Aline: Lixo

A Rede Globo sempre anda tentando empurrar algumas séries novas pro público nos fins do ano. Dependendo da audiência eles a colocam como série regular, mas talvez se a mesma naufragar eles tornam a exibir uma “parte 2” no final do ano seguinte, como se dissessem: “vamos ver se eles aprovam, agora”. Certamente não acontecerá com “Aline”, série inspirada nas tirinhas politicamente incorretas do cartunista brasileiro Adão Iturrusgarai. “Aline” conta as desventuras duma jovem com seus dois namoradinhos. O que nas tirinhas são situações recheadas de nonsense, piadas eróticas e situações idem que costumam funcionar numa boa, a adaptação da série não consegue desferir a mesma “pegada” que no papel: a parada já começou a dar sinais de que daria errado por ser…uma série da Globo! Talvez, só a MTV poderia transfigurar para o live action de maneira mais ou menos convincente. Maria Flor pegou o principal. Apesar de ser uma patcha gostosa, não convenceu. E nem digo pelas escassas semelhanças físicas com a personagem do quadrinho: a Aline global só tem a tatuagem de coração da original, os cabelos são negros e curtos (enquanto que a “de lá” são ruivos). Segundo quesito é a interpretação: tanto ela quanto Pedro Nechling e Bernardo Marinho (seus dois namorados) não convencem. Maria Flor parece que está com um script invisível o tempo todo, sua atuação é mecânica, tentando alternar o sotaque paulistano (feito para a série) com seu natural carioca, tipo o da Camila Pitanga na novela “Belíssima” (2005), que também se passava em Sampa. Nechling é uma negação na maneira de emular o sotaque paulistano enquanto Bernardo mostrou-se o mais esforçado do trio, provou-se o mais à vontade em cena.

As piadas são sem graças e MUITO previsíveis. O psiquiatra de Aline pergunta qual é sua média de sexo e ela já desce uma piadinha nível Allan Sieber. Quando ela faz a mesma pergunta para o profissional, ele manda algo que até minha avó sabia: “minha média de sexo é 3 vezes…por ano”. Vá tomar no cu. Os diálogos são tão manjados quanto as piadas. A trilha sonora foi inserida de um modo que deixa as coisas mais forçadas ainda, culminando com a dancinha no parque ao som de “Alala” do Cansei de Ser Sexy (ou CSS, como são chamados na gringa). Logo após, “You Know Im No Good” da Amy Winehouse. Porra, mandaram alguma música dos Klaxons ou Arctic Monkeys, também? Apareceram os indies da Vila Madalena? Apareceu o Outs, A Torre? O Miranda fez uma ponta?

A única coisa boa do piloto foi a bundinha da Maria Flor. Certo que eu comeria, tu não? Desde os tempos de “Malhação” que ela merece uma conferida…

Tudo calcado na “pau no coolzice”, para agradar quem anda de tênis All Star, Vans, lê a NME e que coloca frases em inglês em seu perfil do Orkut. Os homens que curtem coisas “artê” e que gostam de dar o cuzinho. As mulheres chatas pra caralho e levemente acima do peso ideal (ou abaixo). Certamente não iria agradar o grande público. E por isto mesmo que não passará do episódio piloto.

Assista por sua conta e risco.

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Publicado em: TV

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