Diário do Escritor [Parte 6]

Estou insistindo no erro de idealizar o personagem pra fazer uma coisa e pondo ele pra fazer outra. Foi assim no Caixa Preta, está sendo assim na novela Odiadores Irão Odiar (título provisório, é claro).

Parece que terei de reescrever o Caixa mais uma vez, ao menos aumentando os feitos da protagonista – Klara Auvinen -, porque pensei na mulher como uma espécie de Elis Regina misturada com Björk e Patrícia Marx: a primeira, pela personalidade explosiva, a segunda, pela aparência, e a terceira, pela situação na carreira, o ostracismo na mídia. Klara estaria fazendo show atrás de show, no Brasil e exterior, e quando passaria na TV seria naqueles canais que o grande público não se importa, como a TV Cultura/Educativa ou a CNT/Gazeta. Mas essa proposta foi enxugada na prática pelo livro ser planejado curto (daria cerca de 200 páginas ou menos), portanto foquei mais a resolução do seu problema com drogas.

Em certo momento da história ela encontra em casa uma das amigas traficantes fugitivas da batida policial que sofreu, mas daí pensei em deixar Klara levando a menina para a casa de sua família, onde ocorre uma briga com Marga (Margrette, a irmã mais nova de Klara) e a mãe. Klara fica sabendo, sobe à Nova Friburgo e sai no braço com ela. Por fim, ocorre uma tragédia, enquanto Cadu Mordrake, seu namorado, continua aguardando-a resolver seus “teretetês”.

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A diferença disso pra realidade é que nenhum traficante procurado (como era Klara, que se mostrava aos comparsas como Carla Menezes, e se disfarçava pondo uma peruquinha loura fajuta) botaria outro na casa de sua família, ainda mais o primeiro tendo esta vida dupla de artista famoso e relativamente conhecido. Em suma… foi até bom eu não ter feito isso.

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Já o Odiadores tem o triângulo amoroso composto por um sujeito comum (Jorge Junqueira), uma nerdzinha (Mira) e uma xenófoba militante (Lívia Carvalho). O maior problema da história consta em eu não manifestar direito os atos da Lívia contra seus alvos, essa nova geração de imigrantes que aporta em São Paulo todos os meses: bolivianos, africanos, haitianos, peruanos, sírios… Ela ingressa num grupo nacionalista amparado por um político conhecido, vestem farda e pretendem abandonar a violência para tornar-se uma espécie de agremiação oficial. Eles não se acham assemelhados ao nazismo (caso você não saiba, o nazismo é de esquerda) e fazem o que fazem “para evitar a carência de empregos e demais oportunidades aos brasileiros residentes na cidade de São Paulo”, também cientes de que toda essa enxurrada de imigrantes oriundos de nações pobres “não deixa de ser uma estratégia governista que só beneficia seu partido”. Aí, em dado momento noturno ela participa duma porradaria combinada com o pessoal da SHARP lá no Parque Dom Pedro (centro de São Paulo), leva a pior, se distancia do campo de batalha e acaba sendo socorrida pelo Jorge, que tava passando ali e blablabla. Leva ela pro hospital, depois ela aceita ir pra casa dele e ocorre a merda previsível como bem sabemos, quando Jorge começara a namorar Mira, de 19 anos, tímida, vendedora de uma loja de esportes na Galeria do Rock e dona de um fusquinha. Eu faria tudo sem forçar tanto a barra nessa situação, por incrível que pareça. Não quero chamar o leitor de “idiota”.

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Fora não conseguir mostrar Lívia tão xenófoba quanto queria – e ela já começou a questionar facilmente a política do grupo, por mais que permanecesse meses falando com eles pela página no Facebook – eu estou capengando na “química” entre Jorge e Mira. Na maioria das vezes eu consigo escrever um coleguismo/amizade colorida legal e até divertido a partir dos diálogos, mas nesses últimos dias, tô ruim.

Que “últimos dias”, o que? Só foi ONTEM que eu não tive muita inspiração! E tô nessa de “AAAAIN, NÃO TÔ CRIATIVO”? Pelo amor de Deus.

Vou reescrever estes dois livros essa semana, e ainda tem o de contos (que não acabei nesse fim de semana, como disse que acabaria)…

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