Incêndio no Museu

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Eu estava na região quando rolou o incêndio no Museu da Língua Portuguesa, na Luz, este construído num prédio antigo da extinta companhia de trens São Paulo Railway, fundada por ingleses que se instalaram na cidade e que fizeram a linha ferroviária de Santos (litoral do estado) a Jundiaí (próximo ao interior), principal via de transporte dos imigrantes que viriam a compor São Paulo há mais de um século. Nunca entrei naquele museu, que não tinha aval do Corpo de Bombeiros para funcionar, mas conheço até bem a região, bem degradada com prostituição à rodo (especialmente no Parque da Luz, que não é seguro para mulheres sozinhas), usuários de drogas, punguistas e vagabundos em geral; você passa a qualquer hora ali na esquina da rua Cásper Líbero com a Mauá, na fachada da estação, e encontra gente encostada na parede sem fazer absolutamente nada.

Não é um local tão esquecido quanto a Baixada do Glicério, que tornou-se um bairro de imigrantes africanos e haitianos mas também vem sido maltratado pela prefeitura. Além de paralisar parte do transporte ferroviário que passa ali, o incêndio danificou um patrimônio que, além de embelezar o local, nos lembra o passado, por mais que o brasileiro médio esteja cagando para isso. Enfim, está aí parte da perda.

 

Enquanto isto, o recém-inaugurado Museu do Amanhã, criado em parceria com a prefeitura do Rio de Janeiro e a Fundação Roberto Marinho (do grupo Globo) tine firme e forte como um típico elefante branco, uma peça desnecessária de uma cidade combalida pela falta de educação, saúde e moradia decente, saneamento básico; um equívoco mas que ao menos deixa patente, pela enésima vez, o signo do “oba-oba” de Eduardo Paes. E ainda há quem se convença de sua seriedade pelo simples fato do defensor de milicianos ser um arroz de festa mais do que qualquer prefeito que a cidade teve nos últimos 20 anos. É o político-diversão, o classe média que ludibria até a avó no papo. Ainda reclamaram do Gabeira e sua visão superficial do Rio na propaganda de candidatura à prefeito em 2009.

O Museu do Amanhã grita “meio ambiente”, “sustentabilidade”, além de, claro, gritar a mentira do aquecimento global, e como tais interesses são oportunos à Fundação Roberto Marinho achei até tarde a criação deste museu, por há muito enchem o saco com a cantilena.

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O “carioca-médio” não tá interessado nesse papo furado. Tá interessado em ser respeitado pelo governo no qual votou (ou não votou, é claro, a cidade não é composta apenas de votantes do eleito). A Globo e a prefeitura são tão desrespeitosos ao cidadão que ignoram isto na cara dura, há anos. Por isso, mais uma porcaria de elefante branco.

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