Hoje é meu aniversário

É isso. 28 anos.

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Ânus Novo?

Sinceramente, não sei muito o que dizer do ano passado e do que acontecerá neste ano. Sou ostensivamente contra fazer estes votos de boas festas, até porque muitas destas felicitações são feitas sob a nuvem de hipocrisia e do lugar comum, e isso não combina comigo. Bom, 2009 foi quase igual a 2008, com a diferença que no ano anterior houveram mais mortes de celebridades (e pseudo), dos mais improváveis (Brittany Murphy) até os previsíveis (Leila Lopes). Ah, morreu o Michael Jackson também, é claro. O mais “importante” de todos os óbitos.

Odeio ainda mais os fogos, as tradições referentes ao reveião (roupa branca, sorrisos mil, membros da famiglia que se vê uma vez na vida e outra na morte aparecendo), programação de merda em praticamente todos os canais e votos igualmente merdeiros nos canais, encabeçados pela rede Globo e seu “nossos sonhos serão verdade, o futuro já começou”. Todo fim do ano é isto, mas é impossível não ser flechado por esse tipo de coisa quando se não mora em sua própria oca.

Fui tão preguiçoso ao atualizar o blog calcado no tema “ânus novo” que só tive saco para escrever agora, no dia 13 de janeiro. Detesto toda esta mesmice que alcança um nível de irritação considerável na segunda metade de dezembro. Não ligo para votos, não preciso disso para fazer as coisas acontecerem.

Inveja e criatividade


Eu nunca imaginei que pudesse obter o sentimento de inveja tão cedo. Digo, não tão cedo e o tipo de inveja não é aquela ruim a ponto de praguejar contra uma pessoa, contra umas pessoas, etc. É o que a tal Mariana Ximenes diz no comercial do batom, “inveja boa”. É isso, eu tenho uma inveja boa. Bom, ela não é assim tão boa, pois me faz lamentar a minha falta de talento para com algumas coisas. Quer que eu passe a bola logo de uma vez? Beleza, chega de ficar enrolando, tremenda coisa de viado esse hábito de encher linguiça, mas quem curte ler simpatiza…ou não.

Seguinte, como vocês sabem estou escrevendo a porra de um livro há uns 2 anos desde que comecei a ter a primeira idéia sobre ele. A premissa mudou bastante de uns tempos pra cá, pois nos primórdios eu era apenas um moleque juvenil que não acertava de maneira alguma a transposição dos pensamentos loucos e imaginações perturbadoras (ih…) de dentro da minha cachola pro papel ou pra tela do computador. Como disse antes, não adianta ter ótimas idéias se não tem a capacidade de organizá-las, deixá-las em fila e utilizá-las de maneira coerente, a ponto de não deixá-la misturar, virar aquele guisado, maçaroca do caralho que nos faz esquecer de coisinhas aparentemente tolas e insignificantes, como por exemplo, esquecer que a professorinha ruiva apaixonada pelo indiano Sidney se chama Leda e que a zeladora do colégio liberal na qual exerce a profissão se chama Edite. Isso é fácil de memorizar, mas esqueci algumas coisas e me veio a decisão de recomeçar o livro novamente. Tal decisão tornou-se mais do que certa agora que estou vendo o “Medo e Delírio em Las Vegas” (pica relatada, tal qual aquele fórum de imageboards que frequento), dirigido pelo Terry Gilliam (do Monty Python, odeio esses caras) e estrelado pelo Johnny Depp, que simplesmente não consegue fazer personagens normais. Os que são normais acabam sendo loucos, como o jornalista Hunter S. Thompson que ele interpreta na película. Thompson é conhecido pelo jornalismo gonzo, mais ou menos o hábito de entrar “dentro” da reportagem, de participar da ação. Normal até aí, mas ele costumava encher o cu de entorpecentes (ficando LOKS DI DROGYS obviamente) e bebida. O filme é maravilhoso pelo Depp, incorporado no personagem como só ele (mentira) consegue fazer e pelos diálogos instigantes. Seu advogado igualmente doidão vivido pelo Benicio DelToro também está ótimo, vocês precisam ver a sequência em que ele pede pro Depp jogar o rádio na banheira que está durante tal música. O rádio precisa ser jogado dentro no auge da música. Os surtos são legais, as maluquices são legais e acabei sorrindo e rindo pra caralho como nunca diante um filme, olhe que ultimamente estou sorrindo demais, sorrindo para as crianças e mulheres na rua, dando aquele “tchauzinho” básico que acaba se tornando um “oizinho” para a deficiente mental próxima à minha rua. Mas, o que a bosta da inveja tem a ver com isso tudo?

