[Man of Steel] Super-socos, super-pontapés e super-dane-se!

Ao que lembro, havia uma certa desconfiança em jogar o futuro da franquia Super-Homem no colo de Zack Snyder. Este diretor de “heróis”, considerado o mais fútil e pueril entre eles (o Nolan não trabalha com heróis, segundo o mesmo ele fez do Batman um “suspense policial”, isso é que é vergonha de trabalhar com fantasiados), mas que ao mesmo tempo trás gente aos cinemas, se mostrou uma aposta bem temerária. Não para a Warner, que aposta no escuro desde sempre e só tem êxito por sorte, porque tem gente para engolir. Mas para os fãs. Desde aquela punheta romântica de 2006 o público tem reclamado um filme decente do Super, o ícone dos super-heróis (hein?), o maior de todos (fonte?), o melhor escoteiro que já vimos (quem disse?). Cada imagem deste “Man of Steel” era ovacionada, culminando com trailers bombásticos, mas hoje em dia confiar em trailer é furada, vide Fúria de Titâs. Ainda assim parecia que finalmente teríamos o FILMAÇO que merecíamos! Já tava na hora, né?


Mas…

Saem as comparações divinas goela abaixo, entra a porrada.
E a película em si é só isso, primeiramente mostrando um planeta Krypton em vias de extinção e o nascimento de Kal-El enquanto os militares comandados por General Zod (Michael Shannon, na medida) implementando um golpe de estado com motivos bem estabelecidos. Enquanto o cientista Zor-El (Russel Crowe) tenta impedi-lo quanto à questão do codex (aparelho que, segundo Zod, poderia salvar Krypton) aplicando-lhe uma sova federal, começa a restar pouco do planetinha. Um cientista criado para ser cientista derrota na porrada um militar criado para ser militar (!) e toda a trupe de Zod é julgada e transportada em DILDOS VOADORES para a região conhecida como Zona Fantasma.

Ah, sim, os dildos. Neste filme, Snyder dá mais uma mensagem (homo)erótica. Já não bastaram os guerreiros saradões de “300”? E a Pasta “Boys” de Watchmen, firmando o “fato” de que o vilão Ozymandias é gay (quando no gibi isso é apenas sugerido)? Esse diretor… mas isso é apenas um elemento involuntariamente cômico do filme.

Daí, focando na história principal do personagem-título, temos uma enxurrada impiedosa de flashbacks jogados indiscriminadamente na película. Desde a infância Clark Kent fica encucado com seus super-poderes e a capacidade de poder fazer o bem (ou o mal) ao próximo, e esta superioridade é instada a ser explanada por seu pai adotivo, Jonathan (Kevin Costner), que, só para criar mais um item gratuitamente sentimental à história, morre por um cachorro, e igualzinho a esse labrador:

Não teve como não rir da demência desses caras.

E o Clark em si é pessimamente executado pelo britânico Henry Cavill, ator que achava bacana, embora tenha visto aquele cocozão ofensivo chamado “Imortais“, que de longe não merece ser levado a sério. Seu Clark não tem postura e os acontecimentos referentes à sua preparação a Super-Homem não convencem, mais uma vez, também por culpa dos flashbacks embaralhando o andamento “normal” do filme.

Em “Superman Returns”, Bryan Singer tornou o mito mais psicológico, sereno, e obviamente ainda assim cheio de erros e equívocos (Lex Luthor corretor imobiliário, Super-Homem levantador de peso, Super-filho, homenagem excessiva do Christopher Reeve), aqui, Snyder foi o oposto, mas na mesma condição de incapaz. A todo o momento os vilões roubam a cena (além do Shannon bem esforçado, temos a igualmente bem feita Faora-Ul, incutida numa frieza deliciosa feita pela alemã Antje Traue). A equipe do jornal Planeta Diário é tão dispensável que seus nomes são citados APENAS quando Metrópolis cai no olho do furacão, e o mais importante, a porradaria é tanta, mas TANTA, que o roteirista querido não se preocupa em explorar, desde o começo, a pecha “jornalista Clark Kent”.

Sabe aquele sujeito caipira e atrapalhado que vive levando foras da Lois Lane e que se preocupa em fazer um bom trabalho? Que tem o Perry White como chefe e o Jimmy Olsen como colega de trabalho? Então, aqui eles estão sumidos. Vai ver, estão num mundo alternativo, aproveitando que a DC Comics tem a Terra 2, vai ver eles estão lá. Mas é claro que aqui em Man of Steel temos um Clark. Meio arrogante e cuzão, o tipo que fode o caminhão do caminhoneiro só porque este despeja cerveja em sua cabeça (não que seja algo para se deixar barato) e que caga para a identidade secreta. “Eu vim do Kansas, oficial”. Claro. Revelar a identidade assim seria normal… se ele fosse um X-Men.

“Mas é sério que não tem um momento do Clark Kent como jornalista?”, você poderia perguntar. Tem, sim. Mas quando todo o estrago nível Michael Bay foi feito.

“Ah, mas se foi culpa do Snyder, foi culpa também do roteirista David Goyer e do Christopher Nolan!” É claro que foi. O primeiro é justamente isso, o Michael Bay dos filmes de super-heróis. O segundo é péssimo roteirista, quem viu “Blade Trinity” sabe. O terceiro, além de também ser igualmente um péssimo roteirista, tomou a franquia Batman como, novamente citando, “suspense policial”.

