“Evento de Anime é Droga e causa Dependência”

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Saí dessa vida em 2005.

Eu era otaku, mas não aquele tipo de otaku consumista e que constrange as pessoas com gritinhos, pulinhos e que imita comportamento de personagens de anime. Passei 3 anos da minha vida perdendo um puta tempo com essa bobagem. Não tinha vida.

Eu fazia cosplay e ficava cantando no AnimeKe. As fantasias que eu criava eram elogiadas, eu pensava que com isso meu “prestígio” iria aumentar perante as pessoas, quando na verdade era apenas uma maldita fuga, fora não haver prestígio algum. Fazia uma apresentação escrota sabendo que não iria vencer. Depois ou me misturava com a multidão, ou eu saía fora no ato. Eu não tinha idéia de que tudo isso era constrangedor, e quando aplaudia as apresentações junto com o pessoal sacava que estava imitando o próximo; nem tinha vontade de aplaudir. Todos achavam o máximo e tal… mas… e eu? Seguia a manada.

Sempre vagava os eventos sem um grupinho de amigos e via o pessoal se divertindo. Eu não sabia o que era diversão: apenas “cumpria o papel”, no automático. Ora, eu tentava ser como eles, e sempre fracassava, tão insignificante que não ia além da minha idiotice, não fazia coisas do tipo, pagar trocentos reais numa caravana em um grande evento em São Paulo, como o Anime Friends e o AnimeCon, que até hoje são referências na época. Era nessas horas que eu agradecia em ser um pobretão, no meio da grande maioria classe média, mais novos que eu e que desandavam a falar muita besteira.

“Ah, eu já bati uma pela Vishnu, pela Saori e pela Mahoro!”

“Eu odeio o Seiya!”

“Naruto é foda!!!”

Toda zoação que eu cometia era um gesto para amenizar meu vazio. Ao mesmo tempo em que desprezava a galera que andava com plaquinhas pedindo abraço, as meninas que cobravam por beijo e outras que pediam um troco pra fazer cosplay, comeria o erro de ficar naquela merda. Reclamava das panelinhas, reclamava que os vencedores do AnimeKe ganhavam duas, três vezes…

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Sendo, como disse, pobretão, sem ter onde cair morto, passando por coisas que um moleque de condomínio nunca passaria, tendo de dormir em casinha de boneca para não morrer congelado na rua.

Hoje, eu creio que, não obstante certo desgaste dos eventos, as mesmíssimas coisas se mantém: dos gordões (e dos magrões) sonhando com uma namorada japa à gostosas sendo cosplayers pra serem cobiçadas, além de angariarem fãs. Existem muitos jovens carentes, mas uma coisa é você estar num nível em que há alguém querido para interceder por você.  Conforto, amor, grana no bolso. Outra é você se virar por aí e gastar o pouco que tem para permanecer vampirizado, e ainda assim, sair usado. Você volta pra rua, eles pro apê na Tijuca ou na Barra.

Graças a Deus e à minha consciência eu saí desse mundo.

 

ATUALIZADO: 09/08/2016

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2 comentários sobre ““Evento de Anime é Droga e causa Dependência”

  1. Marcos disse:

    O problema aí não é o cosplay em si, mas VOCÊ…Na época em que voce se fantasiava e participava dos encontros, cantava, aplaudia, etc. voce não achava bobagem, voce gostava. Hoje pode até racionalizar sobre ter sido perda de tempo, e tal, mas pra alguém “perder” 3 anos da vida participando de algo tem de gostar da coisa. Ou ser burro. Ou os dois.Já fui em muita convenção da frota estelar quando era mais novo. tinha uniforme e tudo mais. Eu era (e sou) fâ vidrado de star trek, mas não vou a uma dessas convenções ou coloco o uniforme em mais de dez anos. não só eu , mas dezenas de outros trekkers, por vários motivos, entre eles o fato da internet ter tirado a graça de ir naquelas convenções pra ver algum video raríssimo ou um episódio não exibido da série, coisa que na época só era possível nesses encontros, mas que hoje qualquer um consegue em 2 minutos fuçando no youtube.Pelo fato de nenhum seriado novo estar sendo exibido desde muito. Por estar segunidno outras séries, e por afinal de contas não achar mais tão bacana sair por aí com trajes da federação…mas eu NUNCA vou saír por aí cuspindo nessa época.foi bom, passou e lembro com carinho.

  2. David disse:

    Tu é o Arvin?Não, eu não gostava. Pra falar a verdade, nunca gostei de verdade em alguma coisa de eventos a não ser algumas otakinhas. Eu era aquele tipo de gente que seguia a manada, tentava gostar, mas sempre me senti vazio por dentro. E eu era burro. Até porque eu considerava isso como um tipo de diversão,apesar de eu nunca ter me divertido de verdade, como eu disse. Me viciei pela coisa da mesma forma que um fumante por seu cigarro. Vc sabe que é uma merda,acha ruim mas continua fumando.

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