Eu estive pensando em falar um monte de coisas aqui sobre leis, etc e tal, mas não queria deixar isso aqui mais chato ainda. Nesses dias estive meio ocupado vendo a publicação do meu livro, algumas coisas já começaram a andar: finalmente imprimi o sujeito todo (se bem que saíram menos páginas que antes, achei que fosse algo mais que 200 páginas. Acho que rolou bem mais que isso) e amanhã vou registrá-lo na Biblioteca Nacional. Se bem que seria bobagem alguém dizer que a “obra” é da pessoa, já que esse livro não teria tanto valor assim. Brincadeira. Essa semana mesmo eu tentarei retormar meus contatos com a editora Rocco, ou qualquer outra que puder ter a disposição de publicá-lo. Pelo menos até o fim desse mês eu terei algum parecer.

Mudando de assunto, acho que ficarei um bom tempo no Plínio Marcos até melhorar minha situação e eu souber me sustentar por si próprio. Tá um pouco complicado, eu tinha planejado ficar lá até o fim deste semestre, mas há semanas que tinha pensado “não dá pra ser orgulhoso e sair daqui, pois não quero regredir”. Apesar de ter uma situação melhor que a Fundação Leão XIII, é um saco no que condiz sobre a relação com as pessoas. Não tem muita gente disposta a encher o saco, a maioria do pessoal é de 40 anos pra cima, o que é melhor. Os jovens são poucos, escassos. Mas mesmo assim foi até previsível em sacar que ao menos um deles tem o dom de encher o saco. Daí eu tenho de ser obrigado a não gostar da pessoa, mas isso para alguns é uma espécie de desafio, torna as coisas mais interessantes. Sei lá, eu não consigo conversar com qualquer pessoa. Mal sou gentil o suficiente para dar informações na rua, quando a pessoa vem em minha direção quando estou esperando o trem ou o ônibus penso: “Essa vai querer pedir informação pra mim”. E pede. Raramente sou surpreendido. Quando estou de bom humor o faço numa boa, mas não é sempre. No caso lá da instituição, ao menos 96% dos usuários não tão nem aí pra minha pessoa, o que é melhor. Minha intenção não é ser amigo da galera de lá mesmo. Nem que fosse em troca de alguma coisa. Sou seletivo demais e chato. Isso só muda quando vejo que uma menina (é, sempre uma menina) tem um certo potencial. Potencial pra me aturar, mas eu próprio não me acho um bicho de 7 cabeças, apesar de tudo. Enfim, o chato nunca se acha chato, né? Porém, eu me acho. Tem gente muito mais chata que eu, claro. Como tem poucos jovens no abrigo os que estão lá querem falar com os demais da idade deles. Primeiro foi o cheirador que um dia me abordou quando eu estava há alguns metros do abrigo, implorando para que eu não o denunciasse, já que ele gosta de deitar o nariz na cocaína. Eu nem cheguei a ver o sujeito, ele que – andando de bicicleta – me viu primeiro. Eu tava indo em direção ao morro da Mangueira e ele também, achou que eu estava querendo fazer a mesma coisa que ele. Mas eu não iria pro morro, minha escola ficava naquela direção. Sorte que não nos falamos no abrigo e nem lá fora.

“Olha, eu vou ser sincero com você, cara. Eu cheiro”.

E daí? O que eu tenho a ver com isso? Acho que nem se fosse meu irmão eu iria me importar.

O outro é um novato que vivia alardeando o quão a sua preciosa vida estava mudando pra melhor. Começou o PROJOVEM e falou pro sujeito que dorme na outra beliche do nosso quarto que isso e aquilo…falava indiretamente pra mim, era pra chamar minha atenção. Como se eu estivesse ainda cursando isto. E falou no dia seguinte, enquanto estávamos saindo. Na hora do almoço, quis sentar perto de mim e me olha quando ocorre alguma coisa “assustadora” aos olhos humanos quando estou em uma outra mesa. Mal olho pra ele, até hoje meus olhos raramente são direcionados às fuças masculinas. Mas claro que o sujeito, jovem vendo que eu também su um jovem quer porque quer fazer amizade, conversar, se desvencilhar da solidão que aflige seu peito. Daí, o “alvo” fui eu. Foi até previsível.

Agora que falei com ele, acha que sou seu amigo ou algo do tipo. Felizão. Todos sabem que é próprio do jovem se enturmar com os demais jovens, eles não querem falar com os “velhos”. Ao contrário de ao menos 90% dos jovens do mundo, eu me sinto muito bem falando com gente mais velha. Especialmente com mulheres. É que acho que a maioria dos jovens de hoje são um bando de inúteis mesmo. Até algumas de minhas colegas se encaixam no perfil. Até pensei em dar um passa-fora discreto no sujeito e provavelmente darei. Esse é o melhor jeito de tratar os jovens de hoje? Não. Mas tenho poucas cartas pra fazer um leque de opções, como sempre.

“Ah, eu estou cursando o PROJOVEM”, “aquela biblioteca da Central do Brasil empresta livros”, Eu não ligo pra nada disso. De chato já basta eu, não quero ninguém pior que eu nos meus calcanhares.

Fosse uma menina, tudo bem. Mas um espinhudo…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s