X-Men: Days of Future Past

Da série: “De novo esse puto”.

         O filme estava meio longe de ser um dos mais esperados. Desde seu bom antecessor, “First Class”, o pessoal geralmente acreditava que o diretor Matthew Vaughn (que fez a razoável versão para cima de “Kick Ass”) voltaria, assim como a própria continuação da história, pois caso você não se lembre, Erik Lehnsherr acaba o filme revelando-se na identidade Magneto, isso depois de abandonar Charles Xavier com uma bala nas costas e tal. Poxa, é óbvio que enquanto fã de gibi precisou-se ter certa paciência para engolir “First Class”: a trupe mutante era totalmente diferente do WASP (White, Anglo-Saxonian and Protestant) apresentado nos gibis. Além disso, pretensos heróis do filme mudando de lugar conforme suas convicções se encaixaram na proposta de Magneto, além dos vilões-que-só-estão-ali-pra-brigar, isso desde o primeiro filme da franquia mutante. Beleza. Daí, foi feito o que NÃO se esperava e eu pensei: “Fodeu. De novo a gente vai ter que aturar o Bryan Singer, até bom diretor que inaugurou os mutantes no cinema, com seu ÓTIMO ‘X-Men 1’, elevou o status ao pretensioso (mais dos fãs que ele) messianismo no apenas OK ‘X-Men 2’ e depois desceu com gosto vários níveis em sua chupação de saco da dupla Donner/Reeve em ‘Superman Returns’. Depois disso não tem como esperar coisa boa do cara, ou na panela ‘super-herói’ ele só saberia trabalhar bem com a mutunada?”

Bom, sendo a última vez que se chora o leite derramado (quem vai lembrar de “Secret Service”, próximo projeto de Vaughn baseado no gibi de Mark Millar, que ocasionou a saída do diretor da continuação) e suportando as fotos promocionais apresentando uma vintena de personagens, fomos nos preparando pro pior.

Relembrando a origem.

         “X-Men: Days of Future Past” foi baseado na história “Days of Future Past”, de Chris Claremont, John Byrne e Terry Austin publicada em Uncanny X-Men #141-142 em 1981. Sina, uma integrante da criminosa Irmandade de Mutantes, assassina o senador Robert Kelly e com isso desencadeia um sentimento anti-mutante em toda a população. No futuro, os sentinelas comandam os Estados Unidos e os mutantes ficam presos ou mortos. Os X-Men do presente são avisados pela Kitty Pryde da versão futura (que é casada com Colossus, e com eles Tempestade, Wolverine e Rachel Summers são os únicos mutantes restantes), que transfere sua mente para a Kitty do presente. Kitty consegue até parar Sina e a Irmandade, porém, obviamente (duh!) sua linha de tempo se torna alternativa.

TÃO FÁCIL DE FAZER FILME…

         E no filme o Singer coloca Mystique (Jennifer Lawrence) como pivô do assassinato de Bolivar Trask (Peter Dinklage), criador dos sentinelas, o que ocasiona a tal fúria internacional anti-mutante e reforça o apoio aos sentinelas, que no futuro deitam e rolam sobre os mutantes. Não há prisioneiros mutantes, os sentinelas do futuro, dotados de adaptação e imitação sobre os poderes de suas vítimas, matam e pronto. E Wolverine se prontifica em descer à 1973, no início do projeto Sentinela, para impedir Mystique.

Evidente que há mudanças significativas: mete o Wolverine, HUGH JACKMAN, o Logan, de protagonista, independente dele ter sido uma ponte ou não pra encontrar o jovem Xavier (James McAvoy), mimimizando as perdas e danos, e com uma “cura” para sua paraplegia que não desce nem passando maionese, o jovem Magneto (Michael Fassbender), então encarcerado no Pentágono.

Hugh Jackman, o ator mais aparecido dos mutantes, com dois filmes solo nas costas e mais um anunciado provavelmente (não tenho provas) não teria tanta atenção, ou essa escolha foi pela grana? Que o dinheiro é a força mais poderosa do mundo eu já sei e também sei do papel do filme como ADAPTAÇÃO. Mas a opinião que fica é que: “X-Men – Days of Future Past” seria diferente e poderia muito melhor caso fosse mais próximo do gibi.

Memória fraca?

          É verdade que muitos dos que acompanham gibi não sabiam e/ou não lembravam que a Kitty Pryde cai no passado por si só, logo falaram do “poder tirado do cu” da personagem (Ellen Page) em transportar a consciência do Wolverine pro passado. A mutante, que é abdicada à força do protagonismo no gibi passa o quase todo o tempo inteiro do filme na mesma posição, as mãos próxima às têmporas do Carcaju pra não deixar a peteca cair. Fora o tesão do Singer em jogar personagens de diferentes etapas dos comics para um bojo só (Bishop, Blink, Sunspot, Iceman, Storm, Warpath), deixando claro que muita parada rolou dos outros filmes até ali, ou seja, os demais filmes são considerados… até um ponto de “Days of Future Past”.

PET, MIMIZENTO E FOGO-DE-PALHA
E o saldo?

          O saldo foram R$ 23 perdidos numa ida a pé à meia-noite num shopping em frente à Marginal Tietê, área necessariamente inóspita no entorno do local, naquela hora. Outro saldo foi o 3D mais desnecessário do mundo, além de, claro, me sentir ainda mais enganado pela continuidade da interpretação coxinha do Hugh Jackman, mas eu já devia conviver com isso, não é mesmo? Desde o X1 e passando pelos filmes solo que o australiano não sabe fazer o personagem (ou é orientado para tal) sem que seja um poço de neutralidade, alguém que se podia conviver facilmente, insosso, sem um pouco do Wolverine dos quadrinhos. Beast (Nicolas Hoult) também foi tão mal aproveitado quanto, rebaixado a bicho de estimação do jovem Xavier. Além de Mystique arrebatar as câmeras para si chegando a irritar em certo ponto. O filme mantém a “continuidade” ao First Class sim, mas bem distante, sendo uma produção auto-suficiente, não importa se no gibi é uma história fechada. Já deixei claro que o filme fez questão de se distanciar também do gibi?

As cenas boas de assistir resumem-se ao X-Men (do futuro) PELA PRIMEIRA VEZ agindo como uma equipe de verdade, como nos quadrinhos. Todos assustadoramente tensos pela iminência da batalha contra os Sentinelas do Futuro, poderosos demais para eles. E também a aparição e ação de Quicksilver (Evan Peters), que todos achavam que seria uma merda a partir de sua peruca, seu traje esquisito e impossível demais para um velocista.

SAINDO NA FRENTE (DA VERSÃO DE VINGADORES 2)

         Mas foda-se. Já era. O filme, até o momento, tem a nota de 8,5 no IMDB, muita gente gostou, é um fato. Eu tinha de ter um pouco de alegria da caminhada até o xópis até a volta, às 2h30, olhando como um viciado pra tudo quanto é lado. Se bem que não tinha nada pra ser roubado, né? A situação tava bem distante dum dia aí em que escapei de dois noiados de crack, um deles com um facão serrilhado, salvando os meus 200 REAIS entocados no bolso da frente.

Não me diverti como tinha de ser. Andei e me perguntei: “Peraí, como o Wolvie conseguiu as garras de adamantium de volta se elas são cortadas em ‘The Wolverine'”, sem coçar a cabeça porque tava frio pra caralho, mermão…

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