Tenho inveja da criatividade alheia. Não da criatividade simples, mas da suposta criatividade obtida em trips, em drogas, bebidas e qualquer outra coisa que o valha. Pelo que sei até hoje ninguém confirmou se a pessoa escreve, filma bem se estiver entorpecida, embriagada, etc., mas algumas obras-primas são conhecidas por terem sido concebidas pelo estado mental “esquisito” de seus autores. Estaria eu subestimando a capacidade dos caras, seu talento e o caralho à quatro? Eles poderiam construir uma obra prima de tal magnitude se estivessem sóbrios, limpos? Não sei. Eu já fui extremamente criativo quando criança e adolescente. Não tinha nada pra fazer em casa, inventava brincadeiras, inventava até minhas crenças, brincava de lutinha e aperfeiçoava minhas habilidades marciais (qualquer um pode fazer isso,oras), enquanto 2 ou 3 fantasminhas camaradas me chamavam de “maluco” por fazer um solo de karatê, kung fu, boxe, capoeira e taekwondo. Qualquer coisa que você fizer hoje em dia pode ser suficiente pra ser chamado de “maluco”, as pessoas estão acostumadas a lidar com o “normal” e não com “anomalias”, mas o que significa exatamente o “normal”? Ok, não vou desvirtuar o assunto…

Eu vejo essa cambada que faz livros maravilhosos (na minha opinião, não dos outros) e penso que só poderia chegar a este nível sob efeito dum Lsd, cachaça ou merda de vaca. Vou dar um exemplo bem simples: JK Rowling. “Harry Potter and the Half-Blood Prince” é o melhor livro da série, apesar dos detalhes serem bastante simples foram extremamente bem executados. Muita, mas MUITA coisa ficou de fora na versão filmada, fazendo a película uma das 3 mais frustrantes do ano – as demais foram X-men Origins Wolverine e a outra ainda virá. A mulher, muito bonita, tirou a sorte grande e é bilionária. Utilizou de coisas simples para dar segmento aos livros e venceu. Eu estou colocando coisas ditas “complexas” e possivelmente se for publicado não será elogiado e reconhecido como se deve. Eu tenho um roteiro bão em mãos, mas me perco e observando outras mídias quero acrescentar mais coisas, inspirado nas idéias alheias. Não, não chupinho. O máximo que faço em matéria de chupinhação é se inspirar em tal atriz para compor uma personagem. No caso da guria Bonnie Silvestre – filha do protagonista Sidney – inspirei-me na atriz Bonnie Wright, de Harry Potter. Você deve pensar que, só porque sou fã de Harry Potter as probabilidades do livro serem uma merda são altas. Compreendo perfeitamente. Então, eu quero ter essa criatividade, mas de forma natural. Até tenho alguns gomos nas mãos, mas é necessário utilizá-los de uma forma boa e trabalhar a memória para que eu não esqueça de coisas simples.

Vou tomar um banho porque tá calor pra caralho, dá licença.

Aniversário…e daí?

