The Amazing Spider-Man 2

(ou quanto mais mexe na merda, mais fedida fica)

No ano passado eu gastei tanto pra ver filmes ruins que parecia masoquismo, e um pouco de esbanjamento tanto de grana quanto por minha paciência – e olha que normalmente não sou tão paciente. Estes últimos 10 anos foram a melhor época para os nerds em peso, que normalmente não fazem um filme, filmeco que seja, bater mais de $ 1 bilhão no mundo todo. O problema é que estes nerds, a parte comprovadamente ínfima da percentagem geral de pagantes de tais filmecos, rapidamente se abdica, e com razão, da gritaria infantil em ver seu(s) herói(s) em cena, no telaço. Digo, isso só não aconteceu pra valer no mediano “The Avengers” e no fraco “Man of Steel”. Assim seguimos procurando defeitos e nos amargurando, a gente deixou de desligar o cérebro e se divertir, essa é a verdade. Contudo, conforme as mudanças de franquias por meio de brigas, demissões e o escambau – e nada temos a ver com isso, mas sempre pagamos o pato -, cada vez mais fecha nossos sorrisos, cada vez mais nos faz dizer: “Olha o uniforme deste filho-da-puta, por que esse estúdio não faz uma coisa de preste, era a coisa mais fácil pra fazer, e ainda assim a negada caga?”, entre outras coisas. Não creio que chegamos no momento mais fútil do cinema de super-herói, mas com esforço, em menos de cinco anos estaremos lá. A Sony, detentora dos direitos cinematográficos do Homem-Aranha, anunciou um filme do Sexteto Sinistro, o bando de vilões ridículos que vez ou outra se juntam pra infernizar o aracnídeo com mais força… teremos mais motivos pra reclamar.

E foi em razão da amargura, embebido dela, completamente embriagado da mesma, que não fui ao cinema (e não vou, já que o filme ainda está em cartaz neste dia, 26 de maio/14) assistir o Amazing Spider-Man 2. A Sony, em sua empreitada incessante em não deixar a peteca cair, digo, em não entregar os pontos e finalmente ceder os direitos do cabeça de teia à Marvel Studios (que também não é aquelas coisas, mas é a única que presta do ramo no momento), comete mais uma atrocidade, que ao menos é bem mais assistível que o horrível primeiro filme. Tem coisas boas, progressos? Sim. Mas é óbvio que as coisas ruins são piores e cada vez mais gritantes.

ESQUECERAM DE MIM

O Homem-Aranha em si passou um belíssimo tempo sendo pessimamente trabalhado nos quadrinhos. Pode chamar este ocaso como “pré-Saga do Clone” e “pós-Saga do Clone”, onde, como disseram, deram mais importância ao herói em si que sua identidade humana, Peter Parker, tão ou até mais importante que o Aranha – pois caso você não saiba, “Homem-Aranha” não é um gibi de ação. Ação é só o complemento da vida comum de um sujeito que, não obstante ser um herói, tenta ser um homem comum. Por isso é considerado por MUITOS, e com razão. o melhor e mais bem bolado super-herói de todos os tempos. “Gente como a gente”, uma merda dessas.

PORÉM, o filme, dirigido por Marc Webb (diretor do primeiro filme e antes mundialmente conhecido pelo dramimimi “500 Dias com Ela“) joga esta humanidade no lixo e nos mostra um personagem… “plástico”. Certo, deixa o Peter Parker menos cuzão e escroto que foi no primeiro e intensifica a relação amorosa com Gwen Stacy, reforçando a ótima química de Andrew Garfield e Emma Stone, casal da vida real. Mas até sua crise esbanja superficialismo, superficialismo este que corre todo o longa desde a história e motivação do vilão principal, Electro.

AINDA EXISTE “NERD” ASSIM?
 

Sua identidade humana, Max Dillon (Jamie Foxx), um nerd dos anos 80 perdido em 2014, é um solitário, que até já foi casado, que se engambela numa idéia de que o Aranha é seu amigo a partir do mesmo ter salvo sua vida. E é claro que todo desiludido, com certo poder em mãos, acaba se vingando violentamente. A impressão é de que na verdade, Max é um retardado, mas no final das contas foi só acometido por sua carência crônica.

Carência é o que também sofre Harry Osborn (Dane DeHaan). Talvez a adição deste personagem no “lugar de ação” de seu pai, Norman Osborn (aqui feito por Chris Cooper) seja a maior mudança deste filme. Pode não ser a maior pra você, mas a mais gritante e desnecessária. Há uma distinção física do Duende Verde de Sam Raimi, aquela merda de Duende Power Ranger que ao menos fora tutelado por um bom ator. Aqui Harry mal tem tempo de “reconhecer” Peter Parker, fazendo-nos engolir que tudo estava esclarecido entre eles com um: “Oi, eu te conheço, a gente estudou junto”. Apenas duas conversinhas, a despeito do desenvolvimento de personagem que James Franco passou nos dois primeiros filmes da trilogia anterior. O filme preocupa-se mais em focar o drama interior de Harry na Oscorp e a pendenga com seu pai que na relação com Peter, mas… EI! Isso já devia ser trabalhado desde o primeiro filme! Ao invés disso o roteiro se prontifica em nos meter goela abaixo o mistééério – que ninguém se importa e ficou aliviado quando essa patacoada finalmente teve fim – dos pais de Peter.

Imprimindo assim mais superficialidade, porque Peter, como um site poderoso de cultura nerd disse, virou um herói “pronto”. A morte do tio Ben foi fichinha perto da angústia fútil sentida pela morte dos pais. Agora, ter comprado teias pelo EBay fez mais sentido…

FODA-SE

O filme começa a valer alguma coisa nos vinte minutos finais, na ação e situação que acarreta a morte de você-sabe-quem (não falo do Voldemort!), pra mais uma vergonha alheia no finalzinho, pra deixar claro, pela enésima vez, que é preciso desagradar os nerds pra agradar o resto que vai pro cinema com papai, mamãe, titia e papagaio e faz o filme de pagar. Poxa, não há um preconceito – ao menos não assumido – por personagens com uniformes de PANO, BORRACHA E VARIANTES. “Aiiin, é pra vender bonequinho!” Quer dizer que, de colecionador à criança, todos compram robozinho e armadurinha? O fator “Transformers” acostumou mal a essa cambada…

Enfim, tirando todo o sentimentalismo e questionamentos com a profundidade de um pires o filme funciona… mas de novo, na ação. Não dá pra dizer que todos os filmes de super-herói pairam neste aspecto, pois até quem injeta profundidade (mesmo que de forma burra e irritantemente pretensiosa, como os Batmen de Chris Nolan) nem sempre acerta e tampouco sabe do que tá fazendo. “The Amazing Spider-Man 2” é um filme divertido, mas para os fãs velhos de boa viagem, os que sempre pagam o pato, absurdamente descartável. Não existe Peter Parker, o Peter não é este hipster que anda de skate, que não trabalha pra pagar o aluguel e que sequer tem uma relação convincente com a tia May (Sally Field). Este Peter, que também não tem representações seja no universo normal dos gibis Marvel ou no Ultimate, só existe na cabeça do Avi Arad, produtor do filme. A preocupação de meter três vilões no filme e pincelar um pouco de história deles é cristalina, mas feita em detrimento da porção mais importante do Homem-Aranha, que é o… vocês sabem.

Poupei meus R$ 26 reais (certeza que o preço seria esse, ingresso aqui em São Paulo tá nessa faixa abusiva).

OBS: esqueceram mesmo a porra do RATOZILLA do primeiro filme, hein?

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