Balanço e Investigação


Estive pensando em várias coisas.

Este “estive pensando” se encaixaria perfeitamente em uma piada sarcástica se eu fosse um retardado. De vez em quando costumo ser, minhas palavras acabam dando a pensar que não bato bem, mas depois eu volto ao normal e rio de meus próprios pensamentos “subversivos”. Ainda estou me sentindo preso ao horrível ano de 2007, onde o sofrimento e a desilusão passaram de mãos dadas entre mim, fizemos uma cabana na floresta da Tijuca e comemos queijo coalho contando piadas que só nós entendíamos. Assim, uma coisa maluca, intimista e que poderia soar chata pra caralho pras pessoas. Falando em “caralho”, há alguns anos atrás eu mal xingava. Não por motivos religiosos ou de etiqueta, é que eu não sentia o menor prazer em mandar alguém tomar no cu ou similares. Simplesmente era um evangeliCUZINHU por dentro, se destinando a não fazer nada e a me perfazer num grupo que indiretamente não me queria. Não me queria porque eu tinha um prisma totalmente diferente deles. Eles eram putos, putões. Iam a festas bagunçar, alguns até bancavam os KUL Y DISKOLADUS, mas não bastava uma Casa da Matriz pra todo mundo botar as manguinhas de fora. Eu era nada mais que a porção “esquisita” deles. Calado, defendendo coisas que só Paulo Maluf poderia fazê-lo e na flor da pele de meus devaneios sexuais. Não éramos “experts” em situações de perigo, o que um sujeito mauricinho mas que paga de gótico passou em situações de perigo? E QUANDO ele teve situações de perigo, caralho?

Daí, lembro-me de que tratei mal (indiretamente) pessoas que hoje poderiam ser minhas amigas, ou até algo mais. Até os mais amistosos pensavam que meu destino era ficar sozinho, eu era um problema dentro dum grupo que era o problema em pessoa. Tal grupo começou a ser tachado de “daninho” desde em parques municipais até em eventos de anime. E tivemos otakus, góticos, indies e “neutros” (naquela época não havia emos no Brasil) dentro deste grupo. Luais, piqueniques, etc. Mas nada seria completo se a dona intriga não estivesse por perto. Meninos desinteressantes e meninas gostosinhas, mas rasas e superficiais era o pilar do grupo. Embora o mesmo fosse extenso (um grupão formado por vários grupinhos), as coisas não mudavam muito. Eu viva entre os “famosos”. Mas, porra, eu era um dos famosos, mas não era um dos “mestres”.

Hoje, muitos ainda se vêem, como prova de que a amizade poderia sobreviver ao tempo. Até falo com 2 ou 3 deles, mas disse “foda-se” para os graúdos. A coisa que eu mais faço hoje é tomar inciativa, desde puxar um simples assunto até convidar alguém para alguma coisa. E é algo que provavelmente é incorrigível. E vou sofrer mais por isso, já que a maioria da população é imbecil e não se dá conta de que…

Peraí, porra. Vamos repetir o que sempre dizem por aí?

Quem vive de passado é museu”.

Se bem que apesar disso, o passado será uma constante no meu livro. E ainda terei muito osso pra remover por causa dele.

Eu voltei a xingar a pleno vapor por causa de uma revistinha em quadrinhos com temática Rock chamada Mosh!. Carioca, a revista era desenhava por várias pessoas, mas depois de um tempo ela terminou. Daí, eu fui ler a Tarja Preta, que puxa mais pro lado maconheiro da questão. E eu não uso drogas, mas nem todos que curtem a revista liam (DÃ!). A Dunia era uma das desenhistas, mora em Sampa, mas não sabia o que queria de mim, na verdade. Voltando a Mosh!, voltei a xingar e muito. Além de eu ser um velho resmungão de 24 anos, xingo muito e todos os dias. Há de chegar o dia em que isso irá me incomodar.

Falaremos de abrigo: eu morava em Benfica (desde fevereiro de 2006 na Fundação Leão XIII), mas fui transferido para um abrigo da prefeitura, o Plinio Marcos, onde já passei. Na época que tinha mulé era bacana, eu me aprochegava numa de cabelos castanho-claros e olhos azuis que sempre vivia emburrada. Hoje, é um bocado de homem com faixa etária de 30 a 60 anos, ou seja, eu sou um dos mais novos. As minhas dormidas nem sempre são tranquilas, já que na cama baixo da beliche, tem um sujeito que treme o corpo e sem motivo, bate na beliche, o que me dá vontade de pisar a cara dele. Ao menos, estou tendo um café da manhã regular. Estou magro, muuuito magro e isso porque minha alimentação está irregular desde 2005. Se eu fosse um sujeito que tivesse um local fixo pra ficar, seria uma boa. Mas, eu quero ficar por pouco tempo no Plinio, ainda mais porque eu tenho que parar de ficar pulando de abrigo em abrigo, caralho! Chega. Semana passada procurei emprego no mesmo empenho que um cão come uma carne e nessa, dei uma parada, por preguiça, mesmo. Estive pensando em sair fora da cidade e recomeçar minha vida em outro canto, um canto mais tranquilo e não tão calorento, mas vou esperar terminar logo o Ensino Médio. Sim, estou bem atrasado.

Eu disse que 2008 seria o fucking ano da mudança, e eu pareço que estou no ano passado. Ninguém vai fazer as coisas por mim, não posso bancar a criança numa situação como essa. Trampo, cursos e estudos. E o livro.

Agora, preciso retirar a alma passada e colocar a do presente.

Não, não sou espírita. Eles são frouxos demais.

Tenho sempre de me lembrar que estou lutando sozinho nessa. Não é hora de morrer na praia.

Porra, esse post foi igual demais pro meu gosto. Não acredito que estou me nivelando aos 98% da população, acostumada a conviver seguindo frases feitas, prontas, como: “um dia você vai conseguir”, “não fique assim”, “eu só estou aqui pra te ajudar”. Pobres robôs. Mas, eu tenho a obrigação de me sobressair nesse mundo robótico. Não tem como ser igual.

O próximo post terá uma boa notícia. Juro.

Enfim, cometida a última burrada de 2007, quase cometi a primeira burrada de 2008.
Fui transferido de abrigo até que parei na central de recepção, na Praça da Bandeira, onde eu já tinha aparecido várias vezes (com a última vez em 2005, antes de eu ir para a Fundação Leão XIII, do Estado).

Daí, achei que seria uma péssima idéia ficar em mais um abrigo e fui embora, para ficar na rua. Obviamente que no trem, pensei que seria uma péssima idéia voltar a dormir na rua e a ficar sem comer mais do que fico atualmente. Não vamos regredir, porra.

Por isso mesmo que estou voltando para a central de recepção, com o rabo entre as pernas, e ficando neste abrigo até que eu consiga reaver o meu emprego. Tô numa situação que não posso ficar parado de forma alguma, já que não sou sustentado por ninguém.

“Você tem até 19:00 pra voltar”.

Ok, estou voltando agora mesmo. Não posso voltar a ficar na rua de novo.