Isabela Nardoni, The End of Judgement

JÁ CHEGA DESSA PORRA, NÃO? ACABOU, NÉ?

Todo este bafafá em torno do julgamento dos assassinos da menina encheu o saco, é claro. Após uns 5 dias de julgamento o pai Alexandre Alves Nardoni foi sentenciado a 30 anos e sua mulher (e madrasta da criança) Anna Carolina Jatobá, a 25 aninhos, mas é certo de que tenham chances de sair da prisão em menos tempo. Ok, o clamor popular, adquirido de forma piegas e instantânea do mendigo, passando pela dona de casa e terminando no parlamentar foi essencial para patentear o veredicto dado pelo juiz, etc. Todos sabíamos que terminaria desta forma, mas particularmente, desejava com todas as minhas forças de que o casal fosse absolvido, deixando todos imersos em uma verdadeira Pegadinha do Mallandro. Você sabe que o povo merecia engolir a frustração mais do que ninguém. “Ah, mas e quanto aos sentimentos da mãe, e quanto à memória da criança?”, você poderia perguntar. O problema é que isso pouco foi levado em conta. Toda aquela massa clamando por justiça, engrossando cada vez mais o coro dos sedentos de sangue e punição, esse espírito foi subjugando cada vez mais as necessidades de Ana Carolina Nardoni e sua falecida filha Isabela. Ana realmente merecia os novos e instantâneos “melhores amigos”, tão afogados pela ira burra e cega a ponto de presentear os demais com demonstrações ignorantes como nesta imagem acima? Sim, podemos dizer que a turba de idiotas (incluindo os retardados que saíram de outros estados para baterem ponto em frente ao fórum) + o depoimento choroso da linda mãe (e bota “linda” nisso, ela seria suficiente para qualquer homem) foram pedra fundamental para o desfecho – previsível – do caso, mas imagine se não tivesse esses milhões de comovidos. O resultado seria o mesmo.

Nem direi coisas como “o crime só gerou esta popularidade por ser na classe média-alta”. Claro que não, e aquele drama todo da piriguete Eloá, estão lembrados? Neste, a mídia – que sempre procura um caso para render durante um ano inteiro – arrebentou com a vida dos acusados, até para dar uma aliviada nos ogros de plantão espalhados pelo país, no caso Eloá (e da miguxa lourinha e bonitinha que levara um tirambaço na boca, sobrevivendo) abriram um sub-plot prendendo seu pai, nordestino acusado de fazer parte de um grupo de extermínio no passado.

A impressão é de que toda esta novela terminou, mas sabemos que a banda não toca dessa forma. Possivelmente, até o fim do ano teremos gente falando sobre a situação. Quase sempre a mídia foca em tragédias envolvendo crianças, estivemos bem servidos nestes últimos anos: João Hélio, João Roberto, Gabrielli Cristina Eichholz…o infanticídio não terá fim, por mais que esperneemos, infelizmente um prato cheio, um deleite para os inquisidores instantâneos.

Karina Buhr – Eu Menti pra Você

Acantora, compositora, atriz, percussionista e desenhista Karina Buhr nasceu no estado da Bahia, mas foi criada em Pernambuco, onde começou a flertar com a MPB (a despeito dos muitos músicos que tomam o estilo mangue beat para si). Karina (já tarimbada na música comandando grupos como Comadre Fulozinha) apresenta para o grande público o álbum “Eu Menti pra Você” , seu primeiro álbum solo. Radicada em São Paulo, Karina mostra neste disco a diversidade musical adquirida após anos de trabalho, desvencilhando-se de um estilo xoxo ou pretensiosamente “maluco”, duas vertentes usadas na MPB recentemente.

