Madrid – a evolução dos ex-besteirol

O Cansei de Ser Sexy durou mais tempo do que pensamos, isso é um fato. Outro fato foi que, outrora considerada uma banda “inovadora” (por quem? Deve ser por mim mesmo) na época em que se abriu pro mundo, 2005 a 2008, no fim das contas tornou-se mais um arremedo de banda indie solidificada. “A magia acabou”, como diziam uns palhações na comudade da banda no Orkut. Lembrando que eu fui um destes palhações, mas CARÊNCIA é algo foda e você acaba se debruçando tanto no objeto de desejo que acaba perdendo o senso de ridículo. Ao menos deu pra conhecer e se deparar com algumas coisas. O público do Cansei de Ser Sexy exatamente resume-se àquela juventude Vila Madalena pra caralho com uma carga intensa de pedantismo, lembrando que eu não me excluí disso, especialmente nos períodos em que freqüentei o mesmo saco que eles. Porém, de minha parte não há qualquer ressentimento, até porque tratei de causar todas as flechas que foram fincadas em mim, então tá tudo certo, né não?

Tá. Mas o que eu vim falar aqui é do derivado que surgiu do Cansei de Ser Sexy, mais especificamente, da destituição brigada do maior integrante da banda, Adriano Cintra (produtor, multi-instrumentista, participou e participa de trocentas bandas de qualidade distintas) com as garotas, que até onde sei, AINDA abraçavam com força a pecha de “meninas que não sabem tocar porra nenhuma”. Caramba. Qualquer um aprenderia a tocar de 2005 para cá. Tá, isso até tem sua graça, ser uma vocalista com tiradas à Xuxa também tem sua graça, a ponto disso incensar a banda lá fora, os gringos gostam de qualquer coisa exótica, ainda mais vindo daqui (daí você já pensa em todas aquelas declarações clichês sobre o Brasil e os brasileiros), mas daí você se vê posicionado à frente de suas vertentes: ou você tenta se renovar/reinventar no estilo ou parte para algo mais sério. O segundo álbum foi praticamente a certeza de escolheram a segunda opção, resultando, claro (vindo deles), numa realização insossa. E dava para fazer algo legal mesmo assim. Mas os caras não tinham as manhas. Daí veio o terceiro CD, dizem, já permeado pelas brigas de egos, gente querendo não sei quantos teclados, e etc. Para Adriano, chegou a gota d’água e o CSS acabou, porque, quem disse que sem ele aquela porra funciona? Sério.

Vai me dizer que isso aqui, já pós-Adriano, é bacana? Hah!

Adriano, após ouvir esta merda, meteu sua versão do crime:

Então em pouco tempo ele resgatou uma outra instrumentista, a Marina Vello, ex-vocalista do famigerado grupo curitibano de funk carioca (!) Bonde do Rolê, que saiu, engostosou, e criou um álbum solo. Ela nem morava no Brasil. Aliás, os caras do CSS, Adriano incluso, odeiam o Brasil – mas aqui é uma merda mesmo, camarada. Nem vem comparar com o Iraque, Afeganistão ou Coréia do Norte. E fizeram o Madrid.

Tipo assim o Tim Burton, sacou?

Tá ligado que é banda pra se vender lá fora, e passa longe daqueles absurdos oriundos do Sul do Brasil, e que felizmente só ficam por lá, como Valverdes, Wonkavision, Cascavelletes, Bidê ou Balde e Vanguart. Cantores como Wander Wildner. O Madrid (de Marina e Adriano) é o lado dark do sujeito. Até onde sei, fora da redoma daqueles afeminados goticistas a gente nunca encontrou uma banda nestes moldes por aqui. Talvez tenha lá fora, se há coisas boas como Kings of Convenience, Xiu Xiu e Blonde Redhead – que tocou numa favela daqui -, provável que tenha um Madrid, mas mesmo assim, a banda destes dois não deixa de inovar.

Com Marina vocal, o Madrid investe em músicas tranqüilas e belas letras em clima soturno, aplicando aquela atmosfera meio Tim Burton – dark de butique. Fantasmagoria total. E essa galera não perdeu tempo: o primeiro show foi gratuito e não demorou para que entabulassem mais alguns em Londres. Sabe como é, com bons contatos você vai até a Lua. Isso é legal.

Marina está distante daquela voz esganiçada e ofegante que fazia no Bonde. Aliás, o próprio Bonde sequer sabia o que significava funk carioca, visto que NENHUM representante deste estilo faria o vexame deles. Até aquela MC simpatizante dos Tigres Tâmeis (organização terrorista) M.I.A manjava mais que os caras. “ah, mas essa que era a graça”. Problema é que nunca teve graça mesmo. Daí eles, junto à MTV, organizaram um concorso para escolher a nova vocalista. Quem venceu foi uma negrinha que, no auge de seu show, enfiou um bife no olho do cu. Certo, tá, tá legal me convenceu. Tu tens um belo de um cuzão. Que eu comeria gostoso, aliás. Ah, indies…

A impressão é que Marina se vê arrependida de ter contribuído para isso. Mas agora já era. A dupla já protagonizou alguns video-clips (que particularmente considerei semelhantes demais) e lançou o primeiro álbum. Mas quem além de uma pessoa irritante pra caramba se dignaria a comprar um LP? Sim, porque eles lançaram por LP. Já não é um pouco demais, não?

Além disso Adriano e Marina são integrantes de outra banda recente, criada quase ao mesmo tempo que o Madrid, de nome Man Purse, aliados à outra cantora indie lá, a Naná Rizinni. Esta banda é mais escrachada, mas mais interessante que o CSS na SubPop, gravadora do Nirvana. O CSS antigo, antes de ter as faixas modificadas e de assinar contrato com a Trama, primeira gravadora deles – que lançou o primeiro álbum -, era bem melhor. Alguém continua transbordando de idéias criativas. Não foi à toa que até nisso Cintra sustentava o CSS. E, afastada – não definitivamente – do seu péssimo papel de vocalista de grupo de funk falso, Marina Vello está bem segura… eles estão seguros… isso até a próxima briga. Ela emagreceu e ficou mais deliciosa. Nem preciso dizer que eu comeria.

Carreira solo (eu comeria ela, tu não?)

 Ouça aqui as músicas do Madrid.
Até onde as gurias do CSS vão se suportar sozinhas?

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