Sim, mas não sei o que comemorar. Na verdade a comemoração começará amanhã, então hoje seria o “aquecimento” fazendo as mesmas coisas de sempre: escrevendo, tentando dormir e escrevendo. Não consigo dormir por muito tempo, acordo 6 da manhã e durmo meia-noite, minha alimentação é bastante irregular desde 2003 (óbvio que o corpo já se acostumou), mas o aniversário em si não me preocupa tanto assim. O que me preocupa é o fato de não conseguir concluir meu livro. Desde 2008 estou prometendo isso, já comecei, recomecei uma porrada de vezes, e isso porque sou perfeccionista. A história é bem idiota, apesar de inusitada: 3 pessoas de nacionalidades diferentes, mas parentes (se enésimo grau) tentam achar a cura de uma doença cara que acomete apenas sua família. No fim do século XIX o clâ foi afetado pelo sangue de uma criatura mitológica, o Rokurokubi, misturado no arroz vermelho que eles cultivavam e comiam. Como a história se passa nos tempos atuais, fica complicado enfiar uma criatura que nunca existiu na história, mas essa não é a única das doideiras do livro. A cidade apresentada na trama na maioria das vezes é o Rio de Janeiro, mas um Rio um tanto anacrônico: bondes são o transporte público principal, o Aterro do Flamengo não existe, o morro do Castelo ainda se preserva firme e forte na região do Centro, indígenas povoam parte da Zona Rural carioca e interior do estado, charretes, carros pouco a pouco são difundidos ao mesmo tempo em que o povo dispôe de aparelhos tecnológicos (computador, IPod, televisão à cabo, telefone celular), junta isso com um prefeito gay (nada contra quem curte dar ré no quibe) acostumado a mudar tudo o que não gosta e voilá. Se eu escrevesse sem me preocupar com nada já teria terminado, está previsto para ter 300 páginas. Mudo o tempo todo por conta da vergonha alheia que percebo após escrever: palavras e frases repetidas (do tipo: “Certo que…”), personagens mal explorados (como Elizabeth, a gótica que foi melhor trabalhada), entre outras coisas. Não dá pra escrever um livro de qualquer jeito. Lembro que quando comecei a tornar esse desejo realidade eu morava no Rio e desprovido de recursos fui, ingenuinamente, à Prefeitura buscar patrocínio. Muito enrola enrola para uma resposta que eu já previa. Terminei e me escorei na Editora Rocco (conhecida por publicar Harry Potter), meu livro tava uma merda, cheguei naquele ambiente refrigerado “suado de obra” – na época eu não percebia estes erros – e meses depois recebi uma carta dizendo que não poderiam me publicar “apesar das aparentes qualidades”. Sinceramente, acho que não teve qualidade alguma. Não sabia escrever mesmo e cometia um erro atrás do outro, as histórias eram superficiais, algumas embebidas em boas idéias, mas mal executadas. Não adianta você tentar pôr uma história de um pai de família que tem o dom de virar menina quando quiser (e ele usa especificamente para tirar vantagem alheia), estipular mais ou menos o número de páginas e já dissecar tudo na página 30, ou então inventar histórias paralelas que se envolvam tanto a ponto de deixar a “primal” em segundo plano, entre outras coisas. Já comecei errando ao fazer uma historinha de bosta, depois só ladeira abaixo, sem contar que só a idéia de proporcionar uma leitura falha a quem compra/pega emprestado é péssima. Não quero ser reconhecido como um péssimo escritor, ninguém quer, por isso mesmo que estou mudando constantemente até alcançar a “perfeição”. “Ora, mas se chegar à ‘sua’ perfeição não quer dizer que quem ler achará grandes coisas”, poderiam dizer. É claro, mas precisa passar pelo meu crivo, porra!

P

A afobação não tomou conta. Pelo menos não nesta época, mas mesmo assim um pouco de renovação na fuça não custa nada e ajuda a aumentar a qualidade de vida. Vivo justamente por essa renovação, do tipo em que ficamos desolados porque passamos o dia inteiro inúteis ou então criando algum trabalho, terminando um projeto que não nos dá a menor realização. Acabamos nos sentindo incapazes de fazer-nos felizes e isso chega em todas as esferas.

Tiramos de letra qualquer espécie de dificuldades e temos uma (vasta) experiência nisso, é o suficiente pra não ficar choramingando pra lá e pra cá. Um projetinho aqui e ali, um só não pode ser suficiente, mas junta tudo só pra ver…

É uma pena que eu também tenha a incapacidade de dormir muito, mas deixar de vivenciar as coisas é um tipo de covardia. O conselho deve ser dito sem os chavões de sempre, porque já descarto. Assim como eu posso me superar você também pode se superar e ser minimamente original na hora de aconselhar alguma pessoa.

Observações

Imagino que não seja assim tão difícil analisar e se analisar. Tenho um “senso observador” (que porra é essa?) aguçado especialmente para lidar comigo mesmo, mas mesmo assim não consigo mudar. É praticamente impossível mudar personalidade duma pessoa com 20 e tantos anos ou não? Pode-se obter pitacos aqui e ali, mas você sempre será a mesma pessoa, com o mesmo jeito de ser. Coisas ruins podem ser podadas (algumas com uma certa facilidade), mas outras é um cu pra conferir, só que estas podem ter um certo motivo de estarem tão altivas, fortes. Lembro que fui um sujeito bem “normal” no período escolar de minha infância, tendo traumas como qualquer pessoa de classe média-baixa, umas mais e outras menos. Odiava ver o patriarca bêbado e você sabe que o bêbado pode ser prejudicial de diversas formas, desde o sujeito que te enche o saco te tratando como um amigaço até o violento. Caninha da Roça, Pirassununga 51 não descem nem com limão. Ah, eu curto uma caipirinha quando quero degustar algo diferente, ter toda aquela frescura de beber e passar a língua em toda a boca para captar o paladar. É a mesma merda de sempre, mas o limão dá uma pegada mais tragável. Coisa bacana era comer peixe frito feito na praia e me afogar na praia do Joá, embaixo daquele elevado da Barra da Tijuca. Até hoje, não sei nadar, mas não quer dizer que fique sempre no raso. Isso lembra de levar a mulher e filha para tomar uma água salgada, mas como mais lerdo que ela em tomar decisões…

O problema é o questionamento. Sempre fui questionador e isso anda ocorrendo em mais do que nunca nestes anos. Observo tudo e todos, mas não no modo fofoqueiro de ser. É como se observasse tudo para estudar. Tirar uma prancheta do cu, a caneta da garganta e anotar tudinho. Tem coisa que ainda não sei porque fazem:

1- Não é “exato” demais um jovem se atrair por outro porque…o outro é jovem? Ele apenas se atrai (não amorosa ou sexualmente) e só? Ele tira isso do cu ou tem algum viés mais científico e corporal para isto?

