Diário do Escritor [Parte 5] Caixa Preta e o livro de contos

Anteontem terminei o Caixa Preta. Geralmente, quando não quero sair eu encho o saco da internet e escrevo, a conta gotas. Enfim, depois falo mais da minha freqüência de escrita.

A novela foi idealizada como parte 1 de uma trilogia (olha que pretensão) de romances, amor, essas coisas, também calcada no real e com personagens “reais”. Pode tanto ter uma cantora quanto um ricaço, ou uma cantora ricaça, até um miserável que mora num albergue ou quartinho. Exploro tudo e isso será o essencial nessa enxurrada de livros que vou publicar – é, vai sair a porra toda.

Caixa Preta tem como protagonista a Klara Auvinen, uma cantora fluminense, de Nova Friburgo e com pais finlandeses (a cidade foi povoada por alemães e suíços, enquanto que os finlandeses se estabeleceram em Itatiaia, no sul do estado), que desfrutou de notoriedade nas décadas de 80 e 90, mas que hoje vive longe da fama mesmo fazendo show atrás de show, acabando sendo sustentada pelos fãs saudosistas. Ela não quer mudar o repertório pra situação real (ou seja, cantando o que tá na mente do povo atual) e sofre, como sofre, e sofre mais por não ter ninguém, manda tudo à merda e vaza pra casa de Cadu Mordrake, um homem tão solitário quanto ela, por conta de um defeito congênito atrás do crânio, e que por isso mesmo nunca namorou. Até aí, tudo bem: ela implementa um hiato pra dar uma pensada na vida até que interrompe tudo pra resolver seu problema com o tráfico de drogas.

História simples, mas problemática: primeiro, eu desisti, depois me arrependi e por sorte uma garota que tinha o arquivo não o deletou, me passou de novo, reescrevi e, embora disse que acabei, ainda tô empacado com o final. Fazer um final ao menos passável é importante. Tem gente que pensa que “ah, o que importa é o ‘durante’, não o final”. Tudo importa, do começo é o fim. Algumas pessoas avaliam o livro pelas primeiras linhas. Se for uma merda, tchau, o cara abandona. Claro que você também não é obrigado a forçar a barra, seja você mesmo, mas se você mesmo achar que o resultado tá uma merda, pare e elabore melhor. E tô elaborando até agora, haha. Outra coisa é o pouco uso de personagens bons, como a menina Wenwen, irmã adotiva do Cadu, que anteriormente era pra ser o protagonista, mas passei a falar mais da Klara, mais e mais até que passei o bastão pra ela.

O cenário foi o que usei em parte do romance O Homem de Lata, no bairro de Engenho Grande, Araruama, interior do Rio. É lá onde fica a casa de Cadu e pra onde Klara vai depois da vergonha que fez em seu último show em Pinheiros, São Paulo-SP. Ambiente campestre às margens da Lagoa de Araruama.

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Foda, adoro o campo. Embaixo, o centro de Araruama, há uns 4km do bairro (e o terminal rodoviário, bastante utilizado nos meus livros passados na cidade).

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O livro Agora Podemos Falar Sobre Vida e Morte estaria pronto caso não quisesse incluir mais dois contos: Meu Filho Terrorista e o conto do cachorro que vira cozinheiro – é, história mais fantástica, mas não é a única, O Animal Exótico também é, mas menos ridícula. Até o fim da semana dou um jeito nestes dois livros.

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