[Livro] Deixa Ela Entrar

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Ancorado no sucesso do filme sueco Let the Right One In (Låt den rätte komma in), exibido pela primeira vez no Brasil em 2009, a GloboLivros lançou o romance original de John Ajvide Lindqvist, escritor também com carreiras tão distintas quanto mágico e humorista.Além do culto gerado pelo filme, principalmente, o livro gerou diversas peças de teatro, uma versão estadunidense do filme (de 2010, com Chloë Moretz e Kodi-Smit McPhee) e uma vindoura série de TV baseada no romance. Lindqvist fez outros romances baseados no gênero horror, como esse, Hanteringen av odöda (Handling the Undead) e contando…

Claro que tive contato primeiro pelo filme sueco, baixado, e desde já o louvei por duas coisas bastante simples e precisas: 1- É uma mídia que renova e ao mesmo tempo revigora a temática antiga do tema “Vampiro”; a porção mortal e assustadora dele, o que estávamos implorando para ter nestes tempos ainda frescos de Twilight e outros romances sobrenaturais envolvendo romance de humana com ser fantástico, 2- É uma espécie de filme feito com a típica crueza e franqueza européia, NUNCA, sob hipótese alguma seria reproduzido sob estes mesmos maneirismos; o máximo extraído de crueza em filmes brasileiros e estadunidenses seria a violência “à bala” e o sexo; aliás, nos filmes US o sexo já caminha para a inexistência, fora ter sumido nos blockbusters por motivos óbvios. Então, o filme de Tomas Alfredson foi um bálsamo.

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A seqüência US foi encabeçada por Matt Reeves, diretor de Cloverfield, que tratou de copiar + colar seu objeto de admiração, e por isso mesmo deixou de ser interessante. Nem pude dizer que Chloë Moretz, desfrutando dos louros de sucesso de sua Hit Girl em Kick Ass, foi bem no papel: apenas fez seu trabalho, a mesma coisa o McPhee, que atuaria melhor em The Road, baseado num romance do Cormac McCarthy, um dos poucos autores contemporâneos QUE PRESTA nos Estados Unidos. Anos depois, li o livro.

Apesar da trama ser a mesma, há diferenças, e elas são gritantes: não imaginava que o Lindqvist fosse um escritor pós-modernista, pra começar, ao estilo de Thomas Pynchon, jogando frases que mais se aplicam a opinião pessoal do autor; uma característica bacana, que mais cabe a escritores jovens, porém, dá merda sendo posta demasiadamente e em qualquer colocação. Pra alguns isso “diminui” a seriedade do autor, mas o que eles pensariam do fato do próprio Pynchon ser um escritor sério? Há, é claro, um trabalho melhor ao protagonista Oskar, à vampira Eli e aos coadjuvantes, que em certo momento são até mais explorados que estes dois, “presos” nos seus propósitos. Lacke e Virginia, dois dos beberrões locais, têm um sub-plot importante que aqui até funciona melhor que no filme – excetuando a terrível parte dos gatos, que considero o único defeito da película. Aqui fica bem, embora o sub-plot em si, assim como o final do livro, considere forçado. Feito às pressas, do modo que Lindqvist estivesse de saco cheio de olhar para a cara do original.

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Fora que Lindqvist perdia o fio da meada antes disso, o que deu a pensar se ele estava jogando acontecimentos para ultrapassar as mais de 400 páginas, pra que ficasse um livro “respeitável”, não levando em conta a coisa boa que já estava fazendo, resgatando a literatura de vampiros do lodo politicamente correto.

Há também uma revelação sobre Eli que foi apenas sugerida no filme sueco. Lá a vampira foi interpretada brilhantemente por Lina Leandersson, que infelizmente não foi explorada por Hollywood, como sua conterrânea Noomi Rapace. Lina é um achado, e foi surpreendente, ao menos pra mim, ela ser fã de Twilight. Bom, ao menos ela não veio de uma série de filmes sérios (e com uma carreira séria acompanhando), e a partir da sua participação pessoal a série Twilight, fodeu o resto de sua carreira, como ocorreu com a Dakota Fanning.

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OK, LINA, EU CASO.

Lindqvist não é um autor tão enrolão no fluxo de consciência, como Pynchon, mas, no fim das contas, entregou um bom livro. A versão da GloboLivros é tecnicamente bem feita, com uma boa capa e uma bonita lombada, mas até aí, nada fora do que se espera de uma editora decente.

http://globolivros.globo.com/livros/deixa-ela-entrar

 

(posteriormente o autor foi publicado pela editora Tordesilhas)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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