Como perdi o Blonde Redhead

O Blonde Readhead é uma coisa esquisita, como se podia esperar deles.
A banda nova-iorquina, composta por ex-estudantes de arte (encabeçada pela japonesa Kazu Makino, também tendo os gêmeos Simone e Amedeo Pace, respectivamente vocal e guitarra, bateria, guitarra e vocal) tá há anos na estrada e nunca fez sucesso como Sonic Youth (este “padrinho” da banda) e outros grupos célebres do ramo. É banda para poucos, no sentido exato de “ame ou odeie”, ou “dê uma foda ou não”, e isso se reflete bem no naipe dos caras. Como um site disse aí há uns 5 ou 6 anos atrás, não ter a intenção de ganhar grana e divertir alguém estão na pauta do Blonde Redhead.

E ainda assim são bem interessantes.
O pouco de sucesso que arrumaram foi pelo álbum “Misery is a Butterfly”, com o hit “Equus“, mas não foi o suficiente para encher os tubos do trio. Depois lançaram “23” um pouco mais insosso. Daí a gente não se surpreende quando uma banda fica conhecida por um álbum só e tem de tocar o mesmo repertório o tempo inteiro. Porra, esse pessoal consegue mesmo viver de música? A nata indie (composta sempre por gays, lésbicas e estudantes de Humanas) não teria peito para sustentar a banda. Aliás, nem a própria. Com certeza não dá pra bancar o Roupa Nova, nesse sentido.

Semana passada (23/09) eles tocaram no evento Cinetério, na encolha, sem alarde, soterrando qualquer expectativa que os fãs tinham duma possível “grandiosidade” num primeiro show deles por aqui. Não tocaram no Festival Planeta Terra, não tocaram no Loolapalooza (putz, como odeio estes festivais e seus nomes imbecis!), acharam por bem começar a relação com a brasileirada bem ali no fundo do quintal, digo, no bairro de Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte de São Paulo, bem na bunda da região, onde a população é mais pobre e é comum ver aquele bando de favela (as favelas paulistanas são absurdamente mais feias que as do Rio de Janeiro) ao lado das vias.

E sabem que eu gostei disso?
Puxa, quem teve essa idéia legal? Quer dizer que, debaixo de toda aquela pose o meu querido Blonde Redhead é FAVELA-STYLE? Ou simplesmente a região os atraiu como qualquer outra, e nem se deram o trabalho de fazer uma “varredura” antes de tudo? Ou depois foram visitar as favelas, como os turistas fazem na Rocinha, a fim de tratar a região como um safári e seus habitantes como animais?

Sente o drama da vida louca!

Praça do Cemitério da Vila Nova Cachoeirinha. Longe da badalada rua Augusta, da avenida Paulista ou da avenida São João, pontos principais da galerinha de Converse All Star, Vans, óculos de aro preto e conversinhas desinteressantes de São Paulo. Gostaria muito de ver a cara dos fãs ao saberem do local do show.

Agora vai demorar bastante para o Blonde Redhead voltar. Quem sabe sob um anúncio decente, da próxima vez? Ao mesmo tempo que descobri estes caras há anos atrás, eu soube do Kings of Convenience, que não é tão indie quanto, mas é mais divertido.

Até que não tocar de cara num destes festivais tem suas vantagens. Imagine a quantidade de maconha, sovacos e jovens que haveria de aturar?


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