Cock & Bull – Histórias para boi dormir

O escritor britânico Will Self não é conhecido por aqui, apesar de ter praticamente todos os seus romances e novelas lançados no país (a Geração Editorial, deste “Cock & Bull” lançou também “Minha idéia de diversão” e a Alfaguara lançou a maioria de seus romances) e de ter participado duma edição do Festival Literário de Paraty, naquela cidadezinha modorrenta no interior do Rio de Janeiro. O cara é conhecido por injetar uma temática bizarra em todas as suas obras, algumas até podem ser bem feitas (como no caso deste livro acima que falarei agora), outras infelizes (o romance “Como vivem os mortos” é uma prova de que o sujeito devia controlar as bobeiras que passa ao papel), mas o sujeito é muito talentoso, claro que é. Não apenas em ter imaginação para brotar suas bizarrices, bizarrices essas que atraem um pequenino nicho, um “fandom” minúsculo, embora fiel. E por este pessoal que Self termina tornando-se candidato à eternidade literária.

“Cock & Bull” é um livro com duas novelas, ambas explorando a sexualidade de seus protagonistas. Na primeira um sujeito numa viagem de trem é abordado por um indivíduo esquisito, que o intima a ouvir uma história igualmente esquisita, mas não menos instigante. Ele fala sobre uma mulher que termina carregando em si um fardo: sua vagina acaba sendo sobrepujada pela existência de um pênis, que inevitavelmente acaba com suas expectativas em continuar vivendo decentemente com seu marido (um imbecil beberrão) e lhe dá idéias bem mais destrutivas tanto para ela quanto para quem a cerca. Já a segunda fala sobre um corpulento e passivo esportista que acaba tendo de conviver com uma vagina atrás do joelho, e isto provoca a imediata intriga (e excitação) de um médico, com ambos vivendo uma relação baseada e fomentada por este último.

Como em “A Guimba” o Self infligiu aqui finais absurdos mas bem pensados para os protagonistas, e nisto ele também tem de original. O desenvolvimento de suas histórias incomodam e os personagens são bem feitos. Mas é patente que se torna uma espécie de incompreendido e até rejeitado pelo seu estilo, ainda mais num país como esse. Ainda assim ele conseguiu o que autores como Irvine Welsh (“Trainspotting”) não conseguiram aqui, que foi a publicação de praticamente todas as suas obras em território nacional. A parte “Bull” do livro é o mais interessante, apesar de não constituir tanto assim de humor negro quanto a “Cock”. Mas quero ver alguém ter peito para transformar qualquer uma de suas obras em filme. Haha.

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