[Ventre] Livro

Minha vontade era de dar cabo dos meus antigos projetos relativos a livros que tentei escrever e que não deram certo. É a mesma coisa daqueles desenhos que você pretendia mandar para uma editora, e os deixou engavetados na promessa de que iria aperfeiçoá-los depois, saca? Daí, rola aquela sensação repentina de toar fogo em todos aqueles rabiscos…queria jogar essa porra toda no lixo (deletar, é claro), mas vou deixar aí, pro pessoal acompanhar o quanto eu era ingênuo na época. Falando nisso, fui ingênuo não só em relação a livros, mas em diversas outras coisas. Vou deixá-los intactos, até porque estou envolvido em um projeto decente dessa vez, mas houve preparação, é claro. De uns anos pra cá, melhorei meu modo de escrita, parei de repetir situações em histórias, os personagens deixaram de ser tão estúpidos e clichezados, os erros normais que eu executava quando fazia histórias em quadrinos – que nunca saíram da gaveta. A minha vontade é de dar fim aos rascunhos relacionados aos livros que estava tentando escrever. Mudança bem recente, essa. Como disse há algum tempo, juntei uma história pronta e encaminhei pra uma editora de grande porte lá no Rio de Janeiro, a editora Rocco, conhecida por publicar a versão brasileira de Harry Potter. Fui neles no intuito de dar uma visibilidade maior à minha “obra”, eles são uma editora mui requisitada, etc e tal, cresci os olhos, tinha de ter alguma ambição nessa cabecinha de alfinete…e me ferrei, pois além de não escrever bem e de mal desenvolver minha história – a idéia era uma biografia, sabe-se lá porque considero minha vida tãão sofrida para tal – cheguei ao recinto desarrumado. Não sujo (porra, aí seria demais, né?), mas mal apresentável, desarrumado mesmo e isso porque tinha rodado pelo Centro resolvendo outras coisas tão importantes quanto aquela, sem contar o calor senegalês que paira sobre a cabeça das pessoas daqui. Muito suor, muito sal. Meses depois recebi um notificado da editora dizendo que recusou meu trabalho, “apesar das aparentes qualidades” e isto dias antes de eu mandar um email para o falecido escritor gaúcho – e militante esquerdista, infelizmente – Fausto Wolff, que publicou parte de meu relato em um de seus artigos diários no Jornal do Brasil. Pedi divulgação pra quando o livro fosse publicado. Fora isto, contatei alguns artistas de baixa a alta grandeza, cometendo uns erros inacreditáveis – como copiar uma coisa que disse a tal pessoa a chamando pelo nome e colar no email de outra – além de entrar em contato com uma cronista do JB, que me prometeu auxílio em divulgação. E isto foi em 2008, onde eu tinha a alta infantilidade em relação à criação e elaboração de romances. Hoje, já não cometo mais estes erros. Estou lendo mais e com diversificação (desde J.K.Rowling até Günter Grass e Philip Roth), e neste meio tempo estou começando e terminando com idéias relativas ao livro que quero criar, elas nascem e morrem de maneira rápida. Há uns meses, minha última empreitada foi focar nas aventuras de dois personagens bem tarimbados em minhas histórias: Sidney Silvestre e Cristiano Mamiya. Estão envolvidos no clichê de serem melhores amigos, quase irmãos, mas com personalidades diferentes. Um é ambicioso, outro só quer ter uma vida simples longe das pessoas, todas estas características que vocês estão cansados de ler e ouvir por aí.


Título

“Womb” (Ventre) é relacionado à doença presente nos dois protagonistas, além de uns personagens secundários. Um mal gerado por um monstro mitológico japonês de nome “Rokurokubi“, representado por um ser de aparência humana durante o dia, mas de noite eles costumam esticar o pescoço a uma boa disância. Este mesmo monstro teria tido uma relação bastante esquisita com os antepassados dos dois protagonistas, envolvendo sexo e sangue. “Ah, mas eu ainda não sei o que o termo ‘Womb’ tem a ver com a história, dããã!”. Terá de ler o livro para saber, filhão.


Personagens

Sidney Silvestre é um indiano de Kerala, estado ao sul do país. Prega praticamente tudo o que sua religião (o hinduísmo) condena. É fanfarrão, mulherengo e mantém um carapaça superficial e altamente liberal. Também vive pela nostalgia, mantendo uma casa construída por parte de seus antepassados no Rio de Janeiro, além de integrar a associação de moradores do bairro onde vive e ser autor de vários projetos de conservação de construções antigas. Gosta da noite como ninguém, é festeiro, considerado a pessoa mais “feliz” da família e mantém marcação cerrada em sua filha única, a inglesa Bonnie. Mantém uma relação de vai e vem com Jong Su Hong, esta mais aventureira que ele. Atualmente é um bom empreendedor, tendo sua própria fábrica de refeições prontas estabelecida no centro do Rio.

Cristiano Mamiya é um japonês radicado no Brasil. Totalmente o oposto de seu melhor amigo, prega a misantropia, além do fato de até hoje não conseguir constituir família, pouco se importando com o que seus pais desejam para ele. De característica conservadora, mantém um peculiar fracasso nas coisas do coração, assim como as crises existenciais sobre sua pessoa e sobre o que poderá fazer no futuro, sabendo que em sua opinião seria péssimo morrer sem deixar um legado que prestase. Costuma flertar com frequência, na ânsia de ter alguém para amar. Apesar de ser japonês, faz parte da etnia Ainu, povo de origem russa que habitava o Japão antes da chegada dos que seriam a etnia Yamato, atualmente a maior do país. Tenta a todo o custo se enturmar, com o intuito de conseguir uma futura namorada. Trabalha como professor de Buhuwu (uma nova matéria de origem indiana), passando para a frente o trabalho inicialmente feito pela irmã mais nova de Sidney, que nutre uma paixonite por ele.

Jong Su Hong Norte-coreana de Sonbong (próximo à fronteira com a Rússia), está quase na faixa dos 50 anos e ainda assim se comporta como uma adulta jovem. Não têm local fixo para morar, nem grandes posses, mesmo dando remessas bimestrais de dinheiro à seus parentes na Coreia do Norte. Ex-participante de Reality show, ex-gerente de banco, ex- e atleta em ginástica artística por seu país, Su Hong viaja pelo mundo quase o ano todo, compensando a época em que fora presa por 15 anos. Consegue consertar (quase) qualquer material eletrônico, além de tratar a pequena ruiva Bonnie como a filha que nunca teve.

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