Sex in the… Book

É um trocadilho imbecil, mas que condiz com o assunto que vou tratar aqui.

Você considera absolutamente normal que um escritor de História em Quadrinhos, de livros ou de outras mídias – como filmes, de curta a longa-metragens -, que se vê tão familiarizado com seu personagem favorito – pode tanto ser o protagonista quanto o antagonista ou coadjuvante – que o “beneficia” conferindo a ele situações que o autor gostaria de vivenciar?

Eu acho a coisa mais normal na elaboração criativa dum autor de qualquer nível. Qualquer um que se vê como o protagonista – ou englobado em uma das demais categorias – gostaria de beneficiá-lo, como se ele mesmo estivesse desfrutando da coisa. Como se o personagem fosse uma representação ou extensão de si mesmo. Tanto é a prática mais normal do mundo que isto é feito desde os criadores amadores, em especial desenhistas/roteiristas iniciantes, que quase sempre andam de mãos dadas com a empolgação de criar/copiar algo, faz lá seu fanzine sobre um herói que, após ou durante muitas batalhas e percalços, tem vida sexual ativa, e pode até ser que não, mas que consegue dividir a cama com sua namorada geralmente linda e de corpo sensual acima da média. Ele tanto pode ficar só transando com ela como sendo um “pegador”, ficando com várias garotas, mas o uso do romantismo e da monogamia predomina na mente destes iniciantes, refletindo sua visão natural e comum de relacionamento.

Muitos, claro, exageram. Na maioria das vezes os desenhistas ultrapassam os limites da anatomia – até mesmo em mangá existe limites – e fazem garotas mais peitudas que a Pamela Anderson (bom, hoje os peitos dela, no auge, não significam nada, certo?), com curvas tão sinuosas que dá vontade de rir da tara do sujeito. É que todo mundo faz mulher gostosa. Geralmente ela não tem tanto o que fazer além de agir como a mulher do personagem, para o criador, sem ter muito o que desenvolver. E, como um moleque padrão, sempre haverá situações em que o sexo ou sua sugestão darão o ar de sua graça.

Eu fui assim até o fim da publicação d’O Homem de Lata. O protagonista, Josef, cai em São Paulo no embalo de um encontro com uma guria que conheceu na internet – uma riquinha gostosinha, Graça -, enquanto dá suas picadas na irmã liberal dela – Laya, que de longe era uma personagem mais interessante que Graça -, flerta com a amiga das duas – Freya, uma loura sardenta, que protagonizou com Josef o momento mais esquisito do livro -, assedia uma boliviana e ainda tem tempo para beijar e prometer matrimônio com uma mulher de 40 – Virgínia, acho, não lembro dessa porra. Daí, não é preciso ser um gênio para entender que, das duas uma: 1) o autor (eu, óbvio) tem uma vida sexual semelhante à criatura e o colocou desta forma num jeito de homenagear sua própria característica 2) o autor (er… eu, né?) desejaria ter uma vida sexual semelhante à criatura.

Mais uma vez, essa prática é a coisa mais normal do mundo. Então eu tive que podar esta punhetação!
Isso não pode passar de simples “punhetação”, homenagem não é necessariamente punhetação… mas não exclui o fato de que parte deste ato seja punhetação, e considero como tal porque ultrapassou os limites da homenagem.
É o que eu penso, cacete.
Penso que há um limite nisso. Assim como o limite em parodiar algo ou alguém, se você só fica nisso e não tem um outro lado do disco para usar, uma vertente você está punhetando, e se bobear, morre na praia mais cedo ou mais tarde. É simples. E punhetação, como eu estou careca de dizer, é o que mais usam na elaboração de uma HQ de qualquer tipo, livro, filme e etc.
Não quer dizer que quem não o faz ou se controla seja precisamente superior a quem faz. Mas é sempre legal variar no seu “modo de ação”.

Enfim, “O Homem de Lata” não foi uma porcaria apenas por essa punhetação exacerbada. Eu quase sempre formo premissas simples para livros, tento me distanciar da fantasia (como o romance que farei, “Não!”, de uma jovem moradora de rua que se torna vampira, ainda estou pensando se a colocarei como vampira, vai ser um calhamaço de 450 páginas), não que eu não goste ou tenha medo de usá-la. Muito pelo contrário!  “O Homem de Lata” é frenético demais, a partir do vocabulário irritante de Josef, destes acontecimentos sexuais, tudo naquele livro parece ter sido feito por UM ADOLESCENTE DE DEZESSEIS ANOS! Faltou dosar, dividir, excluir, separar a história. E evidente, diminuir o sexo. Porque isso acabou sendo mais importante do que o roteiro – Josef descendo em São Paulo para divulgar seu filme. Apenas isso. Claro que eu teria de trabalhar o livro dentro disto com uma série de acontecimentos, normais ou anormais, e o sexo aconteceria uma ou duas vezes (até mais), mas do jeito que fiz ficou bem irritante.

Serviu como aprendizado para este próximo romance, “Nirvana”. É mais horrível o autor desgostar da sua obra que o leitor, é o que eu acho, e a partir do momento em que isso ocorre, ou você deixa de escrever para sempre ou tenta melhorar.

Não quero ver ninguém gastando dinheiro à toa.

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