obviamente que os mais limitados dizem “o Natal é para comemorar o nascimento de Jesus,”etc e tal. Hoje em dia, sendo totalmente independente eu consigo expressar o que eu verdadeiramente sinto por esta data: Natal é sinônimo de muita comida e presentes. No meu caso, os presentes vieram no aniversário. Meu presente no Natal foi nada mais que uma frustração que se dissipou no dia seguinte. Eu queria entrar no esquema, não me confirmava em não fazer nada no dia 24/12, como sendo uma espécie de “revolta” ao esquema que todos estão fazendo parte até hoje. “O esquema capitalista”, blá, blá, blá. Pois então.

Tentei passar o natal na minha tia, numa favela do Rio dominada por milicianos. Só apareço lá só pra passar o Natal e o Ano Novo, mas como é uma vez por ano eu teria de ser apresentado pros bandidos que dominam o local, como no ano passado. Daí, você olha pra cara dum filho da puta desses e parece que o viado esboça a cara do diabo no próprio rosto. Exatamente como os homens que já tem uma cara de psicopata. A favela é pequena, o que só facilita o trabalho dos desgraçados. Impossível passar em alguns becos, que só de longe dá para sentir o cheiro de morte.

Daí descobri que a mesma não estava, o que foi complicado até para sair do local que entrei. Uma das vizinhas ligou para ela até que me disseram que a mesma estava cuidando de alguém (ela é enfermeira) na puta que pariu. Digo, na Cidade Alta, aqui do Rio de Janeiro. Mais um local de risco. Daí, ela permitiu que eu ficasse em casa, mas alguns minutos depois mudou de idéia, já que lá dentro não tinha comida nem porcaria alguma. É, pelo que vi realmente ela não tinha feito nada, só tinha água na geladeira. E a internet do meu primo demorava bastante pra pegar (hehehe). Saí fora, “escoltado” por um idoso morador de lá, até para não ficarem olhando para mim e pensando besteira. Voltei pro abrigo e no dia seguinte tive a bendita idéia de ir pra casa do meu amigo. O sujeito praticamente salvou meu Natal. É, só poderia ser ele, mesmo. Entre uma tâmara e outra, um damasco e outro e um farto almoço conversei sobre meus projetos de vida pra 2008. Expus meus planos (bem simples e não mirabolantes) e idéias, revelei a “renovação” pro ano que vem.
E o que seriam estas idéias? Eu e meu amigo discutimos por isso em pífios 50 minutos, enquanto eu lembrava as músicas daquele Jay Vaquer. Cheguei a até ser um pouco mais radical nas questões, pensei em cometer alguma besteira se meus objetivos não fossem concretizados, ou ao menos metade deles. Não é possível que o sujeito que conquistou algumas coisas (poucas, claro, mas conquistou) neste ano seja o refleto do mesmo sujeito que chegou ao fundo de seu fracasso no ano de 2005. Ano novo, vida nova, IDÉIAS NOVAS E ALMA NOVA. Estas duas coisas, eu tenho que mandar pro altar das futuras realizações neste ano que vai vir.
Eu estou mais tranquilo, mas cometendo pequenos erros que ainda me fazem perder as oportunidades: por minha impaciência, impulsividade e sinceridade nas horas erradas que perdi o emprego e tive de ser transferido de escola. Tenho que adquirir a humildade de ficar quieto em uma situação mesmo se ela for injusta ou humilhante. Não, não é pra eu ser um banana submisso. Sou um sujeito que detesta injustiças (como todo mundo), mas no meu caso, não consigo ficar calado. Desde uma pessoa que pula a fila do restaurante até coisas mais graves que isto. Mas, eu vou ter que ficar na minha. Pro meu bem. Sobrevivência no mundo de hoje significa ter de engolir alguns sapos. Há quem tenha vocação pra engolir sapos por natureza, porém, estou longe de me encaixar neste perfil. Mas, terei de ser mais calmo.
Esse foi o ano da péssima alimentação: raramente estou tomando café e almoçando. Meu estômago está mais acostumado à fast food, refrigerantes vagabundos e doces, muitos doces. Como estou habituado a ingerir isso, quando vem comida de verdade, meu corpo meio que quer rejeitar o alimento. Não chego a pôr nada pra fora, mas chego a dar uns “Urgh!” de vez em quando. Meu amigo disse que o meu estômago está atrofiando. Tenho que ir ao médico. Aliás, não só para isto.
No dia 2 de janeiro irá começar a “Goal Dakota of Human Development”, o que será a ótima oportunidade para eu descascar e arrancar a minha pele e lutar para conseguir uma nova. Novas peles, novos tubos que serão acoplados nos meus ombros, um par de novos olhos e um check up na minha alma, e nem preciso ir em um terreiro de macumba para isso (haha).
O meu melhor momento do dia é quando eu durmo. Tá na hora de expandir este prazer para outras freguesias.
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