Insatisfação nacional… não é?

Os protestos que explodem nas principais capitais brasileiras (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília) vieram tarde e separados por vários motivos e intenções. Aqui na cidade de São Paulo advém da insatisfação justa pelo reajuste de passagem do transporte público, porque as condições físicas dos ônibus, além da “lata de sardinha” que é o trem e o metrô não justificam este novo preço. Então, você constata que boa parte dos revoltosos não toma ônibus, advém da classe B e C e não raro, é financiado por partidos políticos tanto da esquerda radical quanto da pretensa direita. Há também, obviamente, os baderneiros, como os que, nos protestos internacionais, fomentam violência e quebra-quebra por prazer. Sempre existirão, assim como os dedos dos partidos radicais em eventos como este e não há nada que possa fazer para mudar isso, porque Polícia não quer saber o real proceder dos manifestantes. Uma grande parcela protesta insatisfeita também (partindo mais do Rio de Janeiro, sendo palco da Copa das Confederações/Copa do Mundo) pelo grande uso de dinheiro público na construção e reforma de estádios, pilares importantes do panis et circus padrão brasileiro.

Quando há pouquíssimo tempo uma grande parcela das pessoas vibrava pela escolha do Brasil para a Copa do Mundo e Olimpíadas, protestar pelo provável e óbvio uso de dinheiro público para a manutenção destes fins soa hipócrita. Até mesmo as classes mais altas se refestelam com estes eventos e a maioria das vezes se vê estas pessoas nos tumultos, saques e pancadaria advindos destes protestos. Jovens bem nutridos e bem nascidos que não têm o status “brasileiro médio” estampado na testa. Por incrível que pareça, o “povão” em si está de fora de tudo isto, ocupados tanto em pôr pão na mesa de suas famílias quanto a permanecer o dia inteiro, em plena semana, vagabundeando por aí e acessando a internet gratuita de bibliotecas públicas. Não que seja errado alguém protestar, especialmente por bons motivos como os citados acima, excetuando a idéia equivocada e suicida do “passe livre”. Mas porque está um pouquinho tarde para isto, a Copa das Confederações será realizada até sua conclusão, assim como a Copa do Mundo e Olimpíadas. Nos Jogos Panamericanos 2007 não houve qualquer manifestação deste porte no Rio de Janeiro. A cidade passou uma “limpa” sob os braços da Força Nacional de Segurança, deixando as ruas relativamente tranqüilas, domadas. Houve as vaias ao então presidente Lula, mais manifestações hipócritas de quem pagou para assistir um evento cuja força do seu governo esquerdista foi necessária, assim como ocorreu há dias atrás, no começo da Copa das Confederações, com as vaias à presidente Dilma Rousseff.

Não obstante ser tardios e com toda a enxurrada de intenções distinstas – intenções estas não tão boas – são protestos necessários. Alguém tinha de gritar ao governo que há a insatisfação. Considero os protestos cariocas mais justos, contudo, nós voltamos à mesma questão do atraso, porque lá atrás os mesmos que protestam bateram palmas para a escolha da cidade como sede dos eventos esportivos e aceitaram de bom grado a execução do PAN 2007. Uso indevido de dinheiro público sempre teve, especialmente numa cidade feita exatamente no meio do nada para exatamente afastar-se do povo revoltoso, que é Brasília.

Veremos se não haverá um fim previsível a tudo isto.

OBS: tremendamente injusta é a choradeira de jornalistas fustigados pela violência policial. Qualquer um dentro na linha de campo sabe das conseqüências e não é porque são jornalistas que seriam poupados. Ex: Lara Logan.

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