[Diário do Escritor 7] Criatividade e Desenvolvimento

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Tá brabo…

Faz um tempo que não consigo desenvolver direito uma história, qualquer história, das várias que fiquei de trabalhar e tentar publicar nestes próximos dez anos. Perdi as contas de quantas vezes joguei fora diversos capítulos e pensei em reformulações de livros já prontos ou próximos do clímax, achando que meu gosto pessoal quanto às obras não estava legal, que o público não gostaria e tal, mas cheguei a passar vários textos pra umas pessoas, que disseram estar tudo OK. O Caixa Preta foi considerado “OK” também, mas distante de uma dedicação tal como tive com o Atomização – História de um Acompanhante. Fora estes dois, o Juntos na Noite também está pronto. São as, tipo, portas de entrada pro “mundo literário”, à vera, sem ser uma espécie de teste de aceitação – lembrando que se fosse pra testar, que seria com a minha grana, e não das editoras. Só que eu não saio do 0x0 satisfatório.

Outra porta de entrada é o Fogo na Realidade, romance que estou fazendo sobre um ex-membro de um destes movimentos anti-Dilma que tenta se afastar da política resolvendo coisas da sua vida na qual negligenciou por anos, como procurar um emprego (agora que não estava mais recebendo a mesada do grupo, que é financiado por partidos), resgatar sua relação com a namorada (uma lutadora de MMA) e com a família. Porém, esse é o maior desafio, porque não rolou um desenvolvimento bom o bastante pra me acalmar. O Fogo tem uma pequena vantagem, que é mexer num assunto do momento – as Grandes Manifestações Nacionais, a instabilidade política, o entra-e-sai de presidentes… Não obstante, estes assuntos não protagonizavam o romance, e sim a vida pessoal do Fábio Franco. Pensei: “Ih, focar mais na vida do cara não vai trazer nenhuma reflexão pro leitor; se bobear, vira um daqueles romances que tinham tudo pra dar certo mas não passam ou de punhetação ou de covardia, ou até mesmo de um equívoco narrativo”. Bom, reflexão não é obrigatória a livro nenhum, mas na minha opinião, lançar o livro sem deixar de trabalhar a situação política, e principalmente, colocá-la sob diversos pontos de vista seria tão frustrante quanto foi o Habitante Irreal, do Paulo Scott, que tinha como prato principal a vida de um ex-militante petista tendo de lidar com Maína, uma índia adolescente e a opção em ter de cuidá-la com os próprios recursos. Aliás, o Fogo foi idealizado como um Habitante Irreal melhorado, um tipo de “vingança” à obra do Scott, mas, em prol do assunto político, limei a indígena e foquei só no cara. Deleguei o livro a, como disse, se sustentar na vida do cara, ao invés da política.

(Habitante é uma falha, um típico sexo interrompido. Mas é o que se pode esperar da grande maioria destes autores indies, dessa galera dotada de um modo peculiar de pensar…)

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“NERD MOCHILINHA”? CACETE…

Aí, joguei um monte de passagens e capítulos do Fogo no lixo. Reescrevi e retoquei a maior parte do livro umas sete vezes. Nesse ínterim, quis mexer no Juntos na Noite (ao menos no desfecho dele) e no Caixa Preta, convencido de que a vida da protagonista deste, Klara Auvinen, uma cantora de sucesso que vive uma vida dupla como traficante de drogas, e que por ser anti-social acaba “convocando” um anônimo pra namorado, mas deixei pra mexer depois de vencer minha briga com o Fogo. Afora os problemas pessoais que todo mundo tem, não tenho uma boa noite de sono há semanas e tô preguiçoso pra postar no blog, mesmo tendo um monte de assuntos pra tratar. E estou cada vez mais me aproximando do YouTube, da possibilidade de se fazer vídeos…

Conforme o anúncio de uma grande editora em se abrir pro recebimento de originais num mês próximo, eu não vou desenvolver o Fogo na Realidade a tempo, então eu jogaria o Juntos naquela vala de originais que eles devem receber dia sim e dia também – o que é natural -, e como tenho vários livros pra mexer, nem sofreria tanto com a espera de 7 meses de avaliação. Eu não vou ser rico e famoso nessa merda, nunca esperei isso, mas espero ao menos ser lido e ser reconhecido por fazer algo bom, só que enquanto eu não marcar um gol, vou continuar insatisfeito, por mais que outros tenham gostado do meu trabalho.

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