Inveja e criatividade


Eu nunca imaginei que pudesse obter o sentimento de inveja tão cedo. Digo, não tão cedo e o tipo de inveja não é aquela ruim a ponto de praguejar contra uma pessoa, contra umas pessoas, etc. É o que a tal Mariana Ximenes diz no comercial do batom, “inveja boa”. É isso, eu tenho uma inveja boa. Bom, ela não é assim tão boa, pois me faz lamentar a minha falta de talento para com algumas coisas. Quer que eu passe a bola logo de uma vez? Beleza, chega de ficar enrolando, tremenda coisa de viado esse hábito de encher linguiça, mas quem curte ler simpatiza…ou não.

Seguinte, como vocês sabem estou escrevendo a porra de um livro há uns 2 anos desde que comecei a ter a primeira idéia sobre ele. A premissa mudou bastante de uns tempos pra cá, pois nos primórdios eu era apenas um moleque juvenil que não acertava de maneira alguma a transposição dos pensamentos loucos e imaginações perturbadoras (ih…) de dentro da minha cachola pro papel ou pra tela do computador. Como disse antes, não adianta ter ótimas idéias se não tem a capacidade de organizá-las, deixá-las em fila e utilizá-las de maneira coerente, a ponto de não deixá-la misturar, virar aquele guisado, maçaroca do caralho que nos faz esquecer de coisinhas aparentemente tolas e insignificantes, como por exemplo, esquecer que a professorinha ruiva apaixonada pelo indiano Sidney se chama Leda e que a zeladora do colégio liberal na qual exerce a profissão se chama Edite. Isso é fácil de memorizar, mas esqueci algumas coisas e me veio a decisão de recomeçar o livro novamente. Tal decisão tornou-se mais do que certa agora que estou vendo o “Medo e Delírio em Las Vegas” (pica relatada, tal qual aquele fórum de imageboards que frequento), dirigido pelo Terry Gilliam (do Monty Python, odeio esses caras) e estrelado pelo Johnny Depp, que simplesmente não consegue fazer personagens normais. Os que são normais acabam sendo loucos, como o jornalista Hunter S. Thompson que ele interpreta na película. Thompson é conhecido pelo jornalismo gonzo, mais ou menos o hábito de entrar “dentro” da reportagem, de participar da ação. Normal até aí, mas ele costumava encher o cu de entorpecentes (ficando LOKS DI DROGYS obviamente) e bebida. O filme é maravilhoso pelo Depp, incorporado no personagem como só ele (mentira) consegue fazer e pelos diálogos instigantes. Seu advogado igualmente doidão vivido pelo Benicio DelToro também está ótimo, vocês precisam ver a sequência em que ele pede pro Depp jogar o rádio na banheira que está durante tal música. O rádio precisa ser jogado dentro no auge da música. Os surtos são legais, as maluquices são legais e acabei sorrindo e rindo pra caralho como nunca diante um filme, olhe que ultimamente estou sorrindo demais, sorrindo para as crianças e mulheres na rua, dando aquele “tchauzinho” básico que acaba se tornando um “oizinho” para a deficiente mental próxima à minha rua. Mas, o que a bosta da inveja tem a ver com isso tudo?

Tenho inveja da criatividade alheia. Não da criatividade simples, mas da suposta criatividade obtida em trips, em drogas, bebidas e qualquer outra coisa que o valha. Pelo que sei até hoje ninguém confirmou se a pessoa escreve, filma bem se estiver entorpecida, embriagada, etc., mas algumas obras-primas são conhecidas por terem sido concebidas pelo estado mental “esquisito” de seus autores. Estaria eu subestimando a capacidade dos caras, seu talento e o caralho à quatro? Eles poderiam construir uma obra prima de tal magnitude se estivessem sóbrios, limpos? Não sei. Eu já fui extremamente criativo quando criança e adolescente. Não tinha nada pra fazer em casa, inventava brincadeiras, inventava até minhas crenças, brincava de lutinha e aperfeiçoava minhas habilidades marciais (qualquer um pode fazer isso,oras), enquanto 2 ou 3 fantasminhas camaradas me chamavam de “maluco” por fazer um solo de karatê, kung fu, boxe, capoeira e taekwondo. Qualquer coisa que você fizer hoje em dia pode ser suficiente pra ser chamado de “maluco”, as pessoas estão acostumadas a lidar com o “normal” e não com “anomalias”, mas o que significa exatamente o “normal”? Ok, não vou desvirtuar o assunto…

Eu vejo essa cambada que faz livros maravilhosos (na minha opinião, não dos outros) e penso que só poderia chegar a este nível sob efeito dum Lsd, cachaça ou merda de vaca. Vou dar um exemplo bem simples: JK Rowling. “Harry Potter and the Half-Blood Prince” é o melhor livro da série, apesar dos detalhes serem bastante simples foram extremamente bem executados. Muita, mas MUITA coisa ficou de fora na versão filmada, fazendo a película uma das 3 mais frustrantes do ano – as demais foram X-men Origins Wolverine e a outra ainda virá. A mulher, muito bonita, tirou a sorte grande e é bilionária. Utilizou de coisas simples para dar segmento aos livros e venceu. Eu estou colocando coisas ditas “complexas” e possivelmente se for publicado não será elogiado e reconhecido como se deve. Eu tenho um roteiro bão em mãos, mas me perco e observando outras mídias quero acrescentar mais coisas, inspirado nas idéias alheias. Não, não chupinho. O máximo que faço em matéria de chupinhação é se inspirar em tal atriz para compor uma personagem. No caso da guria Bonnie Silvestre – filha do protagonista Sidney – inspirei-me na atriz Bonnie Wright, de Harry Potter. Você deve pensar que, só porque sou fã de Harry Potter as probabilidades do livro serem uma merda são altas. Compreendo perfeitamente. Então, eu quero ter essa criatividade, mas de forma natural. Até tenho alguns gomos nas mãos, mas é necessário utilizá-los de uma forma boa e trabalhar a memória para que eu não esqueça de coisas simples.

Vou tomar um banho porque tá calor pra caralho, dá licença.

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