Plemya (The Tribe)

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Esse ucraniano Plemya foi a sensação mais que temporária lá fora e que respingou no Brasil em matéria de, como você bem sabe, tratando-se de uma produção independente mais fadada a morrer em festivaizinhos que nunca, em exibições de fundos de quintal (leia-se, centros culturais); aqui em São Paulo o longa foi presenteado com apenas DUAS SEMANAS no Centro Cultural Vergueiro, point de estudantes, “artistas” e vagabundos classe-média dessa zona sul paulistana varonil; mais chinas dançarinos de hip-hop, bichas, velhos que passam o dia inteiro jogando xadrez, a fauna imutável do local. E, claro, seu tratamento imerecido prosseguiu em pouquíssimas sessões diárias com uma média de público que cabia na palma da mão de um bebê.

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PASSA LÁ!

Por mais que um filme seja imbuído de ótimo roteiro e feito a troco do pão deveria passar esse sufoco. Por outro lado, se os estadunidenses injetassem uma grana a cada filmaço em potencial, tipo esse, muito do roteiro original seria podado, os idealizadores seriam castrados e devidamente habilitados a aceitar as mudanças. Não foi assim com a carreira “US” do Ricky Gervais (estrela do The Office UK, SUPERIOR À VERSÃO USA, CONVIVAM COM ISSO)? Por esse e muitos outros casos que o cinema europeu é, de longe, o mais interessante e inventivo do mundo. Mas vamos à crítica.

Plemya sintetiza bem o estado cru da Ucrânia pós-regime soviético; como nações ex-comunistas prosseguem mantendo uma crueza, um estado decadente que não apenas se reflete nas construções, como na mente dos seus povos: Grigory Fesenko faz um jovem surdo-mudo que passa a estudar numa escola surdo-muda, onde, duh, todo o corpo discente e docente é surdo-mudo. Mas, como diz o trailer, não há a maior necessidade em o filme quebrar o silêncio. Os atos dizem tudo…

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A escola possui uma gangue bem organizada de alunos, todos eles jovens e crianças, que atuam em, desde prostituição e roubo até contrabando e tráfico internacional de mulheres. E o personagem de Fesenko embarca nessa, a fundo. Até ser traído por si mesmo…

Complicado fazer uma sinopse que ao menos não entregue metade do filme, não é mesmo? Da próxima vez eu escrevo uma tipo as do IMDB… Mas até aí, 9 entre 10 críticos fazem o mesmo que eu fiz, e eu cheguei até Plemya já tendo lido essas sinopses; é, deu uma ajudada, mas até aí peguei crítico que não cometeu a prática cada vez mais crescente de contar o final do filme ou cenas de importância (e impacto) maior. A obra de Miroslav Slaboshptsky é calcada num realismo convincente, um retrato simples e cru dessa mesma decadência dentro-e-fora das ex-repúblicas soviéticas; novamente, não há a menor necessidade de se falar qualquer coisa quando tudo é mostrado às claras. Até mesmo quando Plemya não se agüenta e abandona a brutalidade “real” e joga a apelação propriamente dita, que, caso o filme não fosse tão bom, seria um dos maiores tiros no pé cinematográficos destes últimos 10 anos de cinema europeu.

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Como o mundo é injusto, o filme não foi indicado ao Oscar por Melhor Filme Estrangeiro (também pra que? Uma premiação que ignora o justo favorito, Leviathan, pra premiar o filme de temática judaica Ida, por medo do Putin?), mas ganhou muitos prêmios, o que o ajudou a descer nestas bandas. Ante isso, quem viu viu, quem não viu… tem o download. Que sacanagem!

PS: agradecimentos ao O Melhor da Telona

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2 comentários sobre “Plemya (The Tribe)

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