Dia do Orgulho Nerd

Não querendo ser chato, mas já sendo, estava dando uma lida nos jornais nesta manhã – como sempre eles chupando o saco do Santos Futebol Clube – até que deparei-me com o inevitável: notícias sobre o Dia do Orgulho Nerd. Então pensei: “Certeza que essa merda foi implementada há pouco tempo”, dei uma olhada na Wikipedia confirmação. Tá, se inspiraram em dias homenageando as obras do Douglas Adams e o Star Wars, mas Dia do Orgulho Nerd mesmo foi gerado há poucos anos. Se fosse favorável a mais esta mostra de que os tempos mudaram eu nem estaria encrencando com isso, claro. Vale mais a pena celebrar esta porcaria que choramingar, certo? Errado. O melhor é ficar de bico calado. Mas como eu não resisto, vamos lá fazer uma reflexãozinha porca. 

Até o fim dos anos 80 os termo nerd carregava significado pejorativo. Todo mundo sabe disso, quem já não estudou com aquele esquisitinho que gosta de Star Wars/Trek, coleciona gibis e obrigatoriamente é uma negação em matéria de pegar mulher, sofre nas mãos dos mais fortes, mas em compensação arrebenta nos estudos (ou não, já que, por incrível que pareça, isso não era regra geral)? Todo mundo sabe também que o rótulo não pegou tanto aqui quanto nos Estados Unidos, o que não impediu de estar na boca do povo até hoje. Naquela época ninguém sonhava que os nerds e sua cultura fossem disseminados a ponto de virar moda. A ponto de gerar este, ahn… orgulho. E até quem não é nerd de verdade – veja só, eu falando disso – embarca na parada. Ser nerd tornou-se legal, nerds de certa forma tornaram-se “superiores”, eles fazem sites e blogs super-duper-descolados que mais tarde tornam-se empresas, ganham rios de dinheiro, aparecem na televisão e por aí vai. Tem até séries falando sobre eles. BAZINGA!

Problema é que tudo isto é um lixo dos mais fétidos possíveis.

Certo, os tempos mudaram e a sociedade tornou-se mais permissível ao que até pouco tempo cuspia na cara, beleza. Pessoas mudam (nem todas), e os nerds nunca fizeram nada de mal, não é mesmo? Não fazem mal a uma mosca. Gerar uma grana embarcando na moda não tem nada de mais, como o dinheiro – realmente – é a coisa mais importante do mundo vale a pena investir em entretenimento até para quem fazia gozações para aquele espinhudo fã de Babylon 5, no passado. Sim, meu amigo, aí é que está. É tudo pelo dinheiro. Única e exclusivamente. Porque não é preciso ser um gênio para ver que o grande público sustenta aquela pequena repulsão entranhada no cérebro. O fato de hoje a cultura nerd estar nas paradas do momento não dissipa os pequenos preconceitos. O próprio nerd não é tãão receptivo com o outro nerd caso este faça algo que o outro não goste, ou tenha uma personalidade que o outro não costuma apreciar. E hoje em dia, qualquer um pode tornar-se nerd. É permitido. Liberou geral! Isso é, vamos tentar arrumar uma grana se travestindo nisso!

E claro, não é preciso ser um gênio para entender que a Mídia irá representá-los de forma mais aceitável possível aos olhos dos outros. Vejam esta imagem refletindo os mais diversos tipos de nerd (The Music Geek? Nunca ouvi falar nisso. E o The Hacker precisa ser necessariamente sombrio, né?). Mas por que puseram todos em boa aparência? Ah, são apenas modelos! Quem em sã consciência aguentaria olhar para um bando de gordos espinhudos e malvestidos? Quem “de fora” suportaria saber que as Otakus normalmente são gordas feiosas?

Você tem algumas demonstrações de gente que faz uso da pecha “nerd” apenas para ganhar grana e fama? Claro que tenho. Entretanto, esta prática é a mais comum nos dias de hoje. A pessoa consegue ter a façanha de ficar bem em todos os círculos, tanto nos nerds como não-nerds! E quando se é mulher, melhor ainda, meu amigo! Qual nerd (quase necessariamente virgem, punheteiro e misantropo) resiste a uma boceta? Ainda mais de, ahn… she-nerd? Impossível!

Uma destas que convenientemente consideram-se she-nerd é a M.Rodrigues, a tal “Nina Nerd”. Eu penso que estas meninas são bem espertas e, se não têm uma mina de ouro em mãos travestindo-se dum papel que até pouco tempo repudiavam (e que no fundo ainda o fazem), têm aquele obrigatório séquito de fãs, que endossam cada besteira que elas dizem na Rede, seja no Youtube, ou no blog, no Twitter e afins. Pessoas oportunas assim proliferam como filhotes de coelhos, aquela maldita necessidade de expor a sua “nerdice” para os outros. Fama e grana. Tatuagem do cogumelo 1UP do Mario Bros. para ficar bem na fita dos gordos sebosos. A mulher vê que é uma zero à esquerda e deposita todas as suas fichas na modinha do momento. Tem talento natural? Olha, ela não é muito bonita, eu comeria numa boa, mas é chata pra cacete. O que mais sabe fazer? “Ah, eu sei fazer a voz da Sandy”. Pelo amor de deus…

