Chappie, Neil Blomkamp e a tua expectativa de merda

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“Neil Blomkamp se redimiu de ‘Elysium’! Eeehh… quem disse?”

É o que provavelmente se ouviu por aí. Não, de onde tirei isso? Só sei que o diretor sul-africano entrou no rol dos cineastas “geniais” que, de uma hora pra outra, começam a capengar, capengar, mostrando-se fajutos (pra uma dúzia de mal amados com expectativa até o rabo, vide alguns cada vez numerosos fãs da Warner/DC e Marvel Studios), daí, desmoronam, peladões de boas idéias, carentes de bom roteiro. O mundo está ficando cada vez mais escroto e frouxo, mas o público está cada vez mais exigente… Esse pessoal pode matar alguém. Metaforicamente, mas pode.

Famoso mundialmente pelo sem-querer-virei-arrasa-quarteirão District 9 [2009], Blomkamp foi acorrentado a milhares de entusiastas, que lhe impuseram o dever de sempre apresentar bons filmes, como o já desmascarado M. Night Shyamalan. Daí veio Elysium [2013], exibindo o mesmo maquinário exposto, peculiar e com cara improvisada, tendo como mote a revolta da população miserável (num planeta Terra igualmente miserável) sobre bem-nascidos vivendo numa estação espacial. Aqui os ânimos do público se exaltaram, “AAAINNN FILME DE MERDA!!! DIRETORZINHO DE BOSTA”. Nem gostaram da (boa) atuação surtada do Wagner Moura. É, o filme tinha uns errinhos aqui e ali mas nada que se compare os piores filmes do indiano lá, pelo amor de Deus…

chappie

Então, este ano veio Chappie, tendo como atração não apenas o robô-título, dotado de consciência, mas também Hugh “essência do personagem” Jackman e o duo de rap sul-africano Die Antwoord, que apesar de cantar em africânder, é cada vez mais conhecido. A história é o café com leite, você sabe: robozinho adquire consciência, cai em mãos erradas e é escarnecido até atingir a redenção. E inclusive o andamento se mostra até mais simples que isso, mas, ao contrário de Elysium, Blomkamp inventa moda exagerando no desfecho, entregando uma produção que, novamente, “não se compara aos piores filmes do indiano lá, pelo amor de Deus…” O problema sempre foi a expectativa, do tipo que as pessoas de hoje em dia buscam incessantemente por novos ídolos, em todos os campos, até mesmo na política, porém, na derrocada de tais ídolos, abruptamente e injustamente, os mesmos fãs, ou ao menos a maioria deles, não movem uma palha para recolocá-los no lugar. Se acham satisfeitos em propagar sua idolatria em conversas de bar, em torcidas diante do Jornal Nacional. Quando caem os ídolos, ninguém além deles mesmos e dos mais próximos dão uma força, e quando “os de fora” dão, é na hora errada e em ocasiões erradas. Só ver o funeral do cantor e agora “ídolo nacional” Cristiano Araújo.

Chappie_2015-28

EU PEGARIA, TU NÃO?

Portanto, como exigir qualquer coisa de um diretor novato? Estamos cientes de sua fama e sua exposição por si só o põe no alvo de críticas e elogios. Mas se você sequer cultiva e renova seus ídolos, como exigir qualidade do Blomkamp? O principal erro do diretor é promover boas idéias, mas não saber explorá-las, ocorreu nos seus três longas. Não estou dizendo que tanto ele quanto o Shyamalan mudariam pra melhor, o Blomkamp deve ter esta limitação mesmo. O Shyamalan já era. Mas o que suas palavras e a tua expectativa raivosa influenciaram nisto e fazem algo para ajudar?

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4 comentários sobre “Chappie, Neil Blomkamp e a tua expectativa de merda

  1. Anonimo disse:

    Eu estava afimzaço de ver esse filme. Posso te dizer que não assisti Distrito 9 eu queria assistir esse mais pelo visu do Robô e pelo contexto, não sei se dou uma chance depois de ler o que você escreveu.

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