Black Blocs

Nós nunca deixamos para trás alguns modismos estrangeiros, como a luta pelos “direitos” dos homossexuais, das cotas para negros nas universidades públicas e… o flash mob. Nisso, até demorou que a vertente brasileira dos Black Blocs (movimento anarquista surgido na Europa primeiro como Schwarzer Block) surgisse encapuzando um sem-número destes estudantes de classe média, alguns classe média-alta, necessariamente de vida confortável que finalmente soltam toda a mágoa sobre o Estado, o capitalismo e outras coisas que, quer queiram ou não, dá sustentação à vida deles.

Pega um adolescente revoltado e/ou carente de fazer algo pelas pessoas, ele aprende e absorve que a “Direita” em si passou 500 anos mandando no país, e que hoje, com o boom de protestos iniciados em julho, tem a oportunidade perfeita para extravasar o seu senso de justiça quebrando propriedades que julga como símbolos do capitalismo (bancos, cadeias de lanchonetes) e do estado opressor (carros de polícia, a mesma polícia que os protege, por mais defeitos que ela tenha). Marca as passeatas no Facebook, rede que não sintetiza nada em capitalismo, se juntando num bando de “heróis” com o mesmo pensamento e BINGO! Temos aí os mascarados vestindo a anarquia – mesmo que alguns tutelados e financiados por partidos de extrema esquerda, como se vê na foto -, a gana por incutir ao povo a liberdade que nunca tiveram…

… depois volta para o Facebook comentar o que aconteceu, no Skype, talvez até volte com umas fotos quentinhas tiradas em sua câmera de última geração, prontas para estampar sua página no Instagram.

“Nós não utilizamos de violência!”

“Ah, mas só devolvemos o que a polícia faz com a gente!”

Bom, mas se eu for lá arrebentar patrimônio eu seria homem de arcar com as conseqüências. Ou eu seria um rato?

quíiii-quíiiiii-quíiiii!

“Tá, vou dizer: é que eu não quero que papai e mamãe saibam disso. Não quero ter a minha fuça juvenil ou de professorzinho desiludido de meia tigela estampada nos jornais, é isso! Se eu não tivesse mascarado eu não poderia virar o carro da polícia e tomá-lo como troféu, você entende? Sem máscara eu cagaria nas calças antes mesmo de jogar o Molotov neles! Sou nada mais que um merdinha que, acreditando piamente que poderia mudar o mundo com minhas idéias, me deixo ser massa de manobra dos outros!”

E como animal gregário, você só teria coragem de fazer o que fez em grupo. Ao menos isso é normal. Incluindo todo o vandalismo em si.
Estando em grupo você tanto possibilita e potencializa estes atos quanto o resto das idéias maravilhosas que joga no ar, como a ‘TARIFA ZERO”. Engraçado que com transporte público gratuito, obviamente teríamos um serviço DE PONTA, não é mesmo? Não? Não ficaria ao menos do jeito que está? Ficaria uma merda ainda pior? Sério mesmo?
Ah… quem financiaria a manutenção dos ônibus? Quem pagaria os condutores?

Aliás, com a anarquia instaurada no Brasil, as coisas ficariam bem piores. O capitalismo é necessário. É injusto em algumas situações? Sim. Temos um governo de merda? Temos, e é culpa nossa, não “dos outros”. “Ah, mas não fui eu que botou tal pessoa no poder!” Foi o nosso povo. Ainda dá pra mudar? Não sei, porque até nosso povo se vende fácil por qualquer coisa, e não há sinais de mudança. “Então, o que vamos fazer pra mudar o nosso país, se não há uma possibilidade de mudarmos quem está no poder!” Possibilidade há, mas de execução lenta e forçada. Particularmente, não acredito em uma mudança por meio de conscientização leve, de vozes suaves e pausadas. O povo em si não se importa com isso, porém, não é o mesmo que arrebentar tudo por aí, e em nome da anarquia (de butique). “Mas eu não sou paciente, eu quero mudança para ontem!”

Então, saia do país. Estude, trabalhe e junte uma grana para sair daqui, porque o Brasil vai demorar MUITO para mudar. Nós devíamos estar num nível de uma Austrália, há décadas. É isso.

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