Submissão (Michel Houellebecq)

É realmente uma pena que o livro Submissão, do romancista e ensaísta francês Michel Houellebecq, tenha reforçado o carimbo de “polemista” ao autor, e mal associado – resultado este fomentado pelo próprio, em fuga – com a “islamofobia” pós-Charlie Hebdo e o seu terrível atentado meses atrás. O jornaleco de esquerda, este verdadeiramente alimentado por polêmicas, sucumbiu ao ataque feito por extremistas islâmicos, resultando em 12 mortes. Houellebecq adiou o lançamento de Soumisson e fugiu, em seguida, mesmo assim a editora Alfaguara achou por bem lançar sua versão brasileira.

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“O LIVRO MAIS POLÊMICO DO ANO”… VÁ SE FODER, ALFAGUARA

François (espécie de alter-ego do autor, como os de seus outros romances) é um professor universitário da Sorbonne. Desiludido, solitário, dando suas transadas aqui e ali antes de presenciar a ascensão do fictício Mohammed Ben Abbes, candidato da Fraternidade Muçulmana à presidência da república – os demais seriam os candidatos da UMP, partido do Nicolas Sarkozy e Marine Le Pen, da malfadada (por alguns) Frente Nacional. Espectador da mudança após a eleição de Ben Abbes, François é obrigado a se perguntar se vale a pena fazer parte.

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IMAGINA UMA CAPA DECENTE, AGORA

O livro é curto (o mais curto dos romances do autor) e, ao contrário do que seria uma versão franco-muçulmana de O Homem do Castelo Alto, se apressa em focar apenas o drama de François, ao invés de estender o mote como merece. As conseqüências da França islâmica são jogadas por alto, apesar de Houellebecq falar muito sobre as eleições, em suma, muita oportunidade de explorar direito a questão do islamismo crescente na Europa, realmente um continente à perda de seus antigos valores ocidentais. É só ver o que está ocorrendo na Suécia e mesmo na França. O drama da enxurrada de ilegais atravessando o Mediterrâneo, acossados pelo terrorismo no norte da África e no Oriente Médio, adicionado aos imigrantes tentando atravessar o Eurotúnel rumo ao Reino Unido, empurra cada vez mais a Europa ao colapso. Voltando ao carimbo de “polemista” em Houellebecq com Soumisson, o livro nada tem a ver com “islamofobia”.

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