[O Homem de Lata] Cenário (Parte 2)

Esta “Parte 2” demorou, hein? Mas tá aí.

Seguindo a amostra de cenários para o livro “O Homem de Lata”, estas imagens são de um conjunto habitacional (COHAB) do centro de São Paulo, próximo à avenida Cruzeiro do Sul, que corta a região do Centro à Zona Norte, passando pela marginal do Rio Tietê. O protagonista, Josef Lopilato (eu ainda não consigo aturar esse sobrenome), passa uns dias num destes apartamentos, convivendo com a sorte de gente classe média-baixa, do tipo que lava suas roupinhas num tanque num pátio, tem uma penca de filhos e faz churrascos de domingo embalados com muita cerveja, pagode/samba/funk e futebol. Normal, minha origem também vem daí. A origem de Josef também vem daí, embora nestes dias ele esteja encafifado num sítio encrustado no interior do Rio, junto com a querida filhinha. Sendo o centro da maior metrópole do país, duma cidade absurdamente cosmopolita, ele acaba topando com pessoas dos mais diversos tipos. Não à toa uma boliviana entra na roda.

Paulistanos mantém suas “versões” de estilos musicais criados (ou não) e consagrados no Rio de Janeiro, de lá tomando de assalto o Brasil e o mundo. Claro, porque praticamente o sucesso do Brasil lá fora resume-se ao que ocorre no Rio. Se funk carioca é ruim, o paulista consegue ser pior, e não digo apenas pelo sotaque, mas porque… não desce mesmo. Até meados da década de 90 o funk sustentava uma verve baseada em denúncia criminal, problemas sociais, até coisas singelas como amizade e amor, como por exemplo, o “Funk do amigo”. O tema “amor” grassou especialmente em 1995/96 com o funk melody brasileiro: McMarcinho, McCacau. Antes já tinha o melody do estadunidense Stevie B, bem famoso aqui naqueles tempos. Daí começaram a explorar a sexualidade neste estilo musical e vocês viram no que deu. Pagode paulistano tem pouca expressão, excetuando grupos como Soweto, Os Travessos e afins. Samba… não gosto de Adoniran Barbosa.


Josef tenta ser marcado pelo “espírito” da cidade neste pouco tempo. Não quer dizer que ele força sua presença em todos os locais e para todas as pessoas. De qualquer modo até quem ele inicialmente não gostaria que estivesse por perto virá até ele. Ele não é o único imprevisível na porra toda, entendem?

(vejam a Parte 1 )

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