MGMT – Congratulations


The Second CD of MGMT was exactly as i thought. WEAK

Fãs de qualquer banda ou cantor/a sentem-se frustrados quando um segundo cd de seu artista favorito mostra-se bastante aquém ao primeiro, que normalmente fora do bom ao ótimo. Sempre acontece. No caso do duo de Nova York MGMT conseguiram seguir a pecha do “Fantasma do Segundo Disco” com perfeição. Andrew VanWyngarden (o queridinho das meninas, à esquerda) e Ben Goldwasser surgiram com o ótimo “Oracular Spectacular” em 2008, angariando fãs (sabe-se lá porquê em sua maioria homossexuais) por todo o mundo, enchendo os tubos de dinheiro, viajando o planeta derramando seus shows mezzo psicodélicos (que quase sempre combinavam melhor nos discos que ao vivo), mezzo dançantes. Tocaram aqui no Brasil, no Tim Festival, onde revelaram ser péssimos em palcos que não fossem pequenos. Os 2 jovens músicos ainda tinham muito o que mostrar com suas músicas bem escritas, videoclipes únicos e indumentárias coloridíssimas. Venderam seus peixes, se deram bem. Após tanta espera, foi “vazado” o segundo cd dos rapazes, este “Congratulations”. O que falar sobre o mesmo?

Weak. Como eu disse. Fraco. Nós, fãs teimosos que somos, SEMPRE esperamos que o segundo seja melhor que o primeiro ou ao menos “pau a pau”. Também sabemos que o “Fantasma do Segundo Disco” assola qualquer tipo de músico, ninguém – até que provem o contrário – é infalível. Daí, o MGMT comete o mesmo feito do CSS (Cansei de Ser Sexy): fazem do segundo cd o INVERSO do primeiro. Retiram toda a boa maluquice, os bons ritmos e se concentram em uma atmosfera mais íntima, (quase normalmente) mais seca, individual, e com isso, tornam-se iguais a qualquer outra banda por aí. Foi assim com o CSS (que ainda mesmo no primeiro cd tinha a impressão de que não sobreviveriam após aquilo) e é assim com o MGMT, que como o mesmo CSS carregava aura “inovadora” e curiosa em muitos sentidos. A impressão é que terminou para os rapazes, a fonte secou, a brincadeira acabou.

[Ventre] Livro

Minha vontade era de dar cabo dos meus antigos projetos relativos a livros que tentei escrever e que não deram certo. É a mesma coisa daqueles desenhos que você pretendia mandar para uma editora, e os deixou engavetados na promessa de que iria aperfeiçoá-los depois, saca? Daí, rola aquela sensação repentina de toar fogo em todos aqueles rabiscos…queria jogar essa porra toda no lixo (deletar, é claro), mas vou deixar aí, pro pessoal acompanhar o quanto eu era ingênuo na época. Falando nisso, fui ingênuo não só em relação a livros, mas em diversas outras coisas. Vou deixá-los intactos, até porque estou envolvido em um projeto decente dessa vez, mas houve preparação, é claro. De uns anos pra cá, melhorei meu modo de escrita, parei de repetir situações em histórias, os personagens deixaram de ser tão estúpidos e clichezados, os erros normais que eu executava quando fazia histórias em quadrinos – que nunca saíram da gaveta. A minha vontade é de dar fim aos rascunhos relacionados aos livros que estava tentando escrever. Mudança bem recente, essa. Como disse há algum tempo, juntei uma história pronta e encaminhei pra uma editora de grande porte lá no Rio de Janeiro, a editora Rocco, conhecida por publicar a versão brasileira de Harry Potter. Fui neles no intuito de dar uma visibilidade maior à minha “obra”, eles são uma editora mui requisitada, etc e tal, cresci os olhos, tinha de ter alguma ambição nessa cabecinha de alfinete…e me ferrei, pois além de não escrever bem e de mal desenvolver minha história – a idéia era uma biografia, sabe-se lá porque considero minha vida tãão sofrida para tal – cheguei ao recinto desarrumado. Não sujo (porra, aí seria demais, né?), mas mal apresentável, desarrumado mesmo e isso porque tinha rodado pelo Centro resolvendo outras coisas tão importantes quanto aquela, sem contar o calor senegalês que paira sobre a cabeça das pessoas daqui. Muito suor, muito sal. Meses depois recebi um notificado da editora dizendo que recusou meu trabalho, “apesar das aparentes qualidades” e isto dias antes de eu mandar um email para o falecido escritor gaúcho – e militante esquerdista, infelizmente – Fausto Wolff, que publicou parte de meu relato em um de seus artigos diários no Jornal do Brasil. Pedi divulgação pra quando o livro fosse publicado. Fora isto, contatei alguns artistas de baixa a alta grandeza, cometendo uns erros inacreditáveis – como copiar uma coisa que disse a tal pessoa a chamando pelo nome e colar no email de outra – além de entrar em contato com uma cronista do JB, que me prometeu auxílio em divulgação. E isto foi em 2008, onde eu tinha a alta infantilidade em relação à criação e elaboração de romances. Hoje, já não cometo mais estes erros. Estou lendo mais e com diversificação (desde J.K.Rowling até Günter Grass e Philip Roth), e neste meio tempo estou começando e terminando com idéias relativas ao livro que quero criar, elas nascem e morrem de maneira rápida. Há uns meses, minha última empreitada foi focar nas aventuras de dois personagens bem tarimbados em minhas histórias: Sidney Silvestre e Cristiano Mamiya. Estão envolvidos no clichê de serem melhores amigos, quase irmãos, mas com personalidades diferentes. Um é ambicioso, outro só quer ter uma vida simples longe das pessoas, todas estas características que vocês estão cansados de ler e ouvir por aí.


