Perdemos


Eu gostaria que a vitória de John McCain fosse concretizada, claro. Um “chupa, obamistas” cairia muito bem, mas fazer o quê se o Barack foi eleito? No momento em que soube dessa notícia eu estava na praia da Barra da Tijuca, havia passado a noite inteira lá, imitando os gestos do meu falecido pai, simplesmente pescando. E acabei não pegando porcaria nenhuma, o que só evidenciava que a manhã de hoje não começaria bem. A minha sorte é que eu e minha acompanhante tínhamos comprado alguns lanches, fizemos uma tenda e relembramos os velhos tempos. Eu morro de medo de raios (acho que é a única coisa que me dá medo nesse mundo), mas só caiu uma chuva fina e ela ficou fora da tenda a maior parte do tempo. Ela era simpatizante ferrenha do Obama, mas já dava pra sacar que parte de seu apoio ao sujeito – que até pouco tempo ninguém sabia de onde era e de onde veio – vinha da mudança que ele estava propondo, passar uma borracha nos 8 anos de gestão do maldito Bush e concretizar os “novos e bons tempos” não só pros estadunidenses, mas pro mundo todo. Falei pra ela que eu acompava também as eleições presidenciais da França em 2006. Eu era Ségolène Royal desde criancinha, pois sempre tive uma tendência (ui, que chique) a propostas esquerdistas (retirada das tropas do Iraque era uma delas). Mas eu fazia questão de torcer contra o Barack.

“Ah, mas por quê?”, perguntou a lourinha nerd. “Ele até é parecido contigo, um moreno bonitinho”. Se fuder, tá? O jovem senador por Illinois falsificou sua certidão de nascimento. A partir disso ele é indigno de confiança. Escondeu sua simpatia islâmica, além de passar propostas mais calcadas na fantasia do que na realidade. Como eu disse a ela antes, queria puxar um bonde pela Hillary Clinton, porque além de ser cara e focinho da minha madrinha (haha!) ela era a democrata mais preparada para ser presidente. Está certo que até lá nos SAZUNIDUS o povo gosta de ser enganado e adoram ouvir propostas que nunca serão feitas, mas deu para entender porque elegeram o queniano. Agora, a Mídia poderá falar sobre isso à vontade até o Natal. Com razão. O povo (não só o estadunidense, mas mundial) quer mudança. Dane-se se o Barack for um falso, isso inevitavelmente será mostrado com o passar dos anos, mas é inegável dizer que os SAZUNIDUS evoluíram muito em relação a isso: elegeram um mulato (novamente digo, negro é o meu piru), algo que na infância dele era impensável e poderia até ser motivo de chacota. Naquele tempo a segregação racial era enorme, especialmente no Sul do país. McCain era visivelmente diferente do Bushinho, dava para ver isto. Tinha um currículo deveras atraente, um histórico de guerra considerável, mas isso acabou não pondo mesa. O fato de elegerem um mulato já seria a prova de que o mundo estava mais “palatável”. Mas o “novo estilo” de política que o Obama quer passar só poderia fazer sentido num sistema socialista. Ele representa uma novidade e talz, mas claro que ele irá precisar – e muito – de ajuda para gerenciar as coisas. É um ótimo orador, fala como estadista (lembra até o Hitler, que também emocionava milhões) e justamente com este estilo que angariou simpatia principalmente entre os jovens. Com a eleição do Barack, as “minorias” (não só os negros e mestiços) tomarão o poder.

Daí, passamos a noite toda comendo ovo cozido e lula seca. Tive que acordar a mina, estava dormindo em cima dela, a tenda ameaçava cair tal qual uma lona de circo e com as sobras de comida quase indo na nossa cara. Limpamos tudo e fomos embora. Não antes de tomarmos um banho de praia, claro. Ajeitou seu biquini preto e minha bermuda florida caiu umas 3 vezes…propositalmente. Discutimos pra caramba sobre o resultado dessa eleição no ônibus. Eu tava aborrecido, e ela sabendo que não adiantaria de porra nenhuma me dar conselhos tratou de me fazer um carinho (Gilberto Barros ficaria intrigado, amigos).

Eu tinha perdido a guerra. O resultado era o que todo mundo queria. E o que eu mais quero no mundo é ser surpreendido por ele. Não dá mais pra ficar chorando pela Hillary.

Agora, dá licença que ainda tem muito sal na minha cabeça. Vou tomar um banho.

CHUPEI. Eu e o WASP (White, Anglo-Saxonian and Protestant).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s