Festejando em um Precipício

Parafraseando o título da The Economist direcionado ao povo brasileiro, que está festejando mesmo com toda decadência (política, econômica, social) que empesteia o país há um bom tempo e que sinaliza feder com carga total neste ano de 2016. Há os que dizem que tal reação, a ida aos blocos, arquibancadas na Marquês de Sapucaí (ou no Anhembi, em São Paulo), as festas mil nesta época do ano em todos os cantos da nossa nação continental, seja algo cultural, o que concordo em parte, a não ser se tomasse também a desconsideração do povo por si mesmos como parte do meio, que os protestos a favor do impeachment da presidente fossem apenas sopros isolados de revolta. “Somos um povo latino, é claro que a coisa rolaria assim”, eu podia pensar. Então, quer dizer que nunca chegaríamos a eleger um presidente de direita, como os argentinos, latinos, fizeram elegendo Mauricio Macri? Sim, a grande maioria dos brasileiros é conformista, segue na onda e naturalmente se revolta quando há outros dispostos a tal, mesmo entre eles há putas de classe-média tirando foto para o Instagram ou gente exibindo cartazes engraçadinhos, como rolou aos baldes na primeira manifestação, em 2013. Esquecimento proposital até tomar a primeira bordoada, das várias, durante o ano.

Temos todas estas características de merdas. O Carnaval só é apenas parte delas, justificada pelo dito de que “o ano só começa depois dele”. Os hospitais públicos do Rio de Janeiro estão numa falência generalizada, ainda assim, vamos pular carnaval. Não tenho o que comer, mesmo assim, vamos pular carnaval. Somos governados pelo partido mais corrupto destes mais de 500 anos de História: VAMOS PULAR CARNAVAL, PORRA! Chega no bloco! (apesar de que boa parte dos blocos paulistanos seja composto de gente bem nascida; não fizeram um trio elétrico no centro de São Paulo?) Você tem todos os canais de TV aberta (sustentados pelo governo) pró-carnaval, cuja festa “principal” é sustentada pelo governo, tanto que quem quis protestar no meio da coisa, pondo um “Fora, Dilma!” no meio do tapa-sexo, foi brutalmente expulsa.

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Dita estas obviedades necessárias por um pobre direitista, fica a pergunta: nossa culpa não aumentou ainda mais ante toda esta merda? Somos maldosos, somos levianos, somos incapazes de nos manter frios e não deixar que nos tomemos pela emoção de uma festa que não tem mais razão de ser? Por que somos tão filhos da puta conosco e com quem não conhecemos, até com quem ainda vai nascer no meio deste inferno? Como somos tão “desprendidos” assim a ponto de dormir e acordar tranqüilo na bosta?

Então, como falar mal do Lobão, do Olavo ou de qualquer outro que manifesta ou manifestou o desejo de querer sair do Brasil? Ficar para que? Pra morrer no meio da merda? Se somos nós que fodemos tudo?

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