Ronaldo


O carioca do bairro suburbano de Bento Ribeiro (onde passei várias vezes e, até que me provem o contrário, é um bairro bem tranquilo, próximo a uma linha ferroviária), o que, segundo uma funcionária do estabelecimento onde eu trabalhava, vivia pedindo para ela pão com mortadela antes e depois dos seus jogos amadores, teve o São Cristovão como seu primeiro time profissional, passando depois pelo Cruzeiro, uma sucessão de altos e baixos, problemas em estabilizar sua vida sentimental, etc. Eu realmente achei que a entrada do Ronaldo em seu último jogo, faria alguma diferença naquela péssima seleção brasileira, capitaneada por aquele sujeito insosso chamado Mano Menezes, mas convenhamos que a seleção não está só péssima, mas totalmente perdida. Esta despedida devia ter ocorrido bem antes, ou então, que se estendesse em mais dos poucos 15 minutos a que o craque teve direito. Muito pouco mesmo, insuficiente para refletir toda a sua trajetória no mundo do futebol, algo como uma misericórdia, como se a comissão técnica estivesse fazendo um favor ao rapaz para que projetasse o seu derradeiro golpe. Não importava mais se o maluco estava gordo ou não, isto só serve para chacotas, mesmo gordo ele foi de boa utilidade no Corinthians, e que agora estas mesmas chacotas, segundo ele, não servem mais para irritá-lo. Desde o começo da Copa de 2006 (na Alemanha) elas persistem na boca do povão, e parece que nem mesmo se ele emagrecesse elas deixariam de ecoar nos seus ouvidos. Isso é que dá ser uma pessoa pública, certo?


As voltas de sua vida no estrangeiro e em locais que não fossem o seu Rio de Janeiro foram tantas que ele modificou o sotaque ou então foi modificado pelo meio. Igual o Rodrigo Santoro, petropolitano, que até pouco tempo tinha sotaque carioca. Mas quem se importa com isso, hein? A última atuação de Ronaldo na seleção (com uma escalação que faria corar um chuchu) foi efêmera ao mesmo tempo que notável, pois ele conseguiu jogar quase mais que todos ali, o que não era difícil. Em frente a uma regular seleção romena (muito distante da seleção de 94, com os então poderosos Hagi e Raducioiu) ele desperdiçou alguns gols. Mal conseguia andar direito. Ele podia perguntar o que estava fazendo ali, no lugar errado e com a escalação de seleção errada, e sua participação mais saiu como um gesto misericordioso dos chefes, mesmo.

Ronaldo, como a maior parte dos craques, tem uma vida pessoal tão interessante quanto a sua profissional. Ele até seguiu a cartilha do jogador feioso, que ninguém dava nada por ele nos tempos de futebolista amador, para depois pegar beldades quando famoso, gostosonas que em sua infância talvez ele nunca tenha sonhado conquistar em sua vida inteira, como a sumida Suzana Werner, que constituiu família com o goleiro Júlio Cesar (também da Seleção), a Milene Domingues, “Rainha das Embaixadinhas” e até hoje mais bonita do que qualquer outra jogadora brasileira de futebol, o que não é tão difícil de constatar até hoje. Daniela Cicarelli, na época uma modelo até gostosa demais pro padrão da coisa, uma das mais desejadas, aquele casamento pomposo no castelo, o rompimento logo depois. A guria até reapareceu na mídia, mas dando a boceta na praia. Caiu de vez. Raica Oliveira, que, puta que pariu, parece até a minha irmã, outra modelo. Daí veio a Bia Antony, a “mulher de verdade”, a aparentemente mais séria e disposta a dar um basta nas idas e vindas amorosas do Fenômeno. E conseguiu? Aquele rolo com os travecos foi na “fase Bia Antony”. Quem pensava que o famoso Ronaldo Nazário curtia uma berinjela? Nem é preciso dizer que ele é caçoado até hoje por isso. Foi na época em que ele estava se recuperando da trigésima lesão, comendo e bebendo às custas do Flamengo e que depois, em uma das provas de que quem manda no mundo é o dinheiro, esquentou o rabinho no Corinthians Paulista, fazendo juras de amor ao time, o Timão, Coringão. Ok. Ainda na fase Bia Antony ele teve de reconhecer uma criança que teve com uma modelo, Michele Umezu. Nosso Ronaldo, o devorador de pão com mortadela, não perdia tempo.

Pô, tá de sacanagem comigo, né?
Que nada, Ronaldo, são acontecimentos. Pode ir, meu filho. Você já está com a vida ganha. Aliás, desde os tempos em que jogava no São Cristóvão. Deixou sua marca, errou em uns momentos, subjugou os erros nos outros, só faltou adcionar mais uma peça em seu quebra cabeça jogando no Flamengo (o Adriano até ajudou, levando o Hexa brasileiro ao time junto com o Petkovic). No final das contas não teve muito que contribuir ao Corinthians, aquele bando de… Mas é aquela coisa, estamos no mundo onde o dinheiro é o senhor de todas as coisas. Obrigado, mesmo assim.

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