Umehara Daigo e a nova idolatria

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Faz muito tempo que não mexo em videogame. A última vez em que realmente parei pra jogar foi em 2005, 2006, quando usei o XBox (de uma loja de São Gonçalo, no Grande Rio) pra jogar Bloody Roar Extreme; já acompanhava a série, achava o conceito lutadores-humanos/animais bacana e gostava de certos personagens (como a Marvel/Shina, uma mercenária). Foi uma das pouquíssimas vezes em que usei um console pra luta na mesma destreza que um controle de flipper, mas até hoje acho Bloody Roar um fighting game difícil, deixando claro que provavelmente eu nunca seria o favorito numa disputa, e nunca fui, nem mesmo em fighting games mais fáceis – como o The King of Fighters 2003.

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MARVEL É GOSTOSINHA…

De lá para cá, alguma coisa mudou na relação videogame-jogador: hoje se pode ser um competidor de um campeonato de disputas de jogos de luta, seja solo ou por equipe, e ganhar uma bela grana. O japonês Uchihara Daigo é um dos mais famosos jogadores do meio, e que ficou famoso em praticar vários “parry” com o Ken sobre o “Super Art” (o chamado “especial”, o golpe especial) da Chun-li no excelente 3rd Strike: Street Fighter III: tão famoso no meio que protagonizou um mangá e um livro baseado em sua vida. Este ídolo e seu séquito de fãs fizeram brotar um pensamento esquisito, mas bastante compreensível num mundo mais fútil e fácil, e ainda assim amedrontador pra um punhado dessa nova geração.

Dispomos de tantas facilidades que a sociedade ocidental atrofiou sua coragem e bravura, isso a gente sabe. Não à toa que opiniões e mentalidades estão sendo e foram mudadas em prol dos movimentos “de minoria”: tudo ficou mais tolerável. O convívio social se tornou mais aberto, mas ainda assim opressor pra algumas pessoas. Esta galera “oprimida”, geralmente classe média/média-alta, são aversos a esportes físicos e têm pouco traquejo social, mas com certa destreza na informática, no videogame. Daí, para tornar-se um fã de outro jogador mais capacitado, como o Uchihara, e acreditar e acompanhar os campeonatos seria um pulo. Às vezes, o fanatismo chega a tal ponto do fã comparar o mesmo esforço e estudo de um jogador de videogame a um jogador de basquete ou de xadrez – sim, chegaram a me afirmar isto.

Pois bem. No aguardo da prática de jogar bolinha de gude tornar-se um esporte.

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20 comentários sobre “Umehara Daigo e a nova idolatria

  1. Anonimo disse:

    Dispomos de tantas facilidades que a sociedade ocidental atrofiou sua coragem e bravura, isso a gente sabe. Não à toa que opiniões e mentalidades estão sendo e foram mudadas em prol dos movimentos “de minoria”: tudo ficou mais tolerável. O convívio social se tornou mais aberto, mas ainda assim opressor pra algumas pessoas. Esta galera “oprimida”, geralmente classe média/média-alta, são aversos a esportes físicos e têm pouco traquejo social, mas com certa destreza na informática, no videogame. Daí, para tornar-se um fã de outro jogador mais capacitado, como o Uchihara, e acreditar e acompanhar os campeonatos seria um pulo. Às vezes, o fanatismo chega a tal ponto do fã comparar o mesmo esforço e estudo de um jogador de videogame a um jogador de basquete ou de xadrez – sim, chegaram a me afirmar isto.

    Pois bem. No aguardo da prática de jogar bolinha de gude tornar-se um esporte.

    Acho ainda um nível aceitável do que idolatrar um Resende Evil. Acho o E – Sport interessante, mas elitizado. Os arcades estão mortos, o que afastou o povo do acesso aos jogos e mesmo dentro deles via gente tão impressionante quanto ele em jogos que tinham tanta complexidade quanto Street Fighter 3. Gostava mais quando os jogos eram mais populares e menos elitizados, era bacana ver um cidadão comum dominar os comandos de um jogo de luta e se tornar um prodígio no mesmo.

    Aliás, um jogo subestimado demais pelo pessoal. Lembro da última vez que te vi estava num filperama jogando ele. Hoje este fliper é uma sorveteria.

  2. Anonimo disse:

    Acabei achando uma matéria que comenta a idolatria mais ou menos da forma como você comenta:

    Para o fã, pouco importa se o jogo vai demorar cinco anos para ficar pronto, quando ele está assistindo a conferência e vê o Kojima andando sobre os azulejos brilhantes de Billie Jean NADA MAIS IMPORTA.

    https://jovemnerd.com.br/nerdnews/do-palco-aos-controles-quem-cumpre-o-que-promete-na-e3/

    O que vou dizer não é novidade: mas boa parte dos gamers vivem dessa idolatria do que jogando realmente e ai de quem criticar o jogo da empresa/criador ou franquia favorita.

    • Anônimo disse:

      Eu era um gordo de óculos você estava jogando era de noite e estava super empolgado. Era uma máquina de tempo com um Playstation 2.

      • Anonimo disse:

        Vou te dizer que nem eu mesmo consegui nada no município. Na verdade consegui sim como repositor em um mercado próximo da minha casa, mas acabei mudando de emprego trabalhando com o que eu sou “especializado” com um salário um pouco melhor.

  3. picasso disse:

    Bom o sujeito da foto é casado, tenho algumas reservas de que ele não foda, e tambem que posso dizer em primeira mão que ele é um farrista (ele esteve em um campeonato em portugal ano passado).
    Com relação ao referido parry em sf3, sendo que ele acertou pelo menos isso 16 vezes seguidas, onde cada movimento tem 1/6 de segundo para ser feito, bom pode ser que s eja preciso alguma destreza para isso…
    Agora sim acho errado compararem esportes físicos com este tipo de esporte é no mínimo errado.

    E o nerd reverso é um pouca merda do crlho.

  4. Picasso disse:

    Pelo contrário, vida sexual nao tem relação com natalidade. do que falei com amigas que estão no japão, de sexo gostam e muito, agora deixar a vida de lado para ter filhos, isso são outros 500.

    Afinal se assim fosse, o minimo de filhos que qualquer casal teria, seria na casa das centenas

    • lionel disse:

      Aliás, a estratégia e o raciocinio envolvido em partidas de alto nível de 3rd strike são muito maiores que os envolvidos em xadrez, que é um jogo em que vence quem é mais autista e tem mais jogadas decoradas ao passo que 3rd strike exige velocidade de raciocinio e improviso e adaptabilidade.

  5. lionel disse:

    Então, você vence com todos personagens exatamente pelo que eu disse.
    É possível e hoje muito fácil fazer um computador que vence sempre no xadrez, porque xadrez é pra autista, só precisa memória grande. Você vence no street com todos personagens porque ainda não foram capazes de fazer um computador que vença um humano no street, ainda não existe um computador que jogue, por exemplo, como um grande mestre de street como o daigo. Começa a fazer as mesmas manobras sempre contra um cara de nível profissional como o daigo pra ver o que acontece. Não tem como vencer. Acho o daigo muito mais esportista que o bobby fischer, por exemplo. o esporte dele envolve muito mais raciocínio.

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