Título

“Womb” (Ventre) é relacionado à doença presente nos dois protagonistas, além de uns personagens secundários. Um mal gerado por um monstro mitológico japonês de nome “Rokurokubi“, representado por um ser de aparência humana durante o dia, mas de noite eles costumam esticar o pescoço a uma boa disância. Este mesmo monstro teria tido uma relação bastante esquisita com os antepassados dos dois protagonistas, envolvendo sexo e sangue. “Ah, mas eu ainda não sei o que o termo ‘Womb’ tem a ver com a história, dããã!”. Terá de ler o livro para saber, filhão.


Personagens

Sidney Silvestre é um indiano de Kerala, estado ao sul do país. Prega praticamente tudo o que sua religião (o hinduísmo) condena. É fanfarrão, mulherengo e mantém um carapaça superficial e altamente liberal. Também vive pela nostalgia, mantendo uma casa construída por parte de seus antepassados no Rio de Janeiro, além de integrar a associação de moradores do bairro onde vive e ser autor de vários projetos de conservação de construções antigas. Gosta da noite como ninguém, é festeiro, considerado a pessoa mais “feliz” da família e mantém marcação cerrada em sua filha única, a inglesa Bonnie. Mantém uma relação de vai e vem com Jong Su Hong, esta mais aventureira que ele. Atualmente é um bom empreendedor, tendo sua própria fábrica de refeições prontas estabelecida no centro do Rio.

Cristiano Mamiya é um japonês radicado no Brasil. Totalmente o oposto de seu melhor amigo, prega a misantropia, além do fato de até hoje não conseguir constituir família, pouco se importando com o que seus pais desejam para ele. De característica conservadora, mantém um peculiar fracasso nas coisas do coração, assim como as crises existenciais sobre sua pessoa e sobre o que poderá fazer no futuro, sabendo que em sua opinião seria péssimo morrer sem deixar um legado que prestase. Costuma flertar com frequência, na ânsia de ter alguém para amar. Apesar de ser japonês, faz parte da etnia Ainu, povo de origem russa que habitava o Japão antes da chegada dos que seriam a etnia Yamato, atualmente a maior do país. Tenta a todo o custo se enturmar, com o intuito de conseguir uma futura namorada. Trabalha como professor de Buhuwu (uma nova matéria de origem indiana), passando para a frente o trabalho inicialmente feito pela irmã mais nova de Sidney, que nutre uma paixonite por ele.

Jong Su Hong Norte-coreana de Sonbong (próximo à fronteira com a Rússia), está quase na faixa dos 50 anos e ainda assim se comporta como uma adulta jovem. Não têm local fixo para morar, nem grandes posses, mesmo dando remessas bimestrais de dinheiro à seus parentes na Coreia do Norte. Ex-participante de Reality show, ex-gerente de banco, ex- e atleta em ginástica artística por seu país, Su Hong viaja pelo mundo quase o ano todo, compensando a época em que fora presa por 15 anos. Consegue consertar (quase) qualquer material eletrônico, além de tratar a pequena ruiva Bonnie como a filha que nunca teve.

1 ano de Barack Obama: o que mudou?