2- Repetições. Não é possível que todo mundo resolva bancar o surdo e pergunte “hã?”, “o quê?” quando a pessoa diz uma frase bem clara (não apenas para ele, mas para qualquer pessoa). Outra, a pessoa repete o que a outra disse. “É na sexta-feira, então?”, “É, na sexta-feira”.

3– Attention Whores. Por quê a tentativa exacerbada de querer aparecer? E isso vem desde os casais que gostam de se beijar na rua (alguns ficam no meio do caminho justamente para que quem passar lá os observe sem escapatória) e as adolescentes em grupo ou em dupla que falam alto e gesticulam até as putinhas (geralmente é mulher) Camwhores, pseudo-celebridades e etc. É prazeroso mesmo ser o centro das atenções?

4– Orgulho. Puta que pariu, O QUE CUSTA reconhecer que errou? Hoje, nego me deu informação errada, fui no lugar errado (uns 6 quilômetros de onde moro) a pé e num calor saariano, gastei o pouco da grana que tive para voltar, confundindo as viações (já que o ônibus que eu queria pegar tinha a pintura parecidíssima com a do ônibus errado), me estressei e quando fui tirar satisfações, ainda se acharam certos! E ainda responderam: “pô, a gente ainda se deu o trabalho de te passar a informação…”, a questão não é essa, meu filho, não quer dizer que, só porque me fez um favor que eu ficaria quieto perante a informação errada que você me passou!

5– Falta de tato. Tentar falar mais que a televisão (inconscientemente, é claro). Dar batidinhas na cadeira alheia, machucar o outro, se intrometer no assunto alheio, tomar as dores dos outros, infernizar a vida do outro porque “não gosta dele”, entre otras cositas más.

Vice Fu era o nome.

Hum…

Falando em banda, lembro da minha “aventura” em tentar formar um conjunto sério de rock, na época quando eu ainda morava no Rio de Janeiro.

Tinham vários problemas, eu tinha o mesmo comportamento ativo de msn: tomava a iniciativa, mobilizava, combinava e o caralho à quatro. Os mancebos (puta merda) se resumiam em 3 pessoas, adolescentes movidos à leite com pêra, típicos ateus de quartinho e metidos a roqueiros com graaandes influências. Só vou dizer uma delas: Nirvana.

Já é motivo suficiente para rir, você pode achar que estou sendo arrogante (na verdade sou mesmo, mas nem sempre), mas reconheço que os malucos tinham mais experiência no mundo musical que eu, a começar pelas posses: eles tinham instrumentos, eu nem tinha um microfone (já que atacava de cantô, o que não quer dizer muito), que é baratinho. Eu cantava pela nuca, pelo lado de dentro do umbigo e pela sola dos pés. Imaginava que minha voz soava como a do Belquió chapado de uísque, voz grave, mais um pouquinho eu emulava o Renato Buço, mas não tinha a feminilidade dele (“remakada” pelo Bruce Gomlevsky, seu intérprete no teatro), mal movia os braços e tinha vergonha de gritar. Na verdade, não era vergonha, eu mal gritava no meu dia a dia, sem contar que minha boca aberta não combina bem com meu rosto, hahaha. O guitarrista tinha o Nirvana como influência, além de parecer um PÚDOL. O baterista era o sujeito que mais me entrosei no msn, mas pessoalmente não falava comigo. Como os outros, deveras decepcionado por eu ter falado muito no msn, sendo um líder, mas pessoalmente de mansidão vergonhosa. Beleza, não conhecia os caras, eu costumo me soltar com o tempo. O baixista era uma versão gordinha do Harry Potter, visivelmente tímido (tão lindo quanto, se eu fosse uma menina certamente daria em cima), vestido à lá jogador estadunidense de basquete. O outro que seria tecladista desistiu quando resolvemos nos encontrar. Tocamos. Cantei mal. Não gritei como deveria, tinha um inseto preso dentro da minha garganta. Ops, teve mesmo.

Desistimos.