La victoria de "El Bonitón"

Fiquei surpreso comigo mesmo por não ter me aborrecido com o resultado das eleições para prefeito deste ano. Começaram de modo até um pouco mais…eclético que das demais capitais, e nem preciso frequentar todas estas cidades pra saber. Tivemos candidatos para todos os gostos: uns que certamente iriam chegar entre os 3 primeiros (Eduardo Paes, Fernando Gabeira e Marcelo Crivella), os “medianos”, mas com algum tempo de estrada (Jandira Feghali, Solange Amaral), os novatos (Alessandro Molon, petista que foi abandonado pelo próprio líder do partido) e os que não iriam vencer nem em 100 anos (Felipe Pereira, Vinícius Cordeiro, Paulo Ramos)…até aí o Rio não era tão dividido assim, porque mesmo com numerosos candidatos a maioria das pessoas já tinha como preferível uns 3 ou 4 deles. Primeiro turno eu acabei ficando surpreso, pois achei que o safado do Crivella fosse disputar com o Paes, mas no lugar do crente entrou o Gabeira, deputado decente e – injustamente – é mais conhecido por desfilar de tanguinha na praia há algumas décadas atrás. Crivella foi o principal culpado pelo assassinato dos 3 moleques do Morro da Providência pelos militares, estes que protegiam seu projeto eleitoreiro chamado Cimento Social. Simplesmente pegaram os caras e levaram eles até o morro da Mineira, de facção rival e entregaram pros traficantes. Mesmo o Crivella não tendo matado os piás diretamente, teve culpa por isso. Ou seja, já era pra Justiça ter comido o rabo dele, mas isso aqui é Brasil, amiche.

O evangélicuzinho (que é bispo licenciado da Universal e que tentou a todo custo tirar sua associação com a empres…digo, igreja) foi ignorado pela maioria, não quis comentar sua derrota e no segundo turno prestou seu apoio a Paes, este morador da Zona Oeste, que já foi vereador, sub-prefeito várias vezes, Secretário Municipal do Meio Ambiente e o escambau. Tá, tinha gabarito. Mas, a gente olhava pra cara do moleque e constatava que iria arregar se fosse cuidar de uma cidade tão grande e imprevisível como essa. Quase 6 milhões de habitantes e problemas mil. Paes tinha os “melhores” apoios e divulgou eles no Horário Político como se fossem suas únicas e melhores fichas, o trabalho conjunto com o governador Sérgio Cabral e o presidente Lula. Também tinha a preocupação extra com a saúde, flagelo antigo do povo e que precisava ser ao menos atuante nesse quesito, ao contrário do atual alcaide, Cesar Maia, o pior que já tivemos. Sua campanha era mais calcada na seriedade e em palavras que deram alento ao povo, como as promessas. Isto foi ao que faltou no meu canditato, Gabeira.

O mal do velho é que ele simplesmente colocou em sua campanha a verve “relaxada” que o caracteriza. Nada de promessas, apoiado por músicos e atores (a maioria moradores da Zona Sul, como ele), musiquinha do Lulu Santos que só explicitava seu jeito “avoado”, como se falasse: “vai ficar tudo bem, faremos um ótimo governo, um governo relax, na boa, tranquilo”…tinha dado certo no primeiro turno, mas assim como eu alguns caras ficaram preocupados com este estilo, já que o Gabeira poderia ser ao menos um pouco mais ativo em suas propostas. Ou seja, o povo quer promessa, quer ouvir o sujeito falar mal dos adversários. Daí, ele só conseguiu falar mal da vereadora mais votada do Rio, Lucinha, moradora da Zona Oeste, que foi acusada de ter um pensamento “suburbano”. Certo de que isso iria pesar no dia 26 de outubro. E deve ter sido isso que o impediu de não ter sido eleito. E a falta de promessas. E a sua postura superficial, inclusive.

O Paes me lembra o Cabral. Tem a mesma oratória, praticamente a mesma voz. Até as roupas são parecidas. Trocou de partido como quem trocou de roupa: já foi Verde, petista, tucano…se o cara troca tanto de partido assim é porque almeja poder e viu que tais partidos foram um impecilho para isso. Simples. Antes chamou Lula de “Chefe de quadrilha”, que na opinião duma amiga minha era mais grave que o Gabeirão chamar a Lucinha de “suburbana”. Agora posam para fotos de mãos dadas junto com o governador, só faltam se beijar.

Fiquei particularmente feliz pelo Gabeira ter perdido com uma votação apertada. Isso provou que o Rio ficou realmente dividido e o candidato foi levado a sério. Sua atitude “noiada” com um misto de seriedade conquistou muitos, inclusive este que vos escreve. E eu ainda considero o Paes um moleque, pois ele vai penar para administrar essa cidade. Não será a mesma coisa que administrar bairros como a Barra da Tijuca (um areal que ainda deveria ser um areal) e Jacarepaguá. Lá é seu terreiro.

Vamos confiar.

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