“Pânico”, Comic Con e o Mimimi

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No começo da semana houve uma celeuma envolvendo os repórteres do programa Pânico na Band e o Comic Con Experience, um evento de cultura nerd organizado pelo site Omelete e realizado aqui em São Paulo. A tal “comunidade nerd” ficou alvoroçada, totalmente revoltada, de dentes rangendo, por causa duma lambidinha no braço dada por um dos repórteres a uma participante do evento, uma cosplayer. Depois a guria manifestou toda a sua indignação xingando muito no Twitter, dizendo que passou um tempão tentando se afastar dos outros pra tinta não sair da pele… Quase ao mesmo tempo a organização do Comic Con Experience manifestou uma nota de repúdio, expulsando indefinidamente o Pânico na Band do evento. Pra fechar com chave de ouro, alguns me fazem um abaixo-assinado pedindo a retirada do programa do ar.

Daí, você vê que nerd, especialmente o brasileiro, é um bicho tão inofensivo, tão frouxo, que quando é pra se revoltar, é por pouca coisa. Por pouca merda, quando eles já são enrabados por todos os lados há anos! E pelo fato do Pânico ter-lhes atingido, assim, de leve, foi o bastante para eles “acordarem” – como eu disse, por pouca merda. Chamaram a lambida até de assédio sexual! Fora o artigo totalmente parcial e tendencioso do Tecmundo, que mais uma vez joga conforme cartilha esquerdista.

Sem título

Os mais espertos – aliás, nem precisa sê-lo para isso – viram que a coisa começou bem antes: os tão ofendidos reclamantes deviam primeiro se revoltar contra a organização do evento, que deixou a equipe do Pânico, notoriamente conhecido por entrar em festas e demais eventos para escrachar seus convidados, participar, certo? Fora que ser cosplayer, vestir uma fantasia, é naturalmente pedir pra ser zoado por “gente normal”, o Pânico só fez isso acontecer! Eles zoam artistas, zoam subcelebridades, zoam qualquer um, então como não zoariam anônimos fantasiados?

Segundo, meus amigos, quem xinga muito no Twitter por causa duma lambidinha, é estampar pra todo mundo sua mimadice, sua paumolice. Coisa de gente que nunca dormiu na sarjeta, que nunca passou fome, que bate o pezinho quando contrariada, classe-média sustentado pelos pais e que não tem voz ativa. Tão confortável que muitos se deixam levar psicologicamente pelos personagens que “interpretam” (e põe “aspas” nisso, pois não é interpretação de verdade).

Terceiro, nerd brasileiro, como disse, é enrabado por todos os lados há anos: colecionam HQs e mangás com papel de péssima qualidade, com péssima tradução, péssima diagramação, cancelamentos abruptos, escolhas questionáveis de publicação, tudo isso lambuzados em altos preços. A Panini, editora que detém os direitos dos títulos das editoras Marvel e DC no Brasil, CAGA na cara de seus consumidores há anos. E eu nunca vi essa mesma turba boicotando a editora ou até mesmo enchendo o saco dos caras no prédio deles; simplesmente lavam as mãos. Teria a opção de se comprar os gibis importados, mas boa parte dos nerds brasileiros não sabe inglês. Logo, você vê que uma lambidinha não é nada ante tudo isso.

Fora que os otakus, os fanáticos por animação japonesa, são ainda mais frouxos que os fãs de comic books.

Finda a semana e até agora não vi ninguém reclamando com o Omelete, aliás, não chega a ser incrível as fichas que as pessoas dão a eles e ao Jovem Nerd, estas duas mídias de “nerds de ocasião”, que jogam conforme quem dá mais: ambos são os mestres do empreendimento pela cultura nerd, e tão sedentos por grana que arremedam ideologia esquerdista (pró-feminismo, pró-movimento gay, “ditadura foi horrível”) e tudo o mais. Chamam Frank Miller de fascista, mas o convidam pro evento. O Comic Con Experience foi a maior tacada do Omelete, que teve a participação do grupo Jovem Nerd, que, ao que me dizem, foram massivamente assediados todo o tempo. Ambos são mais oportunistas que nerds propriamente ditos. Fizeram dos limões uma limonada. Transcenderam, e muito, o ato de ficar reclamando e parasitando num fórum de quadrinhos ou simplesmente comprando gibis e engolindo sua revolta porque vieram duas páginas com a mesma capa.

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Chego a admirar a iniciativa e a cara de pau acachapante, nada a dever contra esses cantores de sertanejo universitário que brotam a cada segundo, por exemplo.

Por fim, você vê que até mesmo a expulsão do Pânico na CCXP foi uma jogada oportuna. Os nerds ofendidos pela abordagem previsibilíssima se sentem agradecidos; o Tecmundo, que também é uma mídia de sucesso, engole e todos assim ficam na santa paz de Deus até a próxima “agressão”.

Mais um ponto para a mediocridade.

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5 comentários sobre ““Pânico”, Comic Con e o Mimimi

  1. Anônimo disse:

    Vamos aos meus comentários.

    Pelo que pude ver a tal lambida do repórter do Pânico tinha tirado a tinta da fantasia da personagem. Sim eles são escrotos do tipo perco meu amigo, mas não perco a piada. O erro da garota foi deixar ser entrevistada pelos manés eu teria tacado um foda-se neles e pronto. Até porque Pânico pra mim morreu faz tempo e eu cheguei a uma maturidade mental que não engole mais o humor de bosta deles. No fim eles até merecem esse tipo de tratamento vindo dos organizadores sim, apesar do mimimi da garota ela bem que podia ter evitado isso tudo, mas sacomé a pessoa quer ter seus 15 minutos de fama e gerar polêmica tanto o pânico tanto quanto a dita cuja. Até Nando Moura quis ter seu momento de rage com isso:

    Quanto a ser Nerd e afins é difícil, digo eu mesmo que curte quadrinhos e mangás. O segundo deixei de comprar há muito tempo só compro ocasionalmente HQs muitas delas usadas ou em promoções justas que valem o investimento. Sem contar que apelo pro digital e a pirataria a maior parte das vezes. E sempre procuro apreciar isso sem pressa e sem fanatismo de ter tudo logo ou conferir logo uma Hq, Filme e outra mídia assim que sai passei dessa fase.

  2. Anônimo disse:

    Bom a menina poderia ter evitado toda a situação ter tacado um foda-se pra esse pessoal do pânico, mas foi dar trela pra eles e tomou essa. As pessoas estão carecas de saber que o Pânico faz isso com tudo e todos. Só serviu pra mimimi e pro pessoal tomar as dores dela como o Nando Moura:

    Agora quanto a ser Nerd realmente é complicado com os preços praticados aqui, costumo só comprar quando o preço está muito bom (o que é bem raro) e garimpar em sebos em busca de exemplares em bom estado. Passei da época de me descabelar por quadrinho, filme ou que quer que seja. Vejo quando puder e quiser e não me incomodo de usar pirataria.

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