Aniversário…e daí?

Sim, mas não sei o que comemorar. Na verdade a comemoração começará amanhã, então hoje seria o “aquecimento” fazendo as mesmas coisas de sempre: escrevendo, tentando dormir e escrevendo. Não consigo dormir por muito tempo, acordo 6 da manhã e durmo meia-noite, minha alimentação é bastante irregular desde 2003 (óbvio que o corpo já se acostumou), mas o aniversário em si não me preocupa tanto assim. O que me preocupa é o fato de não conseguir concluir meu livro. Desde 2008 estou prometendo isso, já comecei, recomecei uma porrada de vezes, e isso porque sou perfeccionista. A história é bem idiota, apesar de inusitada: 3 pessoas de nacionalidades diferentes, mas parentes (se enésimo grau) tentam achar a cura de uma doença cara que acomete apenas sua família. No fim do século XIX o clâ foi afetado pelo sangue de uma criatura mitológica, o Rokurokubi, misturado no arroz vermelho que eles cultivavam e comiam. Como a história se passa nos tempos atuais, fica complicado enfiar uma criatura que nunca existiu na história, mas essa não é a única das doideiras do livro. A cidade apresentada na trama na maioria das vezes é o Rio de Janeiro, mas um Rio um tanto anacrônico: bondes são o transporte público principal, o Aterro do Flamengo não existe, o morro do Castelo ainda se preserva firme e forte na região do Centro, indígenas povoam parte da Zona Rural carioca e interior do estado, charretes, carros pouco a pouco são difundidos ao mesmo tempo em que o povo dispôe de aparelhos tecnológicos (computador, IPod, televisão à cabo, telefone celular), junta isso com um prefeito gay (nada contra quem curte dar ré no quibe) acostumado a mudar tudo o que não gosta e voilá. Se eu escrevesse sem me preocupar com nada já teria terminado, está previsto para ter 300 páginas. Mudo o tempo todo por conta da vergonha alheia que percebo após escrever: palavras e frases repetidas (do tipo: “Certo que…”), personagens mal explorados (como Elizabeth, a gótica que foi melhor trabalhada), entre outras coisas. Não dá pra escrever um livro de qualquer jeito. Lembro que quando comecei a tornar esse desejo realidade eu morava no Rio e desprovido de recursos fui, ingenuinamente, à Prefeitura buscar patrocínio. Muito enrola enrola para uma resposta que eu já previa. Terminei e me escorei na Editora Rocco (conhecida por publicar Harry Potter), meu livro tava uma merda, cheguei naquele ambiente refrigerado “suado de obra” – na época eu não percebia estes erros – e meses depois recebi uma carta dizendo que não poderiam me publicar “apesar das aparentes qualidades”. Sinceramente, acho que não teve qualidade alguma. Não sabia escrever mesmo e cometia um erro atrás do outro, as histórias eram superficiais, algumas embebidas em boas idéias, mas mal executadas. Não adianta você tentar pôr uma história de um pai de família que tem o dom de virar menina quando quiser (e ele usa especificamente para tirar vantagem alheia), estipular mais ou menos o número de páginas e já dissecar tudo na página 30, ou então inventar histórias paralelas que se envolvam tanto a ponto de deixar a “primal” em segundo plano, entre outras coisas. Já comecei errando ao fazer uma historinha de bosta, depois só ladeira abaixo, sem contar que só a idéia de proporcionar uma leitura falha a quem compra/pega emprestado é péssima. Não quero ser reconhecido como um péssimo escritor, ninguém quer, por isso mesmo que estou mudando constantemente até alcançar a “perfeição”. “Ora, mas se chegar à ‘sua’ perfeição não quer dizer que quem ler achará grandes coisas”, poderiam dizer. É claro, mas precisa passar pelo meu crivo, porra!

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