Filme "Vampire Girl Vs Frankenstein Girl"

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[Ventre] Cristiano e as mulheres


Cristiano Mamiya tinha sido concebido inicialmente sem este primeiro nome brasileiro, e com o sobrenome Mimizuki, retirado por ser considerado muito esquisito – por mim, claro. Nos primeiros esboços relacionados ao livro, o coloquei como produtor e diretor do departamento de novelas de uma emissora de televisão bem famosa, a terceira maior do mundo, com sede no distrito carioca de Jacarepaguá. Mandava e desmandava em seu setor, dentro do complexo teledramatúrgico encrustado em uma pequena cadeia de montanhas situada entre a localidade de Vargem Grande e Recreio dos Bandeirantes. Vários atores de gabarito – e outros nem tanto – passaram por suas mãos, era o número 2 da equipe principal, só abaixo da diretora geral. Não era tão encucado e mesmo aos 40 anos, uma negação nas coisas do coração, como acabou sendo sua versão final. Até hoje se mata na masturbação e tem um problema em manter um relacionamento, várias vezes por culpa de si próprio (e de sua neura, e de sua arrogância) e da pessoa (geralmente por futilidade e ênfase excessiva em motivos estéticos). Também nesta versão Cristiano mantém um relacionamento com uma amiga imaginária, algo tão tosco em um sujeito na meia idade que nem é preciso ser um gênio pra perceber o tamanho do dano proporcionado pela carência. É foda, sempre tem alguém pior que a gente e decidi colocar este “pior” no personagem, que já enveredou por relacionamentos amorosos na vida, mas efêmeros o suficiente para deixá-lo maluco, como aquela pessoa que nunca namorou e quando é chutado de um namoro sofre como um condenado.

E quais foram as mulheres que coloquei na vida de Cristiano? Além da ruiva imaginária e perigosa Emily (“perigosa” por tê-lo feito cair em um precipício enquanto “rolavam de amor” em um pico do Parque Nacional da Tijuca), antes disso tinha posto uma guria de 20 anos de personalidade forte, mas que falava pouco e o surpreendia desde o momento em que tomou seu discurso do prêmio Profissionais do Ano, relatando os podres do professor como se o conhecesse. Cristiano recebera o prêmio de Melhor Professor e teve seu discurso tomado por uma garota que nunca vira na vida. Após uma conversa em que nascera a boa química entre os dois, ele descobre que Kristya (apelido de Cristina) toma remédios tarja-preta e tem pais nada contentes com o relacionamento entre ela e um homem muito mais velho, considerado pelo nissei um “amor físico, mas também ‘pedagógico'”, com o amante no papel de mestre. Daí, claro, ele precisava provar para os pais dela que não estava disposto a brincar com os sentimentos da guria – muito esperta, por sinal – , estava era disposto a casar-se com ela ainda de início, deixando claro seu arroubo típico de um adolescente babão que nunca tivera um namoro decente na vida. Relacionamento promissor para ser desenvolvido no livro, mas que deixei de lado com o advento de novas idéias. Inspirei a Kristya na atriz estadunidense Kristin Stewart, não calcado na modinha “Twilight”, mas em “Adventureland”, filme em que ela atuou com o Jesse Eisenberg (o de camisa branca), ator no qual também retirei características para compor Cristiano. “Adventureland” é a melhor película adolescente de 2009.

Nessa história nova, tinha adcionado Minzy (Gong Minji), uma jovem sul-coreana que Cristiano conhecera após muito penar em salas de bate-papo na internerd. Minzy era um pouco mais extrovertida que Kristya e tinha a mania de tocar nos outros o tempo todo – em especial, seus melhores amigos -, mas detestava ser tocada. Descoladinha de 18 anos acostumada a ter bajuladores doidos para receber atenção, apaixonou-se por ele após meses de conversas pelo MSN Messenger. A coloquei para ajudá-lo no discurso do prêmio Melhor Professor, isso é, se eu não considerasse a personagem mal feita. Resolvi reincluir Kristya no melhor estilo “eu era feliz e não sabia”. Minzy foi inspirada na cantora e rapper homônima do grupo sul-coreno 2NE1, menina aparentemente marota e perfeita para sair. Minzy seria uma guria explorável neste tipo de história, mas achei descartável comparada com Kristya, por isso que a jogei para escanteio.

Além disto, coloquei Cristiano como um dos usuários do serviço de “casamentos online”, o tipo de pessoa que tenta arrumar uma noiva via internerd, vai até o país da mulher e depois volta, na esperança de que um futuro casório dê certo. O coloquei como futuro marido de uma mulher da etnia himba, da Namíbia. Juntou praticamente todas as suas economias para encontrá-la, passou 1 mês aprendendo os costumes e retornou vitorioso, em plena segurança de que teria uma pessoa que verdadeiramente nutrira um amor sincero por ele. Obviamente, tive de ler bastante sobre a etnia para representá-la no livro. Visualmente, são apaixonantes, mas só sei o básico do básico sobre a tribo.

Inicialmente, Cristiano era apenas o “melhor amigo” de Sidney Silvestre, que seria o protagonista da série, mas o deixei pau a pau com o parceiro para que pudesse explorar melhor os dois, sem benefíciar mais um que o outro. Sidney prega pelo lado mais ativo e falador do duo, enquanto Cris prega a mansidão – ao menos aparentemente, pois seu coração se mantém tenso, capaz de direcioná-lo a atitudes impulsivas – e a passividade. Este “melhor amigo” posteriormente teria um romance com um guitarrista de uma banda japonesa, Bou, cuja característica é se vestir de menina, e convence. Culpa do estilo de rock japonês no qual é envolvido, o Visual Kei. Tratei de deixar isso de lado, por ora.

Viciado em internerd, ávido em transpassar relacionamentos interneteiros para o real, Cristiano Mamiya carrega a depressão e o estresse nas costas. Acha que a presença feminina (e definitiva) em sua vida seria 50% suficiente para resolver todos os seus problemas.

Poderia estar certo nisso?