Liga da Justiça (do Fracasso) – Trailer Comentado

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Semana passada a Warner surpreendeu lançando, passados quatro meses da estréia de Batman v Super-Homem no Brasil, um dos primeiros trailers de Justice League: a meu ver, “um dos” para deixar clara a tensão que permeia a mesa dos diretores da produtora, infelizmente, após desempenhos justificadamente mornos de Man of Steel e BvS. A solução certa, e nem por isso menos humilhante, seria vender os direitos cinematográficos para a Marvel Studios, mas tudo bem…

Não se pode esperar heroísmo e alguns dos clichês inclusos no pacote; o trailer do filme, cuja direção prossegue sob a batuta de Zack Snyder, mantém o clima soturno, a fotografia escura e aquele “tesão” em manter a existência super-heróica num viés pé no chão; aliás, este artifício predomina o cinema de super-heróis atual desde o primeiro Iron Man (2008), que não obstante não ter reiniciado o gênero nas telonas (papel esse dado ao ótimo Blade, de 1998), inaugurou a produção contínua de filmes sobre o tema. A bem sucedida Marvel Studios optou pelo clima “solto”, mais gibi dos seus super-heróis, enquanto a DC/Warner abordou uma realidade crua, dark , a partir da trilogia de sucesso The Dark Knight. Só que as diferenças não param por aí: enquanto a Marvel Studios se estabeleceu como produtora de filmes de super-heróis, arrecadando quase 7 vezes mais em surpresas, verdadeiras zebras (como Guardians of the Galaxy, e vem Doctor Strange por aí), fazendo com que muitos atores pleiteiem um papel em suas produções, desde o fim da era Chris Nolan, a Warner coleciona fracassos, ignorando os anseios do público por alegria e personagens que transmitam carisma. Portanto, desde já torci o nariz para este desesperado Justice League.

Bruce Wayne (Ben Affleck), com a ajuda da Wonder Woman (Gal Gadot) – dobradinha essa um dos poucos bons pontos de BvS -, recruta alguns heróis para compor você-sabe-o-que. A busca faz questão de se mostrar inconvincente, e tal sensação se espalha na apresentação dos personagens, provocando subseqüentes facepalms: com uma mistura de Flash do Justice League animado – este sim, bom – e os tipos verborrágicos/esquizofrênicos que pipocam em toda série atual de comédia, o Barry Allen aqui (Ezra Miller) será notabilizado pelos “momentos vergonha alheia”, vide o diálogo bisonho travado com Wayne. O unifor–armadura é tão disfuncional quanto seus poderes: como ele emitiria raios a cada ação, quem estaria perto, se foderia. Ou não? Alguma explicação coerente pra isso?

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“MAIS QUE DE AMIGOS, EU PRECISO NÃO CONSTRANGER TANTO NESSE FILME”

Também temos o Aquaman, que será inexplicavelmente “interpretado” por Jason Momoa, conhecido dos fãs de quadrinhos por protagonizar um senhor fracasso retumbante , aquela prova de que o cinema estadunidense só faz arrotar dinheiro e dá pouquíssima atenção a roteiro. Sua escolha pode ser associada ao Aquaman do Peter David, mas que ainda assim não convence pelo fato de estar neste filme para ser o “homem forte e mudo”, da mesma forma que vilão Sabretooth foi enquanto capanga de Magneto no primeiro X-Men (2000), além de estar dissociado do Aquaman tanto da versão Super-Friends, a eternizada no imaginário popular, quanto das versões atuais, como a New 52. Enfim, sorte pro fortão, que, sem se escorar numa franquia de sucesso, certamente naufragaria.

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“DINHEIRO!”

Victor Stone, o Cyborg (Ray Fisher), que como os dois acima foi toscamente exibido no “email da justiça”, em BvS, foi o mais prejudicado pelo desesp–pelo CG do filme. Considero um personagem mais interessante que os demais, pegando seu papel nos Teen Titans, além de suas funcionalidades; é capaz de ser o “inteligente” do filme, e ainda assim nublado pelos colegas mais famosos.

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“‘INTELIGENTE’ E ‘ESCADA’, SE BOBEAR…”

Pois bem, a esta altura, até os não-nerds devem saber qual lado da polarização (excluindo Sony e Fox por ainda engatinham em suas adaptações, por incrível que pareça) está deixando seus empresários enfurecidos, arrancando os cabelos. A Warner sintetiza bem a atual situação do declínio moral das produções de cinema estadunidenses: você tem à disposição rios de dinheiro para gastar, e sendo um diretor acostumado com o que faz dentro de certo tema, ainda mais sendo o único, dificilmente é cuspido fora, mesmo após uma sucessão de fracassos, que são nada mais nada menos que desempenhos TOTAIS abaixo do esperado: Man of Steel ganhou muito, mas teve críticas divididas. Muita gente já torceu o nariz para este Super mudo e agressivo; BvS, nem se fala. Foi a cereja do bolo, tanto que que não só eu, mas outras pessoas praticamente imploravam para chegarem as partes do Batman, não obstante descaracterizado. Sendo Zack Snyder culpado pelo insucesso, mas, como disse, tendo todas aqueles predicados, a Warner continua depositando as fichas nele. O desespero é tanto que o trailer não insere o que mais almejamos: ESPERANÇA para os filmes de super-heróis feitos pela Warner. Mas se até na escolha de atores, o básico do básico, eles erram…

Só isso. Mas se já começa tendo Icky Thump como trilha de um grupo grandioso como esse, amigo, é de lascar.

 

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