O que mudou nestes 1 ano e quase 20 dias da posse de Barack Hussein Obama para cá? O que mudou para os Estados Unidos e para o mundo? Creio que vocês já sabem a resposta. Obviamente, tanto eu quanto o resto do mundo – entre simpatizantes ou não do eleito – esperamos com relativa avidez os trabalhos do novo presidente, do que ele iria fazer, se iria cumprir pelo menos a maior parte de suas promessas, se arregaçasse as mangas e colocasse as mãos na massa. Claro, pois embora muitos dos simpatizantes, dentro ou fora dos EUA, estressados com a gestão de 8 anos de George W.Bush (que teve uma boa biografia em filme feita pelo diretor comunista Oliver Stone), quisessem porque quisessem um homem digno para iniciar a mudança tanto aguardada, precisavam vê-lo mexer suas “mãos mágicas e magrelas”, é claro. O presidente mulato (oh, o quão a mídia tentou colocar sua raça em primeiro plano), senador que abocanhou o cargo em teoria mais poderoso do mundo em tão pouco tempo mesmo sendo um desconhecido, beneficiou-se do grande clamor popular e das facilidades da internerd. Na corrida presidencial venceu a família Clinton, de tarimbados políticos, também considerados ambiciosos e rancorosos. Já em pouco exercício do cargo, abocanhou ainda um prêmio Nobel da Paz, provavelmente concedido pela mobilização mundial em torno de suas promessas, que até hoje não estão sendo cumpridas. Sinceramente, não imaginava que os organizadores do Nobel chegassem a um nível de baixeza mesclada com pieguice dignos dos organizadores do Oscar, por exemplo. Deste 1 ano para cá (e até um pouco antes), descobrimos diversas coisas sobre a vida do filho da pai queniano com mãe estadundense: descobrimos que permite um de seus irmãos viver na miséria no Quênia, permite que sua mãe viva na miséria nos Estados Unidos, que antes disso teve boa parte de sua vida estudantil financiada por um extremista, que até hoje mantém-se um mistério sobre sua certidão de nascimento, entre outras coisas. Recentemente, foi publicado um livro denominado “Game Change” (dos jornalistas Mark Halperin, da revista Time e John Heilemann, da New York Magazine), que contava os bastidores da eleição presidencial de 2008, repleto de declarações bombásticas recheadas de preconceito racial, em que Barack Obama quase sempre fora vítima e em que o casal Clinton – especialmente o ex-presidente Bill – quase sempre sendo os autores, fora a incapacidade da candidata a primeira ministra Sarah Palin em fazer frente perante aos demais políticos.

Com a baixa aprovação de seu governo, Obama ainda está tendo dificuldades para lidar com a questão da saúde pública estadunidense, além de lidar mal com a crise financeira de 2009. Isso já saberíamos, pois como disse aqui, não o conhecemos o suficiente. Esta “cagada” (a eleição dele) tem como lição retirar o emocional de lado na hora dos estadunidenses irem às urnas, pois sabem que o político que elegem como presidente não será apenas presidente dos Estados Unidos, mas sim o representante de boa parte da democracia do planeta. Porém, todos sabemos que (in) felizmente o emocional move este mundo. Barack é um político frouxo, pois além das dificuldades já citadas e não superadas, atua como um primeiro ministro desde o primeiro dia de mandato, não colocando firmeza o suficiente em suas decisões, que na maior parte das vezes são erradas. Elegemos um messias e no lugar dele temos um fraco, um esqueleto pau-mandado de bambambãs que no futuro será apenas lembrado como o “primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América”. Um de seus poucos acertos está em não colocar a questão racial no meio de suas propostas, pouco falou sobre isto. É certo que entre os presidenciáveis do ano retrasado, Hillary era a mais preparada, não obstante sua agressividade e ambição – que até poderiam ser canalizados para algo bom, conforme o tempo. John McCain, o então candidato republicano vivia no alto de seus 71 anos, muitos duvidaram de sua capacidade devido à idade avançada – em certo comício ele errou o nome da cidade onde estava – Mitt Romney era mórmon, e poucos confiam nos seguidores desta seita. Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York, aguardou certo momento da eleição para dar o ar de sua graça, e se ferrou com o tiro saindo pela culatra. A briga mais intensa era entre Hillary e Barack, com uma vitória deste último após um bom tempo buscando apoio nos estados. Quase todos almejavam a mudança proposta por um político jovem e não tão marcado na política estadunidense.

Escolheram Barack Obama e estão pagando por isso. Não só eles. É certo que demorará para o presidente agir como presidente. E aí? O jeito é esperar mais alguns anos, certo? Não tem outra.