Lembro de ter frequentado um nerd-chat em que tinha sua participação, ela era a convidada, o líder era um gordo carioca dono do espaço. Ela já angariava ódio de muita gente, até que combinamos de constrangê-la, queríamos testá-la para ver se manjava mesmo de “cultura nerd” (rapaz, que termo ridículo). Um dos caras fez uma pergunta a ela: “O que significa a cultura nerd para você?”, algo do tipo. Imediatamente, M. Rodrigues ausentou-se do chat. Os admins do chat disseram que ela teve de ajudar a mãe, algo assim. Não demorou muito para rirmos da cara dela, e advinhem quem começou a defendê-la? Os administradores! E ficou naquela de afagá-la dali, depreciá-la daqui, e até quem podia fazer algo contra esta fraude nada fez. Provaram que a vagina tem a capacidade de enfeitiçar quem raramente dá uma bimbada. E olhem que já passei por isso!

Entretanto, todos sabem que M.Rodrigues, a guria que até pouco tempo desfiou “este evento está uma bosta… só tem nerd” não será a primeira e nem a última a fazer isso.

Há também os diversos sites que promovem a “cultura nerd” e estão ganhando uma nota preta com isso. Há o Jovem Nerd , administrado por caras que não entendem quase nada sobre o assunto que tocam. Repulsivos e mais um pouco.

Seria armação? Não sei, normalmente não acompanho os putos (aliás, não acompanho site nerd algum), mas só o fato de fazer uma página em que celebra a “coisa boa” que é ser nerd é uma tremenda bobagem, embora uma bobagem que dê grana e certo conceito. O (arremedo de) escritor carioca Eduardo Spohr, criador dos best sellers “A Batalha do Apocalipse” e “Filhos do Éden” tem parte com estes caras.

Tá certo que o meu livro não foi bom, terrivelmente prejudicado pela falta de uma revisão decente (onde já se viu, editora sem revisor?) e minha falta de contatos, sobretudo influentes. Ou seja, o erro foi meu. Este blog aqui não é nada perante à fama dum Jovem Nerd ou Omelete da vida. Mas o sujeito já bem de vida não sabe escrever, se debruça sobre um tema aparentemente fácil de lidar (fantasia, a quantidade de porcarias neste tema, especialmente capa-e-espada, grassa as livrarias), caga tudo, mas vende MUITO BEM e ganha dinheiro. Literatura fácil e porca nós temos um montão. O mais engraçado são estes títulos medievais-bombásticos como “Filhos do Éden”, “Eragon“, “Dragões de Éter“. Tudo escrito e pessimamente executado por moleques. O título já entrega a falha.

Então o Dia do Orgulho Nerd não devia ser celebrado com este nome. Dia da Pretensão Nerd está melhor, mas os caras estão longe de serem nerds. Não que o termo adaptou-se aos dias atuais. Fora apenas deturpado, como os Otaku, que há alguns anos atrás eram sinônimo de pessoas repulsivas, fanáticas (desde animes até brinquedos), tanto quanto os nerds, começando lá atrás, quando um japonês raptou e matou uma garotinha. Depois descobriram que ele se encaixava no termo. Hoje, por conta de um otaku com quase 50 anos na carcaça, Sérgio Peixoto Silva, o otaku resume genericamente o “fã de anime e mangá”. Até hoje enraizado e empenhado em tirar uma grana nos mangás e animes por meio das convenções e afins.

É claro que desejo ganhar uma grana e ficar rico, mas não calcado nessa pretensão e montar site nerd e tudo o mais. “Ah, mas esse blog…” Este blog é de variedades. Eu nem falo tanto sobre comics, anime e mangá, e mesmo se eu passar a falar (algo que vai acontecer) a mente do dono deste blog é diferente da mente destes caras. Deu para perceber, né? Ou não? Bom, eu não assisto a The Big Bang Theory e não costumo dizer…

BAZINGA!!!

Estes caras estão traindo o movimento nerd, velho!” 

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2 comentários sobre “Dia do Orgulho Nerd

  1. Anônimo disse:

    Nossa você é muito idiota cara, sério que teve coragem de escrever um livro e não deu certo?
    Ai vem criticar a Nina e o Jovem Nerd, e também Eduardo com seus dois livros que são Best* como você mesmo citou.
    Começe a escutar o nerdcast desde o primeiro….ai quero ver se conhece mesmo a história dos caras e se você teria cú pra fazer o mesmo

  2. David disse:

    É, o livro não deu certo mesmo. Também, saiu todo cagado… Quanto ao livro do Eduardo, o fato de ter sido best seller não quer dizer que tenha qualidade, visto que o povo consome muita porcaria (especialmente na literatura).
    E eu não respeito quem bate no peito se intitulando “nerd”, além de ganhar uma grana com isso. Sou capitalista, só não sou uma putinha comercialista ao cubo que engana otários, como essa NinaNerd (que não é nerd) e os gordões do NerdCast, que… também não são nerds.

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