EM SUMA, TEM COMO LEVAR A SÉRIO UM LIXO DE FILME DESSES? 

Só se você se sentiu tão vingado a ponto de nublar seu olhar crítico. “Man of Steel” não é o filme que merecíamos, tampouco o que precisamos, por incrível que pareça, dado em vista que cada vez mais somos presenteados com produções multi-glamourosas, mas de roteiro tosco. Um extremo a outro. AO MENOS trouxe aos olhos do mundo a alemãzinha deliciosa, e eficiente em seu papel. 
 

  
A Warner simplesmente deveria fazer como os New 52 da DC Comics e mais uma vez rebootar a franquia. 

E os críticos ainda têm a indecência de reclamar do The Spirit…

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6 comentários sobre “[Man of Steel] Super-socos, super-pontapés e super-dane-se!

  1. Anônimo disse:

    Agora fiquei mais temeroso em ver esta bosta: já não me basta a frustração em ter pego o DVD original do Superman O Retorno e ter visto a merda que foi. Quanto a Batman, é a única franquia de filmes que ficou aceitável, agora quando tratamos de super heróis com poderes (Superman e Lanterna Verde) o que temos é coisas desse nível. Mas as pessoas falam: é cinema, nunca vai ser como os quadrinhos. Só que me pergunto precisa CAGAR tanto em uma adaptação? Entregar roteiro a raposas velhas que sempre vão deixar as coisas aquém ao original? Esse povo da Warner tem muita merda na cabeça, só mesmo as animações dos personagens salvam, porque para filmes o que temos é carros alegóricos sem enredo.

  2. Anônimo disse:

    Agora fiquei mais temeroso em ver esta bosta: já não me basta a frustração em ter pego o DVD original do Superman O Retorno e ter visto a merda que foi. Quanto a Batman, é a única franquia de filmes que ficou aceitável, agora quando tratamos de super heróis com poderes (Superman e Lanterna Verde) o que temos é coisas desse nível. Mas as pessoas falam: é cinema, nunca vai ser como os quadrinhos. Só que me pergunto precisa CAGAR tanto em uma adaptação? Entregar roteiro a raposas velhas que sempre vão deixar as coisas aquém ao original? Esse povo da Warner tem muita merda na cabeça, só mesmo as animações dos personagens salvam, porque para filmes o que temos é carros alegóricos sem enredo.

  3. David disse:

    Qual franquia de Batman você está falando? Porque a do Nolan sequer foi um super-herói. Se houve algum mérito, com certeza não foi dele e do Johnathan Nolan, que escreveu os dois últimos filmes (Dark Knight e Rises), deve-se somente aos atores que fizeram os vilões. O roteiro desse Rises, por exemplo, foi tão ruim e tão desleixado que quis sair do cinema umas duas vezes. Foi um grande exercício de humor involuntário, então fica difícil compreender por que este Nolan é tão ovacionado, com tantos erros.

    Quanto a este novo Super, o Goyer preocupou-se em injetar mais ação que qualquer coisa. Amy Adams foi uma péssima Lois, e pior ainda que a Bosworth, que ao menos foi esforçada.

  4. Anônimo disse:

    Qual franquia de Batman você está falando? Porque a do Nolan sequer foi um super-herói. Se houve algum mérito, com certeza não foi dele e do Johnathan Nolan, que escreveu os dois últimos filmes (Dark Knight e Rises), deve-se somente aos atores que fizeram os vilões. O roteiro desse Rises, por exemplo, foi tão ruim e tão desleixado que quis sair do cinema umas duas vezes. Foi um grande exercício de humor involuntário, então fica difícil compreender por que este Nolan é tão ovacionado, com tantos erros.

    -Eu falo do conjunto ser aceitável: não falo que o filme é uma primazia, e também é mais fácil fazer um filme do Batman que do Super Homem teoricamente a meu ver.

  5. David disse:

    Considero o Batman um personagem mais “possível” e mais pronto pra trabalhar mesmo. Resultado disso é a quantidade de roteiristas (bons e ruins) que passam mais por ele com mais freqüência que nas histórias do Azulão, é comprovadamente um personagem mais “rico”. Mas realmente não consegui gostar da versão Nolan.

    Eu confesso que curti “Batman Begins”, pois ali ele era um super-herói e agiu como tal, apesar de alguns errinhos.

  6. Anônimo disse:

    Considero o Batman um personagem mais “possível” e mais pronto pra trabalhar mesmo. Resultado disso é a quantidade de roteiristas (bons e ruins) que passam mais por ele com mais freqüência que nas histórias do Azulão, é comprovadamente um personagem mais “rico”. Mas realmente não consegui gostar da versão Nolan.

    – Tem u detalhe: personagens com poderes tem sido muito alvo de diretores que trabalham com efeitos visuais maid do que nunca. Convehnhamos: hoje fazer efeitos especiais está mais fácil, apesar de ser caro. O pessoal que vai as salas de cinema quer ver mais ação e abuso de efeitos visuais, não quer história. Poucos conseguem contrabalancear isto sem que haja comprometimento da história e qualidade do filme.

    Eu confesso que curti “Batman Begins”, pois ali ele era um super-herói e agiu como tal, apesar de alguns errinhos.

    -Como diria um amigo meu: é cinema. Eles não vão se esforçar muito com história, só conta os efeitos visuais.

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